Por Ketllyn Fernandes
A base marconista comemorou a renúncia de Júnior Friboi. Por três motivos. Primeiro, apesar do discurso meio arcaico, poderia se apresentar como o “novo”. Segundo, movimentando uma imensa fortuna, poderia influenciar à larga o processo eleitoral. Terceiro, poderia, como chegou a fazer, contratar os melhores profissionais de marketing político, como Duda Mendonça e Augusto Fonseca. Iris Rezende é considerado um candidato mais duro, com imensa capilaridade política no Estado, porém é visto como um candidato mais previsível. Até como ataca e os assuntos que prefere discutir são previsíveis.
O presidente do Solidariedade, deputado federal Armando Vergílio, afirma que ninguém esperava a desistência de Júnior Friboi. “Nem mesmo seus interlocutores diretos e diários sabiam que ele planejava abandonar sua pré-candidatura a governador de Goiás.” O líder político diz que ouviu uma frase curioso de um político experimentado: “Estou feliz e estou triste, porque não sei o que está acontecendo”. Para Armando, deixar o campo no meio do jogo foi uma maneira de Friboi dizer a Iris Rezende que não estava satisfeito com a condução do processo político. “O timing do empresário em geral é muito diferente do timing do político”, avalia o presidente do SDD. “O fogo amigo é o pior de todos, porque é, quase sempre, imprevisível.” O parlamentar recomenda, porém, que Friboi tenha calma. “É hora de recolher-se, esfriar a cabeça. Em política, ao menos na sua articulação, a razão não pode ser trocada pela emoção.” A saída de Friboi muda xadrez político. “O PROS, por exemplo, estava conversando com o empresário, aí colocou um pé fora e, agora, certamente vai colocar o outro”, afirma o parlamentar. O PROS abriu conversações com o pré-candidato do PT a governador, Antônio Gomide. O deputado federal Rubens Otoni frisa que o acordo não foi inteiramente sacramentado, mas, dada a aliança nacional do PROS com o governo da presidente Dilma Rousseff, está próximo de ser fechado. O líder do Solidariedade não acredita que Gomide recua para apoiar Iris Rezende. “Fica, portanto, a pergunta: o PMDB vai coligar-se com quem?” O Solidariedade, segundo Armando, trabalha com planos A, B e C. “Todos querem conversar com o nosso partido e isto é sinal de que temos vitalidade política.” O governador Marconi Perillo disse a mais de um interlocutor que trabalha pela aproximação do presidente do SDD. “Não decidimos o nosso caminho, porque, embora esteja quase em cima da hora, é possível esperar um pouco mais.” Quais são os caminhos possíveis para Friboi? Armando diz que procura não se envolver com os problemas internos dos partidos. Mas, pressionado, formula duas saídas. “Primeiro, se aceitar ser vice de Iris, a chapa fica muito forte. Porque um é popular, embora não seja um fato novo na política, e o outro é capaz de criar uma estrutura de campanha formidável. Segundo, pode-se afastar de vez, deixando o campo livre para Iris. Mas aí os acordos que haviam sido ‘amarrados’ com os partidos e políticos são perdidos. Porque a garantia não o PMDB, e sim o próprio Friboi.” Quando diz que vai observar a política como cidadão, Friboi, na avaliação de Armando, está dizendo que vai acompanhá-la de longe. Quem ganha com a crise? “Perde o PMDB e ganham Marconi Perillo, Vanderlan Cardoso e Antônio Gomide.” Armando diz que permanece com seu colocado para a disputa — como candidato a governador, a vice-governador ou a senador. “Uma chapa com Iris para o governo, eu como vice e Ronaldo Caiado como senador é muito forte, eu diria que é ‘perigosa’.” Como as forças tradicionais estão tentando se colocar como “únicas alternativas”, Armando sugere que Solidariedade, PDT e PROS, partidos com estruturas razoáveis, se unam para organizar um bloco político e lançar uma chapa para governador. “De repente, como o novo, poderíamos surpreender”, afirma.
Na semana passada, nervoso e chateado, o empresário Júnior Friboi pediu para não ser posto na rua o movimento “Volta, Júnior”. Mas que ninguém fique surpreso se o movimento for levado às ruas à revela de Friboi. Depois, é possível que ele aprove sua organização. Há quem, no irismo, avalie que até Iris Rezende pode pedir o retorno do empresário ao processo. O motivo é até prosaico: sem a estrutura financeira articulada por Friboi, e a apenas quatro meses das eleições, o PMDB terá muita dificuldade para enfrentar um candidato, Marconi Perillo, que, além de liderar as pesquisas, está montando uma estrutura profissional de campanha. Um peemedebista recomenda que tanto Friboi e Iris guardem a bílis em casa e negocie uma saída honrosa, de preferência mantendo o primeiro como candidato a governador. O problema é que Iris não quer ceder.
