Sério e decente, o candidato a senador pelo PRP parece não perceber que está sendo usado como instrumento político

Jorge Kajuru (PRP) | Foto: Alberto Maia / Câmara Municipal de Goiânia

Analistas políticos sugerem que o papel de Jorge Kajuru na chapa do candidato a governador pelo DEM, Ronaldo Caiado, é de franco-atirador. É provável que seja mais útil à candidatura do presidente do Democratas do que este é útil à sua candidatura a senador.

Dada sua inexperiência po­lítica, Jorge Kajuru não percebe que os eleitores começam a percebê-lo como um político que muda de posição — num momento, mostra civilidade, e, no momento seguinte, começa a atacar seus adversários, de maneira agressiva e nada polida. O caráter excessivo de seus ataques — que estão acima de uma crítica formulada de maneira documentada e racional — prejudica mais a si do que o indivíduo a ser atingido. O que parece ser coragem tende a ser interpretado, aos poucos, como irresponsabilidade.

O que não se sabe é se Jorge Kajuru tem ideia de que está sendo usado, que não está jogando, e sim fazendo o jogo dos outros, quer dizer, de Ronaldo Caiado e, até, de Wilder Morais. Enquanto o candidato a senador pelo PRP fica com a imagem de besta-fera, de porta-voz do apocalipse, Ronaldo Caiado pode ser visto como Caiadinho Paz e Amor e Wilder Morais como Wildinho Paz e Amor.

Enquanto Ronaldo Caiado e Wilder Morais se apresentem como “propositivos”, Kajuru fica com a imagem — negativa — do político que ataca e não tem propostas. Na política, aquele que fala demasiado do adversário, esquecendo de falar de si, acaba sendo esquecido, nas urnas, pelos eleitores.

Baseado não se sabe em quais pesquisas, Kajuru parece acreditar — ou está sendo levado a acreditar — que, quanto mais agressivo e, até, leviano (na verdade, como indivíduo, é sério e decente), mais perde eleitores. Se não voltar a ser aquele Kajuru que parecia mais maduro, dialogando com a sociedade de maneira aberta, poderá assistir, do camarote de Ronaldo Caiado e Wilder Morais, o crescimento de Vanderlan Cardoso, candidato a senador pelo PP.

A tendência é que, por sua história e até pelo sentimento de gratidão, Marconi Perillo seja o mais votado para senador. Portanto, a segunda vaga está sendo disputada por Lúcia Vânia, do PSB, Vanderlan Cardoso, Jorge Kajuru e Luis Cesar Bueno, do PT. Entretanto, ao se comportar como sargento eleitoral de Ronaldo Caiado — apresentando-se como “pistoleiro das palavras”, e não como candidato a senador —, Kajuru talvez comece a ser visto como “não-candidato”.

Se seu primeiro suplente, o empresário Benjamin Beze, inteligente e sensato, não conseguir aconselhá-lo, puxando-o para jogar o próprio jogo, Kajuru vai amargar uma derrota dolorosa (e com novos processos judiciais). Isto, vale sugerir, já aconteceu até com Iris Rezende, uma das maiores raposas políticas da história de Goiás. Em 2002, durante a campanha eleitoral, ninguém, nem mesmo o mais experimentado cientista político do país, diria que o ex-governador seria derrotado por Lúcia Vânia e Demóstenes Torres exatamente na disputa para senador. Homem de inteligência aguda e intuitiva, Kajuru certamente sabe que, às vezes, a História ilumina mais do que pesquisas circunstanciais…

(Euler de França Belém)