Arrogância de Lúcio Flávio pode gerar um fenômeno: a união da OAB Forte com Leon Deniz

Interlocutores do grupo de Miguel Cançado e Felicíssimo Sena estão dialogado com os integrantes do grupo de Leon Deniz

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O presidente da OAB-Goiás, Lúcio Flávio de Paiva, é apontado por advogados que lideram uma dissidência — por sinal, maior do que o grupo do chefão da Ordem — como uma espécie de Fernando Collor da advocacia, devido ao seu “autoritarismo” e “isolamento”. A diferença é que o líder goiano é apontado, até por adversários, como decente. “Na capital, a liderança de Lúcio Flávio é cada vez mais contestada, inclusive por aliados e ex-aliados. Mas, no interior, já é um maior inteiramente abandonado”, afirma Danúbio Cardoso, conselheiro da Ordem que o apoiou na eleição. Júlio Meirelles, que planeja disputar a presidência em 2018, confirma: “Os advogados do interior se sentem abandonados pelo Lúcio Flávio”.

É provável que, daqui a pouco, Lúcio Flávio tenha de repetir Fer­nando Collor: “Não me deixem só”. Ele está cada vez mais isolado, com es­cassos aliados, como Rafael Lara. Como a próxima eleição será realizada apenas em novembro de 2018, terá chance para se rearticular. Mas, no momento, é como se pensasse que não precisa de aliados, dos ve­lhos e de novos. O encantamento com o poder, a incapacidade de en­ten­der que é preciso compor, pode ge­rar um fenômeno: a OAB Forte e Leon Deniz — praticamente rompido com o grupo de Lúcio Flávio — po­dem se unir para a próxima disputa.

Hoje, há quatro grupos militando entre os advogados. Nenhum é hegemônico isoladamente, por isso, na próxima eleição, alguns deverão compor. Porém, no caso de quatro candidaturas, Lúcio Flávio, ainda que fragilizado, pode acabar sendo reeleito. Os grupos: 1 — A OAB Forte, liderada por Felicíssimo Sena e Miguel Cançado, permanece com uma força considerável. Mas sozinha pode não eleger o próximo presidente da Ordem. Miguel, embora apontado como postulante, não confirma que tem interesse na disputa. Flávio Buonaduce, que perdeu na eleição passada, tem interesse. Júlio Meirelles também é cotado. 2 — o grupo de Leon Deniz tem, provavelmente, um terço do eleitorado, mas, isolado, não elege o próximo presidente. Daí a necessidade de aliança, que pode ocorrer tanto com o grupo de Miguel Cançado — seus emissários estão conversando — quanto com o de Enil Henrique de Souza. Ao contrário de Lúcio Flávio, Leon Deniz é um articulador hábil e experimentado (hoje, sabe que a raiva é, como dizia Tancredo Neves, improdutiva e se tornou mais aberto e tolerante). 3 — O grupo de Lúcio Flávio. Com a estrutura da OAB, ninguém é inteiramente fraco. Lúcio Flávio é, portanto, um dos mais importantes players, por mais que tenha desgaste. 4 — O grupo de Enil Henrique — seu filho, Enil Neto, articula bem entre os advogados jovens —, apesar do desgaste, permanece articulando. Djalma Rezende corre por fora e pode articular com qualquer grupo, menos, quem sabe, com o de Lúcio Flávio — que o ignora.

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