Morre Paulo Vilar, político que liderou o PCB em Goiás

Preso pela ditadura, Paulo Vilar foi vereador em Goiânia e candidato a governador pelo Partido Comunista Brasileira

Paulo Winicius Teixeira de Paula

O amigo Paulo Vilar morreu no domingo, 12. Paulo foi secretario-político do Partido Comunista Brasileiro (PCB), o Partidão, em Goiás do final dos anos 70 até o início dos 90.

Está sendo velado na sala 4 do Jardim das Palmeiras será enterrado às 10h de segunda, 13.

Nos anos 70 Paulo ficou muito tempo preso pela ditadura militar por conta de sua militância. Foi o primeiro vereador eleito pelo PCB em Goiânia após a queda da ditadura, e também candidato a governador pelo PCB. Além de sua trajetória e dos anos que dedicou às lutas sociais, fica marcado em mim o sujeito que fez ser possível eu terminar minha pesquisa do mestrado.

Jamais esquecerei da generosidade com que me recebeu em sua casa, abriu seus arquivos, dos cafés, dos almoços, ao lado de sua companheira. Eu ouvia Paulo por horas e horas, e ele com toda paciência me contava detalhes das lutas contra a ditadura e da reorganização do PCB em Goiás. Com muito orgulho me mostrava as fotos ao lado de Geraldo Tibúrcio e Gregório Bezerra [líder comunista de Pernambucano, brutalmente torturado pela ditadura]. Na última vez que o visitei levei de presente o livro “O Alfaiate de Ulm”, a biografia de Lucio Magri, antigo dirigente do Partido Comunista Italiano; não deu tempo de saber o q ele achou do livro.

Paulo Vilar era torcedor do Goiânia, gostava de ópera, tinha uma imensa quantidade de discos, que uma vez passamos horas olhando um por um. Paulo estava sempre rodeado de uma família encantadora, de pessoas gentis e acolhedoras. Paulo desde quando era vereador sonhava em ver o Monumento aos Trabalhadores reconstruído lá na Praça do Trabalhador (a ditadura derrubou o que lá havia). O sonho de Paulo está por se realizar, há um grupo lutando por essa obra.

Poxa, grande Paulo, por que não fui te visitar antes? Como vinha planejando desde o fim do ano passado…. E nossos cafés, aquelas fotos antigas que iriamos descobrir o nome de quem estava nelas, e suas histórias, e nossas saudáveis divergências? Ah, como queria te ouvir mais. Toda força e conforto para sua família, em especial sua esposa, seus filhos, netos, à Mariângela Vilar. Meus agradecimentos a vocês estão na dedicatória da minha dissertação, estarão no meu livro e você sempre na minha memória, com muito carinho e respeito.

Paulo Winicius Teixeira de Paula é mestre em História.

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