5G na versão do chefe chinês no Brasil

Sun Baocheng, CEO da Huawei, corrobora a prioridade do governador Ronaldo Caiado e elenca motivos na hora de Bolsonaro escolher a tecnologia

Nilson Gomes

A ida do governador Ronaldo Caiado a Rio Verde com executivos da Huawei, no início do mês passado, antecipou que Goiás prioriza as novas tecnologias. Na edição da revista “Veja” com data de 23 de setembro, o CEO da companhia chinesa no Brasil, Sun Baocheng, lista as razões para escolha do presidente Jair Bolsonaro e, em virtude delas, explica o “furo de reportagem” com quase dois meses de antecedência pelo governante goiano.

Sun Baocheng é o CEO da companhia chinesa no Brasil

O chief executive officer (CEO ou, em bom Português, o presidente, o diretor-geral, enfim, o maioral) da empresa asiática desmente que dispute com os Estados Unidos pelo mercado trilionário já aberto:

“Em se tratando de 5G, não existe concorrência da Huawei com nenhuma empresa americana”.

É verdade. Seus adversários, como ele mesmo lembra, estão na Europa, os suecos da Ericsson e os finlandeses da Nokia.

Boacheng propagandeia que sua corporação é a “única do mundo capaz de oferecer às operadoras globais todas as soluções de ponta a ponta de uma rede 5G”.

Tamanho alcance demandou 85 bilhões de dólares para chegar a 170 países:

“Nossa presença global faz com que nosso produto ganhe escala e possa também ser mais barato”.

O chefão responde à campanha, bem popular em Goiás, que vê olho grande no tigre chinês:

“A Huawei é uma empresa 100% privada e todas as nossas informações estão abertas ao público. Não existe nenhuma lei chinesa que obrigue uma companhia operada fora da China a prestar informações e dados ao governo chinês”.

Se há um país envolvido em espionagem, alerta o executivo, são os Estados Unidos, como no escândalo Edward Snowden, que jogou software no ventilador ao denunciar que sua nação bisbilhotava apenas o mundo inteiro.

O Reino Unido cedeu à pressão americana e baniu da ilha a modernização chinesa. Aqui, o embaixador dos EUA ameaçou travar investimentos e incentivou a fuga de empresas conterrâneas suas se o Brasil optar pelo 5G chinês.

Entre roubos e arroubos, Tio Sam dando cartonadas nas lanternas de Pequim, mas o planeta não questiona a qualidade da produção da Huawei. Daí o esforço de Caiado para convencer a empresa a começar por Goiás a implantação da tecnologia e por Rio Verde a experiência goiana.

Baocheng assegura a qualidade do 5G chinês, que seria “melhor que das empresas americanas”.

Ao contrário do estadual, o governo federal permanece atrasadíssimo para definir o modelo que vai a leilão no Brasil. Deveria estar implantando quinta geração da Internet desde 2019, adiou para este ano, usou a pandemia de coronavírus para postergar a 2021 e já há ministro prevendo para 2022. Enquanto isso, outras nações usufruem da inovação.

Veja perguntou a Baocheng:

O que a tecnologia 5G muda na vida das pessoas?

“As redes de 5G aumentam a eficiência das indústrias e trazem a vida digital para a sociedade. Uma pessoa que assiste a uma partida de futebol em 5G pode viver a sensação de estar dentro de um estádio. O uso do 5G nas indústrias é muito significativo”.

O maioral da Huawei conta ainda sobre os ganhos do campo com o 5G:

“Na Suíça, drones automáticos já são usados no monitoramento de plantações. Também é possível aumentar a eficiência de fertilização, irrigação e temperatura de lavouras, maximizando a produção agrícola”.

Em resumo: a quarta revolução industrial. “Só” isso.

E a gente vibrando “só” porque vai poder jogar mais facilmente, baixar vídeos com velocidade 100 vezes maior e eliminar ou ao menos reduzir um músculo do custo Brasil: entre Uruguai e Suriname, dois confrontantes nossos com 5G, há um país continental onde apenas 40% das famílias têm acesso a banda larga. Baocheng se derrete para a novidade: “Com o 5G, podemos ter uma cobertura muito rápida para trazer maior conectividade a toda a população do Brasil”.

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