Ação de Ronaldo Caiado atrai Assembleia de Deus e Igreja Universal e isola João Campos

O deputado federal afirma que será candidato a senador na chapa de Mendanha, mas não consegue conquistar o apoio do Republicanos e de vários evangélicos

Rogério Cruz e Ronaldo Caiado: aliados políticos | Foto: Reprodução

A política é guerra feita com palavras e ações. É verbo e é substantivo. Às vezes, o adjetivo “entra” para adoçar ou azedar as relações. E há dois (ou mais) tipos de políticos: os que agem e os que reagem.

Quando buscou Daniel Vilela para ser seu vice, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, agiu. Trouxe, com bastante antecipação, um adversário para seu lado. O pré-candidato a governador pelo Patriota, Gustavo Mendanha, poderia ser um nome mais forte se contasse com o apoio do presidente do MDB e, claro, com o partido (que significa tempo de televisão e fundo eleitoral).

Manuel Ferreira, bispo da Assembleia de Deus, e Ronaldo Caiado, governador de Goiás | Foto: Reprodução

Porém, mostrando uma inteligência política fina, Ronaldo Caiado trouxe Daniel Vilela para seu lado — o que permitiu o “isolamento” de Mendanha.

Observe-se que, definido como pré-candidato a governador, Mendanha teve de buscar um partido-ong, o Patriota, para se filiar. E mais: a quatro meses das eleições, com as convenções se aproximando, o ex-prefeito de Aparecida de Goiânia não conseguiu indicar nem seu candidato a vice nem seu candidato a senador. O que mostra, para dizer o mínimo, seu processo de esvaziamento político.

João Campos e Gustavo Mendanha: chega (se chegar) sozinho, com as “mãos abanando” | Foto: Reprodução

Outra jogada de mestre de Ronaldo Caiado deu-se na semana passada, sem que a imprensa a examinasse com a devida atenção, talvez por não querer perceber a força das correntes evangélicas na política patropi.

Mendanha, com o apoio do empresário Sandro Mabel, opera, desde algum tempo, para conquistar o deputado federal João Campos para disputar mandato de senador na sua chapa. O parlamentar é um político sério e tem representatividade no meio evangélico.

Ronaldo Caiado poderia ter ficado assistindo, de camarote, a jogada de Mendanha e João Campos. Porém, se tivesse ficado parado, seria tudo — menos o político perspicaz e proativo que é.

Jefferson Rodrigues: firme com Ronaldo Caiado | Foto: Divulgação

No exato momento em que Mendanha espalhava que João Campos iria anunciar apoio à sua candidatura a governador, Ronaldo Caiado, no lugar de apenas reagir, agiu forte e racionalmente.

O encontro de Ronaldo Caiado com o presidente das Assembleias de Deus no Brasil, bispo Manuel Ferreira, e com mais de 100 pastores da Igreja Assembleia de Deus, em Goiânia, demonstrou que a força política do governador é impressionante. Há um detalhe a notar: Manuel Ferreira, ao elogiá-lo como um político e gestor honesto e eficiente, esclareceu que a admiração é antiga, ou seja, não tem a ver apenas com o fato de o líder do União Brasil ser governador e, portanto, ter poder. A admiração, frisou o respeitável bispo, tem a ver com a história positiva do político goiano.

Rafael Gouveia: firme com Ronaldo Caiado| Foto: Reprodução

Como se sabe, João Campos é um membro respeitável da Igreja Assembleia de Deus. Mas a ida do bispo Manuel Ferreira e dos mais de 100 pastores da igreja ao Palácio das Esmeraldas mostra um apoio decidido à reeleição de Ronaldo Caiado. Mesmo que palavras não tenham sido ditas, com o máximo de clareza, o recado é preciso: a Assembleia de Deus (no todo, ou parte dela) aprecia João Campos, mas, em termos de eleições estaduais, está fazendo uma opção por Ronaldo Caiado. Não se está dizendo que todos os membros da Assembleia de Deus apoiarão o governador em 2 de outubro deste ano, e sim que uma força significativa, poderosa, estará com ele. O motivo é que há identidade, inclusive ideológica, entre os líderes da Assembleia de Deus e Ronaldo Caiado.

Há mais a dizer: o partido Republicanos é ligado à Igreja Universal do Reino de Deus, uma das mais influentes do país. João Campos é presidente do Republicanos em Goiás e, como tal, tem ligação, direta ou diretamente, como a Igreja Universal.

Rodney Miranda: pró-Caiado| Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Entretanto, ao anunciar que poderá compor com Mendanha — e, na verdade, o ex-prefeito é um plano “B”, pois o deputado quer compor é com Ronaldo Caiado —, João Campos, no lugar de se mostrar forte, revelou toda a sua fragilidade política.

A Igreja Universal, representada na política pelo prefeito de Goiânia, Rogério Cruz, e pelo deputado Jefferson Rodrigues, mostrou-se decidida: vai apoiar a reeleição de Ronaldo Caiado. Se quiser ir para os braços de Mendanha, o Republicanos não vai colocar empecilho (João Campos estaria dizendo que o presidente nacional do partido, Marcos Pereira, fortemente ligado à Universal, vem a Goiás para apoiar sua aliança com Mendanha), mas não o acompanhará. Rogério Cruz (Igreja Universal), Jefferson Rodrigues (Igreja Universal), Rafael Gouveia (Assembleia de Deus) e Rodney Miranda — os três últimos pré-candidatos a deputado federal — tomaram uma decisão: não acompanharão João Campos na sua possível aventura mendanhista, pois ficarão com Ronaldo Caiado.

José Antônio: fiel escudeiro de João Campos| Foto: Reprodução

O que João Campos levará para Mendanha, se realmente for acompanhá-lo? O seu nome, que é respeitável, e o tempo de televisão do Republicanos (que é bom). Mas o Fundo Eleitoral ficará basicamente para os candidatos a deputado federal e estadual do partido.

Talvez por ter um projeto pessoal, portanto não partidário — não está pensando nos candidatos a deputado do partido —, João Campos não percebe que está só, solamente só. Ou melhor, será acompanhado pelo fiel escudeiro Zé Antônio, ex-prefeito de Itumbiara, e mais alguns aliados.

Ronaldo Caiado, pelo contrário, opera uma aliança encorpada e em expansão. Seu segredo é se manter atento aos fatos, procurando determiná-los, e não ser levado por eles. Entre agir e reagir, o governador fica com a ação. Por isso figura em primeiro lugar em todas as pesquisas de intenção de voto.

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