Se os três senadores se dividirem, saindo candidatos a governador, poderão jogar o governo no colo de Ibaneis Rocha ou de Flávia Arruda

Há um consenso em Brasília: o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), dado o desgaste de uma gestão pouco operacional — há inclusive denúncias de corrupção, que até agora não atingem diretamente o gestor principal —, tem escassas chances de reeleição.

Izalci Lucas e Leila Barros: a chapa dos sonhos… do tucano| Foto: Senado

Como sua caneta — a que demite, contrata e fecha negócios — ainda tem tinta, os aliados, ainda que recalcitrantes, não o criticam publicamente. Nos bastidores, pelo contrário, as críticas são cada vez mais frequentes. A rigor, se não todos, vários aliados querem se livrar de Ibaneis Rocha.

José Roberto Arruda, ás da política de Brasília, e Flávia Arruda (PL), políticos hábeis, nada dizem publicamente. Mas, nos bastidores, conversam, em profundidade, a respeito da sucessão de Ibaneis Rocha. Ainda não o consideram carta fora do baralho, mas discutem alternativas — inclusive uma composição com o ex-senador e empresário Paulo Octavio (PSD).

José Antônio Reguffe: senador pelo Distrito Federal | Foto: Agência Senado

Uma chapa considerada ideal é Flávia Arruda para governadora e Paulo Octávio para senador. Trata-se de uma articulação, mas ainda não fechada.

O arrudismo aposta que o principal adversário de Flávia Arruda, na disputa para o governo, sairá do trio José Antônio Reguffe (Podemos), Leila Barros (Cidadania) e Izalci Lucas. Os três são senadores. Os aliados da deputada-ministra avaliam que só um deles sairá candidato e apostam mais em Izalci Lucas.

Flávia Arruda: articulando com Paulo Octávio| Foto: Câmara dos Deputados

A aposta é que os três mosqueteiros não estarão numa única chapa. Se depender de Izalci Lucas, a chapa teria ele para governador, Leila Barros na vice e Reguffe para senador. Mas por que Leila Barros deixaria de senadora para ser vice — um cargo que, a rigor, é decorativo?

Leila Barros pode sair do páreo para apoiar Izalci Lucas? Até pode. Mas por que deixaria de disputar se, nas pesquisas de intenção de voto, aparece na frente do senador tucano?

Ibaneis Rocha: desgaste aparentemente incontornável| Foto: Divulgação

Reguffe tem sugerido que vai disputar o governo. Mas há quem postule que está jogando para o governo com o objetivo de conquistar apoio para a reeleição.

O certo é que, juntos, os três mosqueteiros talvez sejam imbatíveis, mesmo disputando com uma política profissional do arrudismo, Flávia Arruda.

Porém, se forem para o pleito divididos, terão de cotizar para comprar o vestido ou o terninho da posse de Flávia Arruda. Pois a derrota, possível, será uma “ode” à falta de visão política.