Helio de Sousa já definiu que vai tentar uma vaga na Câmara dos Deputados. O pastor Jefferson Rodrigues sonha com uma mudança para Brasília

Ao menos 12 deputados estaduais têm condições — estruturas — para disputar mandato de deputado federal em 2022. Não significa, necessariamente, que serão candidatos a uma vaga na Câmara dos Deputados. O que se está dizendo é que já têm condições de disputar mandato para tentar uma “mudança” para Brasília. A maioria dos 12 listados — arrolados por ordem alfabética — talvez faça opção pela reeleição. Porque é uma disputa menos difícil, sobretudo se o fim das coligações partidárias for mantido.

O deputado Helio de Sousa, nome forte do Vale do São Patrício e bancado pelos poderosos Otavinho Lage e Jalles Fontoura, disse ao Jornal Opção que será candidato a deputado federal.

O pastor Jefferson Rodrigues, do Republicanos, planeja disputar mandato de deputado federal. Mas seu projeto depende do projeto do deputado federal João Campos, que pretende ser candidato a senador, mas, se não conquistar espaço numa chapa majoritária, refluirá e será candidato à reeleição. Há outra possibilidade: sem coligações proporcionais, João Campos vai precisar de uma chapa forte exclusivamente do Republicanos. Por isso Jefferson Rodrigues pode ser convocado para a disputa — e pelo próprio João Campos.

O deputado estadual Antônio Gomide, que não está “contente” com o PT, não estaria muito satisfeito com a Assembleia Legislativa. Aliados dizem que, como opositor ao governador Ronaldo Caiado (Democratas), tem pouco a fazer no Parlamento. Por isso estaria disposto a disputar mandato de deputado federal. Mas há uma pedra gigante no meio do caminho: o deputado federal Rubens Otoni. Os dois, de fato, não se dão bem, mas, como petistas, são aliados. Se forem candidatos a deputado federal um pode anular o outro e os dois perderem. Há quem acredite que o tempo de Gomide no PT esgotou-se. O Jornal Opção publicou uma nota, amparada em fontes petistas, de que ele iria sair do partido. Mas o parlamentar contestou a informação e disse que irá ficar. Talvez fique. Talvez não fique. Se sair, tem mais chances de se eleger, inclusive para deputado federal. O PSD e o PDT, para citar dois partidos, gostariam de tê-lo em seus quadros. (Anápolis, por sinal, tem 260.567 eleitores. Curiosamente, a maioria do eleitorado do município é composto de mulheres, 138 mil. Os homens são 121 mil eleitores.)

Um analista político sugere que quem perdeu em 2020 chega fraco para a disputa de 2022. Talvez não. Porque o eleitor costuma distinguir, com ampla clareza, que eleição para prefeito e eleito para deputado são diferentes. Os perfis dos escolhidos, no geral, não são o mesmo. Para prefeito, os eleitores apreciam políticos mais moderados e com capacidade de gestão. Para deputado, os eleitores olham com bons olhos político mais agressivo, de discurso forte e posicionado. Veja-se os casos de Major Araújo, do PSL, e Zé Carapô, da Democracia Cristão. Os dois perderam para prefeito de, respectivamente, Goiânia e Jataí. Mas têm chance de se reelegerem para deputado estadual, porque os eleitores têm apreço pelo caráter posicionado de seus discursos. Podem até mesmo disputar mandato na Câmara dos Deputados.

1
Adriana Accorsi/PT
Adriana Accorsi | Foto: Divulgação

A petista é um nome forte em Goiânia e há quem, no partido, avalie que, em termos de carreira política, precisa dar um salto de qualidade. Por isso é cotada para a disputa de mandato de deputada federal. Entre os aliados há dois grupos: o que quer que ela dispute mais uma vez para deputada estadual e o que pensa que deve tentar uma vaga na Câmara dos Deputados. Se o deputado federal Rubens Otoni disputar mandato de senador ou governador, o campo fica mais aberto para a delegada da Polícia Civil. Ela é popular na capital de quase 1 milhão eleitores e na qual o PT sempre foi forte.

2
Amauri Ribeiro/Patriota
Amauri Ribeiro | Foto: Fernando Leite / Jornal Opção

Na eleição para prefeito em 2020, aliados de Amauri Ribeiro foram mal em Piracanjuba e Caldas Novas — perdendo de maneira acachapante. As duas derrotas podem fazê-lo refluir e, deste modo, disputar a reeleição. Mas ele é um político determinado.

