Batalha pelo Senado em 2022 prenuncia a guerra que se terá em 2026

Para governador, em 2022, Ronaldo Caiado é o favorito absoluto. Portanto, a batalha maior será travada na disputa seguinte, mas começa pelo Senado em 2022

Poucos políticos se arvoram a enfrentar o governador Ronaldo Caiado na disputa de 2022. Tanto que, no momento, praticamente não há nomes definidos para a disputa do governo. Isto se deve ao favoritismo do líder do partido Democratas. Menciona-se nomes como Daniel Vilela, do MDB, e Jânio Darrot (a caminho do Patriota) e José Eliton (PSDB). Mas nenhum dos três se coloca realmente como pré-candidato. Ao menos dois deles estão esperando o quadro ficar “mais claro”. Noutras palavras, estão à espera de que a popularidade do gestor estadual “caia”, o que não está acontecendo.

Se não há congestionamento na disputa pelo governo — com Ronaldo Caiado ocupando, solitariamente, todas as raias da pista —, há uma verdadeira guerra na disputa para o Senado. Curiosamente, dizem: “Está cedo para discutir o governo”. Mas por que não está cedo para debater a única vaga para senador? Simples: são muitos os candidatos e todos querem se colocar, desde já, para serem levados em consideração pelo eleitorado.

Fica a pergunta, que às vezes não é examinada pelos analistas da imprensa: por que tantos querem ser candidatos a senador?

O mandato de senador, de oito anos, dá mais segurança para os políticos. O eleito para senador em 2022, se quiser disputar mandato de governador em 2026, poderá fazê-lo sem grandes preocupações, porque, se perder, preservará o mandato por mais quatro anos.

O mais importante é que aquele que for eleito senador em 2022 estará se cacifando para a disputa de governador em 2026. Sabe-se, desde já, que o senador Vanderlan Cardoso e o ex-deputado federal Daniel Vilela planejam disputar o governo em 2026. Mas, com o jogo estará aberto — porque, se reeleito em 2022, Ronaldo Caiado não poderá disputar um terceiro mandato —, os principais políticos de Goiás acreditam, com uma vitória para senador, estarão cacifados para a disputa do governo.

Há, no momento, pelo menos nove pré-candidatos ou quase pré-candidatos a senador, que serão listados, não em ordem de importância, e sim alfabética.

1 — Alexandre Baldy/PP

Alexandre Baldy: presidente do Progressistas em Goiás e ex-deputado federal | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

É empresário e tem 40 anos. Foi secretário da Indústria em Goiás, deputado federal e ministro das Cidades e é secretário de Transportes Metropolitanos do governo de São Paulo. Preside o partido Progressistas em Goiás. Era cotado para figurar na chapa de Ronaldo Caiado, mas os dois romperam recentemente. Mas podem recompor. Só que agora tem um adversário de peso — Henrique Meirelles.

2 — Daniel Vilela/MDB

Daniel Vilela: presidente do MDB em Goiás | Foto: Reprodução

Tem 37 anos, foi vereador, deputado estadual e deputado federal. Foi candidato a governador em 2018. Perdeu, mas ficou em segundo lugar, à frente do então governador José Eliton, do PSDB. É cotado para disputar o governo e também para ser vice de Ronaldo Caiado. Há quem avalie que deveria postular mandato de senador.

3 — Delegado Waldir Soares/PSL

Delegado Waldir Soares, presidente do PSL em Goiás | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Aos 58 anos, o deputado federal foi eleito e reeleito — superando todos os demais candidatos. Em 2022, pretende disputar mandato de senador, e numa chapa com Daniel Vilela. Agora, se o emedebista compor com Caiado, poderá participar de outra chapa.

4 — Henrique Meirelles/PSD

Henrique Meirelles, ex-ministro da Fazenda | Foto: Divulgação

Aos 75 anos, o ex-banqueiro e ex-ministro é um político gabaritado. Foi eleito deputado federal em 2002 e disputou a Presidência da República em 2018. Mal chegou e “bagunçou” o jogo. Porque não veio para ser reserva. Chegou para ser titular e estrela.

5 — Iris Rezende/MDB

Iris Rezende: ex-prefeito de Goiânia | Foto: Divulgação/Secom

Aos 87 anos, o emedebista quer ajudar Ronaldo Caiado a ser reeleito e impedir a “volta” do grupo de Marconi Perillo. É sua principal missão. Até gostaria de ser senador. Mas não vai criar nenhum obstáculo na montagem da chapa do governador.

6 — João Campos/Republicanos

João Campos: presidente do Republicanos em Goiás | Foto: Divulgação

O deputado está sob pressão. O partido torce para que dispute mandato de senador para abrir espaço para Jefferson Rodrigues ser candidato a deputado federal. Ele tem um aliado forte, o prefeito de Goiânia, Rogério Cruz (frise-se que o gestor da capital é muito mais aliado de Rodrigues, porque ambos pertencem à Igreja Universal). Mas terá dificuldade de participar de uma chapa majoritária.

7 — Luiz Carlos do Carmo/MDB

Luiz Carlos do Carmo: senador | Foto: Reprodução

O senador quer candidatar-se à reeleição. Mas, com o meio-campo congestionado, não será fácil. Hoje, gostaria que Daniel Vilela disputasse o governo, porque haveria uma vaga para ele ser candidato a senador. A tendência é que seja candidato a deputado federal. O problema é que sua igreja, a Assembleia de Deus, já tem deputado federal — o empresário Glaustin da Fokus.

8 — Magda Mofatto/PL

Magda Mofatto: deputada federal | Foto: Divulgação

O sonho da deputada federal é conquistar uma vaga no Senado. No momento, é aliada de Daniel Vilela e gostaria de acompanhá-lo numa disputa majoritária. É uma política que articula em todo o Estado.

9 — Zacharias Calil/Democratas

Zacharias Calil, deputado federal | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

O deputado federal, o terceiro mais votado em 2018, quer uma vaga no Senado. Mas há uma pedra no caminho: o DEM terá o candidato a governador, Ronaldo Caiado, e precisa das vagas de vice e Senado para a negociação política. Por isso, é quase certo que, na chapa governista, o médico só terá espaço para disputar a reeleição. Amigo e aliado do governador, acabará por ceder — acredita-se no âmbito do partido Democratas.

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