O objetivo político da base do governador Ronaldo Caiado é eleger o prefeito de Anápolis — qualquer um, exceto o deputado estadual Antônio Gomide, do PT.

Os dois nomes mais citados na base governistas são o deputado federal Márcio Corrêa e o deputado estadual Amilton Filho, ambos do MDB.

Márcio Corrêa é o mais cotado, por ser ligado ao vice-governador Daniel Vilela. Ele saiu na frente e, por isso, é visto como o candidato do MDB. Ao mesmo tempo, ele tem a simpatia do bolsonarismo e, inclusive, do senador Vanderlan Cardoso (PSD). É um excelente handicap. Amilton Filho é o preferido das hostes palacianas.

Há a expectativa de que o MDB, o União Brasil, o PSD e o bolsonarismo poderão apoiar Márcio Corrêa. Neste momento, o MDB já está fechado com o deputado, o bolsonarismo (PL) está se aproximando — e quer indicar o vice, que pode ser o vereador Hélio Araújo (PL) — e o União Brasil está examinando o quadro. O emedebista mantém contato estreito com Vanderlan Cardoso.

Uma coalizão entre o MDB, o União Brasil, o bolsonarismo e o PSD, se efetivada, pode barrar o petista Antônio Gomide, que, na campanha, tende a ficar isolado. Como ficou na eleição passada e foi derrotado pelo prefeito Roberto Naves (Republicanos).

Por sinal, Roberto Naves (Republicanos) é um poderoso agente da disputa anapolina. Ele tanto pode lançar candidato a prefeito — que, com seu apoio, ganha força — quanto pode apoiar o candidato bancado pelo governador Ronaldo Caiado.

Como o mandato de Roberto Naves está acabando, muitos pensam que o prefeito perdeu sua capacidade de articulação. Não perdeu. Com sua estrutura e capacidade de articulação, pode ser o elemento que falta para Márcio Corrêa deslanchar e se aproximar de Antônio Gomide.

Com a quinta força — Roberto Naves —, Márcio Corrêa poderá virar o jogo e ganhar de Antônio Gomide no primeiro turno. Sem o apoio do prefeito, que aí lançará candidato, o emedebista terá de enfrentar Antônio Gomide no segundo turno, e aí se instala a imprevisibilidade. Pode-se dispensar apoio em política? Claro que não. Dispensar apoio é um caminho seguro para derrotas, e não para vitórias. (E.F.B.)