3
Antônio Gomide/PT
Antônio Gomide | Foto: Divulgação/Campanha Antônio Gomide

A derrota na disputa pela Prefeitura de Anápolis abalou o petista. Aliados sugerem que o PT atrapalhou sua postulação, dada a alta rejeição do partido na cidade. Ele não se dá bem com o irmão, o deputado federal Rubens Otoni. Se ficar no PT, tende a disputar a reeleição. Se sair, é provável que dispute mandato de deputado federal. Há quem aposte que, fora do partido, terá maiores chances de crescer na política.

4
Humberto Teófilo/PSL
Humberto Teófilo | Foto: Y. Maeda

Se o deputado federal Delegado Waldir Soares disputar mandato de senador, é provável que o delegado de Polícia, cuja base política é Inhumas, mas também Goiânia, dispute mandato de deputado federal.

5
Helio de Sousa/PSDB
Helio de Sousa | Foto: Divulgação

O líder tucano disse ao Jornal Opção que vai disputar mandato de deputado federal. Ele representa uma cidade, Goianésia, e uma região, Vale do São Patrício, importantes. Conta com o apoio dos ex-prefeitos de Goianésia Otavinho Lage e Jalles Fontoura, ambos do PSDB.

6
Iso Moreira/Democratas
Iso Moreira| Foto: Fábio Costa/Jornal Opção

Chegou a ficar animado com a disputa para deputado federal. Mas agora fala em “abandonar” a política e pode bancar um filho para deputado estadual. Há quem acredite que, na hora agá, Iso Moreira será candidato a deputado — federal ou estadual.

7
Jefferson Rodrigues/Republicanos
Jefferson Rodrigues | Foto: Divulgação

O sonho da Igreja Universal e do partido Republicanos é bancar o pastor Jefferson Rodrigues para deputado federal. Se o deputado federal João Campos optar por disputar mandato de senador, o martelo será batido: Rodrigues tentará uma vaga na Câmara dos deputados.

8
Lêda Borges/PSDB
Lêda Borges | Foto: Reprodução

Ao perder a eleição em Valparaíso de Goiás para Pábio Mossoró, de maneira acachapante, Lêda Borges tornou-se, politicamente, mais frágil. Por isso, a tendência é que dispute a reeleição. Mas, para criar quociente eleitoral para bancar Marconi Perillo, pode ir a deputada federal. Consta que seu grupo político resiste e sugere que, postulante à Assembleia, pode ajudar de maneira mais eficaz o tucano-chefe a se eleger para deputado federal.

9
Lissauer Vieira/PSB

O presidente da Assembleia Legislativa de Goiás “navega” por dois oceanos. O real é a possibilidade de disputar mandato de deputado federal. O sonho é a vice do governador Ronaldo Caiado em 2022. Ele representa o Sudoeste goiano, mas começa a se movimentar por outras regiões do Estado.

10
Major Araújo/PSL
Major Araújo | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

O militar se elege com facilidade para deputado estadual. O PSL tem um grande puxador de voto, o deputado federal Delegado Waldir Soares, o que pode contribuir para uma campanha vitoriosa do parlamentar. Se Delegado Waldir for para o Senado, Major Araújo pode se tornar o puxador de voto do partido.

11
Paulo Cezar Martins/MDB
Paulo Cezar Martins | Foto: Divulgação

No momento, o deputado está terçando forças com Daniel Vilela pela direção do MDB. Mas, realista, sabe que ninguém tira o comando do partido do jovem emedebista. O que o parlamentar pretende mesmo é disputar mandato de deputado federal e se colocar no centro do debate político.

12
Zé Carapô/DC
Zé Carapô Foto: Fernando Leite

Candidato a prefeito de Jataí, Zé Carapô não fez boa figuração, ficando em quarto lugar, com apenas 6,29% dos votos. Somente 2.678 eleitores acreditaram no seu projeto. Mas eleição para deputado é bem diferente de eleição para o Executivo. O parlamentar tem uma eleição mais fácil para deputado estadual, mas pode apostar num projeto federal. Se Leandro Vilela for candidato a deputado federal, e com o apoio do prefeito Humberto Machado (que obteve 55,33% dos votos válidos), Carapô certamente colocará seu bloco na rua pela reeleição.