Ao conciliar com o PMDB, Marconi opera uma articulação nacional e uma articulação local

Se for para um projeto no país, o tucano quer evitar ou reduzir contenciosos locais, e, no plano local, podem estar pensando numa transição menos conturbada

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Ao se aproximar das oposições, tanto de Maguito Vilela quanto de Iris Rezende, ambos do PMDB, o governador de Goiás, Marconi Perillo, está operando em dois campos legítimos, em termos políticos, e racionais.

Primeiro, a redução do contencioso em Goiás o fortalece em nível nacional. É provável que PSDB e PMDB, se Lula da Silva for o candidato do PT a presidente — há quem acredite, inclusive na Polícia Federal, que será preso e, possivelmente, condenado pela Justiça, o que inviabilizaria sua postulação —, marcharão unidos na disputa presidencial de 2018. No caso, Marconi Perillo poderia figurar na chapa, como vice? É possível. Sem resistência (ou com menor resistência) do PMDB em Goiás, seria mais fácil deslanchar num projeto nacional.

Segundo, político arguto, que conhece história, o tucano-chefe, ao buscar uma conciliação com o PMDB — uma conciliação seria muito mais difícil com Ronaldo Caiado, do DEM, porque é mais intransigente, e não necessariamente no mau sentido —, estaria pensando na possibilidade de uma transição, a partir de 2018, com o PSDB fora do poder e o PMDB no poder? É possível.

Mas os leitores não devem se enganar a respeito de uma questão crucial: Marconi Perillo não entra de cabeça numa eleição para ficar em segundo lugar. Ele sempre entra para vencer. Portanto, vai jogar todas as suas fichas e história na campanha de José Eliton, do PSDB, em 2018. Se não certo, tudo bem, e pontes foram construídas para evitar, digamos, caça às bruxas. Mas o tucano-chefe vai jogar, e já está jogando, para ganhar. Vencedor, impôs cinco derrotas consecutivas ao PMDB, entre 1998 e 2014. Ele próprio ganhou quatro vezes, derrotando Iris Rezende, três vezes, e Maguito Vilela, uma vez.

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