Por enquanto, José Roberto Arruda está inelegível. Mas é considerado como o único que pode derrotar o governador do Distrito Federal

A eleição em Brasília está nas mãos do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, do MDB. Está mesmo? Sim e não.

Sim, porque, até o momento, não tem concorrentes consistentes. O senador José Antônio Refuffe, do União Brasil, é um nome forte. Mas ele demorou demais a se decidir, pois uma hora sugeria que disputaria a reeleição e, noutro momento, admitia que seria candidato a governador. Agora, sustenta que vai disputar a chefia do Executivo.

Flávia e José Roberto: a eleição majoritária do Distrito Federal passa pelos Arrudas | Foto: Reprodução

Reguffe teria chegado “tarde”? Talvez sim. Talvez não. A eleição será disputada daqui a três meses e alguns dias, e a campanha ainda não começou. Portanto, uma campanha bem-feita, mostrando em que suas diferenças em relação a Ibaneis Rocha poderão melhorar as condições de vida dos moradores de Brasília, poderá levá-lo ao poder.

Mas vale insistir: no momento, Ibaneis Rocha — por sinal, o mais rejeitado dos pré-candidatos —, está praticamente sozinho na raia. O céu, para ele, é mesmo de brigadeiro. Porém, vale insistir: ainda não há campanha, portanto ainda não há a exposição do contraditório. É a partir do contencioso entre as partes que os eleitores vão se posicionar. Como afirma o cientista político e sociólogo Antonio Lavareda, as pesquisas verificam intenção de voto, e esta não é o mesmo que “comportamento” dos eleitores.

José Antônio Reguffe, senador: “príncipe da indecisão” | Foto: Agência Senado

O senador Jorge Kajuru disse ao Jornal Opção no sábado, 25, que é preciso considerar que a senadora Leila Barros, a Leila do Vôlei, não saiu do páreo. “Leila Barros, uma política consistente e decente, pode acabar fazendo a diferença e, ao destoar do coro dos contentes, e ser eleita governadora.”

O senador Izalci Lucas, do PSDB, que venceu a queda de braço com a deputada federal Paula Belmonte, do Cidadania — os dois partidos estão federados, mas o comando da federação, em Brasília, é do tucano —, permanece no páreo.

Mas há um drummond no meio do caminho de Ibaneis Rocha e, a rigor, de todos os demais pré-candidatos: o ex-governador José Roberto Arruda.

Izalci Lucas e Leila Barros: os senadores estão no jogo | Foto: Senado

Se a Justiça Eleitoral derrubar sua inelegibilidade, Arruda será candidato a governador e, por ser popular e manter relacionamento com quase todos os grupos políticos de Brasília, terá condições de derrotar Ibaneis Rocha.

Aliados de Arruda postulam que Ibaneis aparece com uma intenção de voto de 30%, bem acima dos demais pré-candidatos, mas sua rejeição é alta, também na faixa de 30%. O que significa, na visão dos arrudistas, que os eleitores estão à espera de uma terceira via com reais possibilidades de derrotar o governador.

Simone Tebet e Ibaneis Rocha: o favorito que pode desidratar na campanha | Foto: Reprodução

Ibaneis Rocha apoia Simone Tebet (MDB) para presidente da República, ainda que, nos bastidores, seus aliados admitam que vai cristianizá-la, apoiando, na prática, o presidente Jair Bolsonaro. O problema, para o governador, é que Bolsonaro quer apoio às claras, explícito, e não implícito.

Se Arruda conseguir ser candidato, a tendência é que Bolsonaro banque sua candidatura, até porque os dois são do mesmo partido, o PL.

A entrada de Arruda muda inteiramente o jogo. Sua mulher, a deputada federal Flávia Arruda (PL), hoje é pré-candidata a senadora e lidera as pesquisas de intenção de voto. Porém, se Arruda disputar o governo, ela certamente disputará a reeleição.

Damares Alves e Jair Bolsonaro: a ex-ministra é um dos principais nomes do presidente da República para a disputa no Distrito Federal | Foto: Reprodução

Se Flávia Arruda sair do páreo para senadora, a ex-ministra Damares Alves, do Republicanos, certamente será a candidata a senadora da chapa de Arruda.

Porém, se Arruda permanecer inelegível, Bolsonaro terá de optar por dois caminhos. Primeiro, ficar com Ibaneis Rocha, ainda que de maneira ligeiramente escondida (porque Simone Tebet vai exigir fidelidade partidária). Segundo, poderá bancar Flávia Arruda para governadora. Ela ou Damares Alves.

Há quem postule que, apesar de ser uma articulação estranha, Bolsonaro poderia apoiar Reguffe para governador, com Flávia Arruda para o Senado e Damares Alves para vice.

Diga-se que é o cenário menos provável. Porque Reguffe, ao contrário de Flávia Arruda e Damares Alves, não pertence ao círculo de confiança de Bolsonaro. O senador não é bolsonarista, nem raiz nem cristão-novo.