Aliança entre Ronaldo Caiado e Daniel Vilela está praticamente fechada

Gustavo Mendanha tende a apoiar o projeto de Daniel Vilela e do MDB pra não ficar com a imagem de “traidor” e de defensor do recuo histórico de Goiás

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, do partido Democratas, e o presidente regional do MDB, ex-deputado federal Daniel Vilela, estão prestes a fechar um acordo político — numa aliança parecida com a de 2014, com posições, na chapa majoritária, invertidas. Na eleição daquele ano, Ronaldo Caiado disputou mandato de senador, sendo eleito, e apoiou Iris Rezende, do MDB, para governador.

Para 2022, o MDB irá para a chapa majoritária de Ronaldo Caiado. Falta definir se ocupará a vice ou se disputará a vaga de senador. Está praticamente decidido que Daniel Vilela vai ocupar uma vaga na chapa — na vice ou disputando o Senado. No caso de disputar o Senado, o presidente da Assembleia Legislativa de Goiás, Lissauer Vieira, tende a ser o candidato a vice. Seria, portanto, uma chapa renovada — com a participação de dois jovens, um (Daniel) com 37 anos e o outro (Lissauer) com 40 anos.

Ronaldo Caiado, governador de Goiás, e Daniel Vilela, presidente regional do MDB, em Aruanã | Foto: Divulgação

Há, claro, o descortino de Lissauer Vieira, que, para fortalecer a chapa majoritária, pode sair do páreo — abrindo espaço para a composição de Ronaldo Caiado com Daniel Vilela (que iria para a vice) e Henrique Meirelles (que iria para o Senado). Frise-se, porém, que o deputado estadual de Rio Verde é o postulante que, a rigor, tem mais apoio para ser vice. Mas ele tem dito que mais importante é montar uma grande estrutura para bancar a reeleição de Ronaldo Caiado. Noutras palavras, não é empecilho a uma aliança que inclua Ronaldo Caiado, Daniel Vilela e Henrique Meirelles. Sublinhe-se que, ao contrário de Daniel Vilela e Henrique Meirelles, Lissauer Vieira não tem um partido forte a alavancá-lo (o PSB é frágil em Goiás). Além do que Meirelles, se migrar para outra chapa, pode torná-la competitiva.

A incógnita é o prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha. Aos secretários, ele tem dito que quer disputar o governo de Goiás já em 2022, por isso tem visitado vários municípios para conversar com as lideranças partidárias. Tem falado em “timing”. Entretanto, aos mais íntimos, tem falado que teme ficar com a fama de “traidor”. Porque ele deve tudo, em termos políticos, a dois líderes emedebistas. Primeiro, a Daniel Vilela, que, em 2016, decidiu bancá-lo para prefeito, convencendo seu pai, Maguito Vilela, de que, naquele momento, Mendanha era o nome da renovação na cidade e o preferido das bases políticas locais. Maguito pretendia lançar Euler Morais, seu aliado histórico. Segundo, Maguito ouviu as bases, estabelecendo um diálogo franco com seus líderes, e lançou Mendanha para prefeito e articulou sua campanha — apresentando-o como sua continuidade. Ele estendeu a mão a Mendanha. Será que, em 2022, o prefeito não vai estender a mão a Daniel Vilela? Não há “gratidão” em política?

Maguito Vilela com seus dois herdeiros políticos: Gustavo Mendanha, prefeito de Aparecida de Goiânia, e Daniel Vilela, presidente do MDB | Foto: Reprodução

Portanto, Mendanha é uma “invenção” política tanto de Maguito Vilela quanto de Daniel Vilela. Não fossem os dois, estaria, neste momento, como vereador em Aparecida. Com a morte de Maguito Vilela, Mendanha percebeu uma oportunidade para atropelar Daniel Vilela?

Os que conhecem Mendanha garantem que não é bem assim. Afiançam que ele está se colocando para a disputa, mas, se Daniel Vilela firmar uma aliança com Ronaldo Caiado, com o objetivo de fortalecer o MDB, vai acabar por acompanhá-lo — deixando seu projeto estadual para mais adiante, afinal tem apenas 38 anos. Emedebistas dizem que o prefeito é um político “leal”, “do bem” e que, apesar do entusiasmo, não vai prejudicar o projeto do MDB e de Daniel Vilela. Projeto que, frise-se, também é bancado pelo ex-governador, ex-ministro, ex-senador e ex-prefeito de Goiânia Iris Rezende Machado.

Os emedebistas sustentam que, se optar por acompanhar o ex-governador Marconi Perillo — inclusive filiando-se ao PSDB —, para disputar o governo, passaria a campanha tendo de explicar duas coisas. Primeiro, a “traição” a Daniel Vilela e ao legado deixado por Maguito Vilela. Segundo, estará se aliando àquele político que, durante 20 anos, atuou como uma espécie de “algoz” do MDB e de suas lideranças, como Iris Rezende, Maguito Vilela e Léo Mendanha (pai de Gustavo Mendanha). “Tentar ‘ressuscitar’ o tucano Marconi Perillo é como ‘massacrar’ a história de Iris Rezende, Maguito Vilela, Léo Mendanha e, claro, do MDB. Por uma questão de lealdade e princípios, Gustavo certamente ficará ao lado de Daniel Vilela em 2022. Ele entenderá, aos poucos, que a tentativa de “recuar” a história, reerguendo aqueles que prejudicaram Goiás e o MDB, é uma forma de enterrar a própria carreira política”, afirma um emedebista histórico. “Gustavo é inteligente e certamente não vai entrar na canoa furada de Marconi Perillo e Sandro Mabel.”

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