Aliado de Hugo Chávez lavou 1 bilhão de dólares e vira delator nos Estados Unidos

O grupo do falecido presidente pode ser responsável por um rombo superior a 20 bilhões de dólares nos cofres públicos da Venezuela

Alejandro Andrade: aliado de Hugo Chavéz que operou esquema bilionário

Alejandro Andrade começou como guarda-costas de Hugo Chávez (1954-2013), que foi presidente da Venezuela, e chegou a chefe do Tesouro do governo e, depois, presidente do principal banco estatal do país, o Bandes. Preso nos Estados Unidos, decidiu fazer “delação premiada”. De cara, admitiu que lavou 1 bilhão de dólares para o esquema do presidente Hugo Chávez. Detalhe: está tudo documentado, inclusive porque alguns dos bens já foram descobertos.

O repórter Jamil Chade, de “O Estado de S. Paulo” (quinta-feira, 22), relata que “a Justiça dos Estados Unidos revelou a existência de um esquema ilegal de câmbio que movimentou subornos de mais de 1 bilhão de dólares na Venezuela. Para que o sistema funcionasse, a corrupção passou por Andrade, catapultado do posto de guarda-costas ao de chefe do Tesouro Nacional”.

Preso nos Estados Unidos, Alejandro Andrade devolveu aviões, cavalos (cerca de 500), relógios de luxo e propriedades. Com base em suas informações, a Justiça americana a abriu processo contra 20 diretores e ex-dirigentes da PDVSA, a poderosa empresa estatal da Venezuela. Os americanos avaliam que a delação do chavista levará ao conhecimento dos participantes e beneficiários do esquema corrupto.

Jamil Chade informa, a partir da leitura de documentos, que “o processo nos EUA revela dezenas de transferências de milhões de dólares entre o banco HSBC, na Suíça, bem como a aquisição de bens de luxo no mercado americano. Em março de 2013 foram transferidos da Suíça para os EUA cerca de 281 milhões de dólares para a compra de um barco. Naquele mesmo ano, foram gastos 1 milhão de dólares para instalar um sistema de segurança na residência de Andrade”.

O governo de Chávez colocou o HSBC, em 2005, como gestor do Tesouro da Venezuela. Calcula-se que as “contas possam ter acumulado 14 bilhões de dólares”.

Quando era chefe do Tesouro Nacional, Alejandro Andrade foi alvo de críticas contundentes. “A oposição o acusava de negociar com empresários o acesso ao mercado de câmbio, em troca de propinas milionárias. Ainda em 2008, Andrade foi denunciado por ter montado o esquema financeiro com a compra de papéis da dívida de países como Bolívia e Argentina. Ainda em 2009, agências reguladoras americanas passaram a investigar as transações financeiras do Tesouro venezuelano”, relata o “Estadão”.

Calcula-se que o esquema de aliados de Hugo Chávez tenha custado no mínimo 20 bilhões de dólares ao governo da Venezuela. O país foi saqueado. Para ter apoio popular, e esconder as falcatruas, o chavismo criou programas sociais que, a curto prazo, se tornaram o que se convencionou denominar, de maneira deselegante, de “currais eleitorais”.

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Arthur de Lucca

Caramba!
De “guarda-costas” a Chefe do Tesouro do Governo da Venezuela?
Bom…não podemos ficar admirados porque o “presidiário” “enquanto” presidente aqui na republiqueta bananeira por um triz não nomeou o Vaccari presidiário para presidente da CAIXA.
Na escolha, acabou ficando a “viúva” do Celso Daniel.
Que espetaculo!.