A hora da lealdade: o Gustavo Mendanha de 2026 é o mesmo de 2022?
29 agosto 2026 às 21h00

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O prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela, havia decidido: o candidato à sua sucessão, depois de dois mandatos bem-sucedidos, seria o ex-deputado federal Euler Morais, doutor em Economia pela Universidade de Lancaster, na Inglaterra. Era uma aposta altamente qualificada.
Mesmo tendo apreço por Euler Morais, que considera praticamente como um parente, Daniel Vilela sugeriu ao pai que era hora de renovar e atender o clamor de um grupo de vereadores. Por isso, decidiu bancar o vereador Gustavo Mendanha. Até ali, ele era um político anódino, cujo pai, Léo Mendanha, havia sido deputado estadual e era um histórico do MDB.

Com o apoio de Maguito Vilela, Daniel Vilela e Euler Morais, entre outros, Gustavo Mendanha foi eleito prefeito. Seguindo as pegadas de Maguito Vilela, foi reeleito. E, sim, foi um prefeito tão eficiente quanto midiático.
Em 2022, o governador Ronaldo Caiado, hoje no PSD, convidou Daniel Vilela para ser o seu vice. O presidente do MDB aceitou.
Daniel Vilela esperava que Gustavo Mendanha, prefeito de Aparecida de Goiânia, iria apoiá-lo. Por gratidão e lealdade ao Vilela, Daniel, que o havia bancado em sua primeira eleição para prefeito.
O termo “traidor” é forte demais para qualificar Gustavo Mendanha. Mas ele está sendo leal com Ronaldo Caiado, Daniel Vilela e Gracinha Caiado, ou seja, com aqueles que, mesmo depois de 2022, voltaram a acreditar na sua lealdade?
Porém, picado pela mosca azul, Gustavo Mendanha disse um rotundo “não” a Daniel Vilela e teria sugerido que seria candidato a governador para derrotá-lo.
Gustavo Mendanha deixou a prefeitura e disputou o governo do Estado. Perdeu no primeiro turno para Ronaldo Caiado.
Passada a eleição, sem espaço político, retornou à base governista, inclusive sendo nomeado para uma diretoria da Celg por Ronaldo Caiado.

Há um dito popular que diz que quem “trai” uma vez acostuma-se e, por isso, trai uma segunda vez.
Em 2026, Gustavo Mendanha planejava ser vice de Daniel Vilela. Não deu certo. Os evangélicos indicaram o ex-senador Luiz Carlos do Carmo para vice.
Então, de repente, Gustavo Mendanha deu um cavalo de pau e decidiu ser candidato a senador pelo PRD. É um direito dele.
Desespero por causa da pesquisa Quaest
Como a pesquisa Quaest apurou que está atrás de Gracinha Caiado, Gustavo Gayer, Zacharias Calil e Vanderlan Cardoso, o jovem Gustavo Mendanha desesperou-se. Ele começou a atacar exatamente Gracinha Caiado, que lidera em todas as pesquisas de intenção de voto.
Noutras palavras, Gustavo Mendanha não está sendo correto com aqueles que lhe estenderam a mão, ou seja, com Ronaldo Caiado e Daniel Vilela.
Repetindo: Gustavo Mendanha tem o direito de ser candidato a senador — vive-se numa democracia plena —, mas é justo atacar aqueles que lhe foram leais, acolhendo-o mais uma vez, apesar do que aconteceu em 2022?
O termo “traidor” é forte demais para qualificar Gustavo Mendanha. Mas ele está sendo leal com Ronaldo Caiado, Daniel Vilela e Gracinha Caiado, ou seja, com aqueles que, mesmo depois de 2022, voltaram a acreditar na sua lealdade? (E.F.B.)


