Bolsonarismo quer emplacar Vanderlan Cardoso para governador em Goiás

O presidente quer um palanque no Estado e, por isso, incentiva o senador a disputar mandato para o Executivo

O que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) quer mesmo em relação à política de Goiás? O apoio declarado do governador Ronado Caiado (Democratas). E pra já. Mas ocorre que o gestor goiano é leal ao seu partido, o Democratas — que, depois da fusão com o PSL, se tornará o União Brasil. Para quem não respeita partidos, e sequer é filiado, é difícil de entender. Mas, antes de tomar uma decisão pessoal — que poderia lhe ser benéfica do ponto de vista administrativo —, o líder goiano vai esperar a decisão do partido, que poderá lançar candidato próprio, como o médico Luiz Henrique Mandetta, ou apoiar um candidato de outro partido, como o próprio Bolsonaro, Sergio Moro ou Rodrigo Pacheco. Sem uma decisão partidária, não há como anunciar um apoio agora que, adiante, poderá ser negado.  Ao contrário de vários políticos, Ronaldo Caiado joga limpo e não tergiversa.

Entretanto, como é um político açodado, desses que apreciam atropelar possíveis aliados do futuro — afinal, a eleição de 2022 poderá ter segundo turno —, Bolsonaro está pressionando aliados a lançarem um candidato em Goiás. Primeiro, seus epígonos tentaram abrir diálogo com o prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha (sem partido). Mas o gestor municipal teria sugerido que não planeja apoiar candidato a presidente — postulando que eleições presidenciais não interferem nas disputas estaduais.

Segundo, especulou-se numa chapa para fazer “figuração”, com o deputado federal Major Vitor Hugo (PSL) para governador. Mas, segundo um deputado, o próprio Bolsonaro teria refluído, alegando que o companheiro de jornada, de sua cozinha, acabaria ficando sem mandato.

Jair Bolsonaro e Vanderlan Cardoso: aliados | Foto: Divulgação

Terceiro, com Major Vitor Hugo retirado do páreo — por falta de expressividade política —, começou a se articular noutro front, com a possibilidade de lançamento do senador Vanderlan Cardoso (PSD) para governador.

A turma de Bolsonaro avalia que Vanderlan Cardoso, por ser um senador atuante e operacional — largamente beneficiado pelo orçamento secreto, de acordo com o que um bolsonarista disse à redação —, deve ser o candidato a governador.

Entretanto, como romper com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), que o bancou para prefeito de Goiânia, em 2018, quando poderia ter apoiado Maguito Vilela, o candidato do MDB? É preciso arranjar uma boa “desculpa” para justificar um “rompimento”. O pretexto é Daniel Vilela, que Ronaldo Caiado escolheu para seu vice.

Por que Ronaldo Caiado escolheu Daniel Vilela? Pelo mesmo motivo que Vanderlan Cardoso escolheu para ser seu primeiro suplente o ex-deputado Pedro Chaves, um dos mais importantes líderes do MDB em Goiás. Na campanha de 2018, o MDB de Daniel Vilela fez o impossível, em todas as cidades do interior, para bancar Vanderlan Cardoso, finalmente eleito para senador.

A rigor, portanto, Vanderlan Cardoso deve dois favores. A Daniel Vilela — pelo apoio em 2018. A Ronaldo Caiado — pelo apoio em 2020.

Mas, usando o “pretexto” Daniel Vilela, Vanderlan Cardoso “trairá” Ronaldo Caiado em 2022? É provável que não. O senador tem apreço pelo governador e o avalia como qualificado e sério. O gestor estadual também avalia seu companheiro de jornada como um político de valor.

Finalmente, passada a eleição, o “bandeirante” Bolsonaro “sumirá” de Goiás. Mas Ronaldo Caiado, Henrique Meirelles (Vanderlan Cardoso passa a impressão de que não o quer mais para senador), Lissauer Vieira, Daniel Vilela, Alexandre Baldy e João Campos continuarão fazendo política em Goiás. Por isso, considerando que se trata de um político consistente e um empresário de valor, recomenda-se que Vanderlan, pensando no futuro, não esqueça de seu passado. Porque quem esquece o passado costuma não ter futuro.

Há quem postule que Vanderlan Cardoso está prestes a trocar o PSD pelo PSC (ou pelo partido ao qual Jair Bolsonaro irá se filiar). Porque o PSD já tem candidato a presidente da República — o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, que acaba de se desfiliar ao Democratas.

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