5 mosqueteiros que devem fazer oposição cerrada a Caiado entre 2019 e 2022

Jorge Kajuru, Delegado Waldir, José Nelto, Major Araújo e Cláudio Meirelles são as línguas mais afiadas da política de Goiás

Os primeiros meses de um governador, sobretudo quando faz uma gestão positiva e sem contenciosos, são ricos em salamaleques. Neste momento, vários políticos, mesmo insatisfeitos, estão aguardando o momento de se posicionar com mais firmeza. Mas a língua está coçando para a arte de “detonar” o governo de Ronaldo Caiado (DEM).

Jorge Kajuru, senador, e Ronaldo Caiado, governador: sorrisos e amizade à parte, os dois vão se chocar, em algum momento, devido a uma disputa eleitoral | Fotos: Jornal Opção

O senador Jorge Kajuru (PSB) afirma que vai “ajudar” o governo de Ronaldo Caiado e até conversou com o todo-poderoso ministro da Economia, Paulo Guedes — espécie de primeiro-ministro no Parlamentarismo em que está se tornando o governo de Jair Bolsonaro —, para ajudar o gestor goiano a pagar o salário de dezembro (atrasado há três meses) o mais cedo possível, e sem parcelamento. Por falta de experiência, em termos institucionais e até falta de informação, Kajuru não sabe que um ministro não pode “arrancar” dinheiro do Erário e sair distribuindo para governadores. Por uma questão de educação e respeito a um senador, Paulo Guedes disse que vai atendê-lo, e vai mesmo, mas não na pressa exigida pelo governo de Goiás.

Amigo de Ronaldo Caiado, há vários anos, Kajuru não quer fazer oposição direta ao seu governo. Mas já começa a fazer críticas, como sugerir que precisa olhar para frente — no lugar de ficar perdendo tempo com Marconi Perillo e José Eliton, que “devem ficar por conta do Ministério Público e da Justiça” — e pagar logo o salário de dezembro. Por enquanto, Kajuru está preocupado em se apresentar como um senador eficiente, que faz as coisas para a sociedade, e não se envolve em escândalos, mas, como tem projetos maiores — como a disputa do governo de Goiás —, vai chegar o momento em que terá de se confrontar com Ronaldo Caiado. O senador sabe bater, bate doído e, sobretudo, suas críticas reverberam em todo o país, devido às suas redes sociais bem azeitadas. A realidade é incontornável.

Waldir Soares, deputado federal, não é fisiológico, mas está sendo tratado como um político de segunda categoria pelo caiadismo | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

O deputado federal Delegado Waldir Soares está se consagrando em Brasília por ser um político posicionado. Como líder do PSL na Câmara dos Deputados, está se mostrando firme, e não deixa de fazer, quando necessário, críticas ao governo. É um parlamentar que assume posições, jamais fica em cima do muro. Paralelamente, articula em todo o Estado em busca de candidatos a prefeito para formatar uma base política para voos mais altos em 2022 — quando deve postular o governo ou uma vaga no Senado. No momento, não é um crítico corrosivo do governo de Ronaldo Caiado. Ele mantém certa cautela, mas diz publicamente que, apesar de ter apoiado o governador desde o início da campanha, o PSL não foi, até agora, contemplado pelo governo. Caiadistas dizem que Ronaldo Caiado, como gestor, não aceita pressões nem fisiologismo. Frise-se que, diferentemente de outros políticos, Delegado Waldir não é fisiológico. Quer o PSL no governo, de fato, mas não para fazer bandalheiras. Trata-se de um político decente. Sem perceber, em tese, Ronaldo Caiado o empurra, a passos largos, para a oposição. Em 2022, se não houve uma mudança de conduta por parte do governador, dificilmente o deputado subirá no seu palanque. Detalhe: ele, quando quer e é necessário, é um crítico corrosivo.

Major Araújo, deputado estadual: político de posições firmes e contundentes, não vai dobrar sua coerência para agradar Ronaldo Caiado | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Major Araújo (que vai se filiar ao PSL) começou apoiando Ronaldo Caiado e hoje, na Assembleia Legislativa, está se tornando um dos críticos mais contundentes do governador Ronaldo Caiado. O deputado estadual está dizendo, com todas as letras, que o gestor do DEM está repetindo a velha política, e logo no início do governo. “Marconi Perillo ficou 20 anos no poder. Ronaldo está no poder há três meses e já está repetindo o que o outro fazia.” O toma-lá-dá-cá já começou na Assembleia — com cargo sendo distribuído até para a mãe de um deputado.

José Nelto, deputado federal, garante que o Podemos não indicou uma viv’alma para participar do governo de Ronaldo Caiado | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

O deputado federal José Nelto, do Podemos, afirma que o governo de Ronaldo Caiado merece nota 5. Quer dizer, aprova-o com a nota mais baixa possível. “O Podemos não participa do governo de Caiado e não é convidado para discutir nada, apesar de ter trabalhado, com afinco, na sua campanha.” Assim como Kajuru, Waldir e Major Araújo, o deputado sabe bater duro, e, no momento certo, vai fustigar o governo.

Cláudio Meirelles, deputado estadual, diz que não sabe por qual motivo foi abandonado pelo governador Ronaldo Caiado | Foto: Marcos Kennedy

Há um quinto mosqueteiro, também de língua viperina. Trata-se do deputado estadual Cláudio Meirelles. Ele está insatisfeitíssimo com o Ronaldo Caiado. Como os demais políticos, sabe bater e está articulando com a oposição na Assembleia Legislativa.

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