Prefeito de Catalão reúne um grupo, conta que vai mudar de rumo político e faz duros ataques a policiais e delegado da Polícia Civil

O presidente Costa e Silva, quando da aprovação do AI-5, ouviu seus ministros e todos aprovaram as novas regras ditatoriais — uma espécie de golpe dentro do golpe, tornando-o mais autoritário, quase totalitário. O coronel Jarbas Passarinho e o economista Delfim Netto aprovaram a medida discricionária com louvor. Mas uma voz sensata levantou-se, ante o barulho dos coturnos e o silêncio dos sapatos civis, e disse ao general-presidente que, com o novo ato, o perigo não era o general, ou os generais, e sim o guarda da esquina. Pedro Aleixo, a voz civil, era o vice-presidente da República — o que, na época, era sinônimo de nada.

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Antes da ditadura de 1964, Goiás viveu uma ditadura com eleições, na República Velha. Os coronéis mandavam e desmandavam, perseguindo de maneira implacável os seus adversários, que eram tratados como inimigos — e não como adversários. A partir de 1985, a democracia “mudou-se”, mais uma vez, para o Brasil — espera-se que para ficar, para ser eterna. As instituições estão funcionando e a democracia, portanto, é sólida. Mas há pedras no meio do caminho. Recentemente, um grupo de funcionários comissionados da Prefeitura de Catalão tentou explodir a casa do radialista Ricardo Nogueira — deixando-o ferido, assim com sua mulher. Dois foram presos pela polícia.

Entretanto, no lugar de louvar a ação dos policiais e do delegado da Polícia Civil, o prefeito de Catalão, Adib Elias, reuniu uma turma e fez um discurso virulento. O emedebista disse que está mudando de “rumo político” — vai apoiar Ronaldo Caiado para governador e deve trocar o MDB pelo DEM do senador — e atacou, com extrema ferocidade, os policiais e o delegado de Catalão. A sua fala parece conter uma ameaça, quando diz que, a partir de janeiro de 2019, tudo será diferente em Goiás. Chegou a frisar que dará o destino que “eles” — policiais — “merecem”. Noutras palavras, Adib Elias parece que está repetindo a linguagem dos tempos coronelísticos: “Aos amigos, tudo; aos inimigos, a lei”. Ou a perseguição. Delegados serão “demitidos” ou “transferidos” — à revelia da lei.

Ministério Público e associações de policiais

Até agora não se ouviu nenhuma manifestação das associações de policiais e delegados e do Ministério Público. Há indícios de crime nas palavras do prefeito Adib Elias? Tudo indica que sim, e é lamentável, sobretudo porque o emedebista tem uma história positiva em defesa da liberdade.

Para que o leitor não tenha dúvida do que Adib Elias falou, publicamente, confira o vídeo: