3 chapas que a intelligentsia caiadista imagina para deputado federal em 2022

O objetivo do governismo é eleger de 12 a 14 deputados federais. O que reduzia a oposição a três parlamentares, no máximo

É possível sugerir que há uma intelligentsia política ao lado do governador de Goiás, Ronaldo Caiado. O principal artífice é exatamente o líder do partido Democratas. Ele opera, com rara habilidade, a remontagem da estrutura que o elegeu em 2018, para torná-la mais forte, e até imbatível, para a disputa da reeleição em 2022. Para tanto, está tentando atrair o MDB de Daniel Vilela e deve contar com o apoio do PSD do ex-deputado federal Vilmar Rocha, do senador Vanderlan Cardoso, do deputado federal Francisco Júnior e do ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles.

Francisco Júnior: deputado federal / Foto: PSD na Câmara

Ao mesmo tempo que busca encorpar a aliança para a disputa da reeleição — com o objetivo de “isolar” o PSDB do ex-governador Marconi Perillo (que, no fundo, deve ser candidato a governador, apesar da cortina de fumaça de que irá a deputado federal) —, a intelligentsia governista opera no sentido de construir pelo menos três chapas fortes para deputado federal. Pode ser quatro, mas trabalha-se, no momento, para que sejam três.

Com o fim das coligações partidárias proporcionais — para deputado federal e deputado estadual —, os partidos, mesmo os de médio porte, terão dificuldade para eleger seus candidatos. Veja-se dois casos, o do PSD e o do Republicanos.

João Campos: deputado federal pelo Republicanos | Foto: Divulgação

A um ano e sete meses das eleições, o PSD só tem um candidato, o deputado federal Francisco Júnior. Se não contar com pelo menos mais quatro candidatos consistentes, o parlamentar corre o risco de não ser reeleito. Neste momento, opera-se a atração de nomes consistentes, como o do secretário da Indústria e Comércio, José Vitti, e o do presidente da Assembleia Legislativa, Lissauer Vieira (PSB). Frise-se que os dois se filiarão unicamente se o partido apoiar a reeleição de Ronaldo Caiado. Noutras palavras, o governador pode ser a “salvação” eleitoral do PSD. O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, “adora” o presidente do partido em Goiás, Vilmar Rocha. São hermanos. Mas, como político pragmático, quer duas coisas: senadores e deputados federais em Brasília. Por isso aprovou, recentemente, a filiação do ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles ao partido.

José Nelto: deputado federal pelo Podemos | Foto: Câmara dos Deputados

O Republicanos, que se tornou forte por ter o prefeito de Goiânia, Rogério Cruz, está com um problema. O deputado federal João Campos planeja disputar mandato de senador e seria substituído, na disputa para a Câmara dos Deputados, pelo pastor e deputado estadual Jefferson Rodrigues. É um nome forte (a máquina da Igreja Universal o banca), mas não tem a mínima possibilidade de ser eleito se a chapa não for consistente. Para eleger um parlamentar federal é preciso de, no mínimo, 160 mil votos. João Campos obteve 106 mil votos em 2018 e foi eleito pela coligação partidária.

O que sugere a intelligentsia de Ronaldo Caiado? Que o grupo governista invista basicamente em três chapas — com o objetivo de eleger pelo menos 12 ou 14 dos 17 deputados federais. Candidatos consistentes seriam agasalhados nas três chapas. O deputado federal José Nelto, por exemplo, poderia ir para o MDB, para o Republicanos ou para o Democratas.

Uma chapa seria do Democratas, uma chapa do PSD e uma chapa do Republicanos. Pode-se ter uma quarta, “associada” ao MDB (se o partido optar por participar da base político-eleitoral do governador Ronaldo Caiado).

Como seria a montagem da engenharia política? Os candidatos mais competitivos seriam reunidos nos três — ou quarto — partidos. Os demais partidos ficariam esvaziados e, possivelmente, teriam extrema dificuldade para eleger ao menos um deputado federal.

O que se disse acima ainda não está “fechado”, mas é um caminho possível, e que já está sendo discutindo pelos cérebros da intelligentsia do grupo caiadista — que inclui experts em política regional. A começar do próprio governador.

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