“Aprovação do Orçamento Impositivo provará que Legislativo goiano é independente”, diz Talles Barreto

“Quando mais precisa aumentar a arrecadação, o governo vai provocar uma desaceleração da economia. Há empresas que, claro, vão sair de Goiás, dada a insegurança jurídica”

O deputado estadual Talles Barreto, com atuação firme e surpreendente na Assembleia Legislativa de Goiás, começa a ser chamado pelos colegas de “Sr. Oposição”. Ele é o crítico mais severo e articulado do governo de Ronaldo Caiado. Seu posicionamento é bem informado e contundente. Modesto, frisa: “Nunca foi tão fácil fazer oposição. Porque o governo de Caiado é caótico. O governador e sua equipe são ruins demais”.

Para Talles Barreto, a Assembleia está se comportando de maneira independente, e não como uma secretaria de Ronaldo Caiado. “Mas o grande teste, é claro, ocorrerá nas votações. Se passar o Orçamento Impositivo, que garante 1,2% dos recursos do Estado, para os parlamentares indicarem áreas de investimento, o Legislativo provará, de vez, sua autonomia ante as pressões do governo. Vale frisar que o dinheiro não é para a Assembleia, e sim para a sociedade, pois 70% do 1,2% vão para saúde, educação e ciência e tecnologia e os 30% restantes serão destinados às entidades do terceiro setor. O percentual de 1,2 significa nossa independência. Por isso, na votação, vamos saber se os deputados atendem à sociedade e ao poder que representam ou se são capachos de Caiado. A situação está ruim, até muito ruim, para o governo, que, insisto, está mais perdido do que cego em tiroteio de cegos.”

O deputado do PSDB afirma que o governador Ronaldo Caiado garante que não faz conchavos. “Então, se Caiado não faz, quem faz é o Ernesto Roller [secretário de Governo]? Não sei se fazem ou não. O que sei é que o Diário Oficial está cheio de nomeações, inclusive para cargos sob indicação de deputados. Uma boa pauta para a imprensa é identificar quais os parlamentes indicaram aliados, e quanto foram indicados.”

Retirar o mandato da Goiasprev é um “equívoco”, na opinião de Talles Barreto. “Caiado está olhando no retrovisor e, por isso, não para de bater o carro. Seu governo não sai do lugar porque não está preocupando com o presente. Ele precisa governar, no lugar de ficar debatendo o que passou. Até hoje, em três meses de governo, Caiado não conseguiu nomear o diretor de manutenção da Goinfra. O fato de ter nomeado o primeiro escalão com indivíduos que não conhecem Goiás, menosprezado as pessoas do Estado, inclusive das universidades, como a UFG e a PUC, também contribui para a paralisia de sua gestão. Ao contrário do presidente Jair Bolsonaro, que nomeou Paulo Guedes e Sergio Moro para o ministério, Caiado não nomeou nenhuma sumidade. Ao menos dois políticos que foram derrotados em seus Estados vieram para Goiás, porque não tinham outra alternativa. O governo não tem planejamento e, em termos políticos, produz instabilidade na sua base na Assembleia. Quando mais precisa aumentar a arrecadação, o governo vai acabar provocando uma desaceleração da economia, pois trata mal os empresários. Há empresas que, claro, vão sair de Goiás, dada a insegurança jurídica. Caiado arriscou tudo no regime de recuperação fiscal e deu para trás.”

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