Agilidade na reação de Bolsonaro à tragédia em Minas Gerais indica que ele passou a dar mais ouvidos à sua assessoria

Presidente criou gabinete de crise e enviou ministros imediatamente, além de ter sobrevoado a área do desastre ambiental menos de 24 horas depois do acidente

Presidente sobrevoa área do rompimento da barragem em Brumadinho, na manhã seguinte ao desastre | Foto: Presidência da República

A lenta e inexplicável reação da ex-presidente Dilma Rousseff à tragédia do rompimento da barragem em Mariana (MG), em 2015, parece ter servido de lição ao presidente Jair Bolsonaro e sua equipe.

Na época, a então presidente levou seis dias para tomar a decisão de criar um comitê de crise para avaliar a situação, já considerada de imediato o maior desastre ambiental na história do país. Somente no dia seguinte a essa decisão, uma semana depois do rompimento da barragem, é que Dilma entrou em um helicóptero para sobrevoar a área.

E é provável que ela só tenha decidido tomar essas providências por conta da enxurrada (sem trocadilho) de reclamações que apareceram na redes sociais.

A agilidade na reação de Bolsonaro ao rompimento da barragem em Brumadinho (MG), na sexta-feira, 25, chegou a ser surpreendente: além de designar a criação de um gabinete de crise, determinou a ida de três ministros ao local (Meio Ambiente, Desenvolvimento Regional e Minas e Energia). E mais ainda: menos de 24 horas após o acidente, ainda na manhã do sábado, o próprio presidente já estava sobrevoando a área.

Ele está acossado pelo noticiário negativo envolvendo o filho Flávio Bolsonaro, senador eleito pelo PSL do Rio de Janeiro. Flávio é alvo de inquérito de improbidade administrativa por conta de movimentações financeiras atípicas de ex-assessores de seu gabinete na Assembleia Legislativa fluminense.

Surgiram ainda outras informações negativas, ligando a atuação parlamentar dos Bolsonaro a acusados de integrar um esquema de milícias no Rio, inclusive com a indicação de parentes desses suspeitos no mesmo gabinete de Flávio.

Evidente, portanto, que a assessoria de Jair Bolsonaro estava desesperada por uma agenda positiva capaz de afastá-lo dessa lama. Sinal de que entendeu que não é suficiente apenas ficar dizendo nas redes sociais que é preciso resolver isso que tá aí.

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Tereza Gonçalves

Impressionante como não perdem tempo . Chamar o pronto atendimento e preocupação com pessoas de agenda positiva, beira o limite da insanidade.