Pré-candidato a deputado federal, o ex-prefeito de Luziânia Célio Silveira (PSDB) disse ao Jornal Opção que seu projeto número um é a vitória do governador Marconi Perillo. “O projeto número dois é a minha disputa para deputado.” Solicitando a comentar a crise do PMDB, o conflito entre Júnior Friboi e Iris Rezende, o tucano diz que não se sente à vontade. “Trata-se de um problema de outro partido e não fica bem discuti-lo. Mas é provável que Júnior, uma pessoa de e do bem, cruze os braços e não acompanhe Iris.” Falar de sua pré-campanha, Célio anima-se. “Estou trabalhando com firmeza no Entorno do Distrito Federal, minha região básica, mas também faço um trabalho político forte em Goiânia [apoio de Gilvane Felipe], em Morrinhos [tem o apoio do prefeito Rogério Troncoso, do PTB], em Itaberaí [em parceria com o pré-candidato a deputado estadual Jean Carlo] e em Jaraguá (parceiro do deputado estadual Nédio Leite].”
Ex-prefeito de Morrinhos e empresário respeitado tanto no município quanto no Estado, líder classista de prestígio, Joaquim Guilherme (PR) disse que ao Jornal Opção que deve ser candidato a deputado estadual. “Não era o meu projeto, mas meu grupo político, e até a cidade, cobra que eu me engaje e participe de um projeto política diretamente. Porém, ressalto que o eleitorado da minha cidade é pequeno. Por isso preciso conversar bem com os líderes políticos locais. De que adianta ser bem votado em Morrinhos, mas não conseguir cociente eleitoral para ser eleito?” Um político de Morrinhos sugere que Joaquim Guilherme e o prefeito Rogério Troncoso (PTB) se unam com o objetivo de eleger um deputado para beneficiar o município. Porque se vários candidatos forem lançados um vai derrotar o outro. O problema é que não é fácil agregar os dois políticos, rivais figadais. “A cidade quer um deputado e cobra união das forças políticas. Acredito que a aproximação entre forças contrárias, com o objetivo de ajudar o desenvolvimento do município, é possível, mas é claro que não vou forçar a barra. Na democracia, a convergência deve ser feita sem imposição ou pressão. Apagar os traumas do passado e eleger um deputado estadual talvez seja o projeto mais cidadão e desenvolvimentista. Até o momento, não me posicionei com firmeza sobre uma candidatura porque é preciso perceber a política de maneira racional.” Joaquim Guilherme diz que em Morrinhos terá uma votação “muito boa”, mas, para ser eleito, precisa ter pelo menos 4 mil votos nas cidades mais próximas. O ex-prefeito diz que sua candidatura não é obrigatória. “Posso até retirar meu nome em prol de outro candidato.” Ele defende que Morrinhos também precisa de um deputado federal.
Aécio Neves, do PSDB, terá seu palanque goiano armado pelo governador Marconi Perillo. A presidente Dilma Rousseff terá em Antônio Gomide (PT) o principal articulador de seu palanque. Vanderlan Cardoso (PSB) cuidará do palanque de Eduardo Campos. Já o PMDB não tem palanque nacional para administrar em Goiás. Com quem vai ficar? O PMDB poderá ficar neutro? Dificilmente. Porque vai negociar o apoio local a uma contrapartida nacional. Se apoiar Iris para governador, Vanderlan poderá levá-lo para o palanque de Eduardo Campos. Porém, se bancar Iris para o governo, Gomide leva o apoio do peemedebista para Dilma Rousseff.
Continua a pendenga no Entorno do Distrito Federal. O prefeito de Luziânia, Cristóvão Tormin, que estaria controlado e monitorado pelo empresário Júnior Friboi — não há prova cabalo do que dizem adversários —, agora, segundo um aliado, não vai mais apoiar o pré-candidato a deputado federal pelo PMDB Marcelo Melo, aliado de Friboi. Antes, dizia-se que Tormin iria lançar um candidato a deputado federal laranja, fraco e que não trabalharia, com o objetivo de permitir que Marcelo Melo se fortalecesse em Luziânia. O problema é que políticos de seu partido, como o deputado federal Thiago Peixoto, além de políticos de outros partidos, como Giuseppe Vecci, do PSDB, e Marcos Abrão, do PPS, estão trabalhando com firmeza no município. Com isso, o prefeito está constrangido em apoiar Marcelo Melo, por sinal, um político competente e que tem bons serviços prestados à região.
O PMDB do M, ou PMDB do governador Marconi Perillo, só está crescendo. Na semana passada, pelo menos 20 prefeitos do partido pediram para conversar com o tucano-chefe. Eles querem aderir. Já. Recomenda-se cautela. Porque há possibilidade se perder o mandato. Por isso, muitas adesões não significarão mudança de partido.
Júnior Friboi afirmou, para cinco interlocutores, que não vai apoiar Iris Rezende para governador de Goiás. Friboi sugeriu que pode apoiar, nesta ordem, Vanderlan Cardoso (PSB), Antônio Gomide (PT) e Marconi Perillo (PSDB)
Friboizistas dizem ter descoberto que a denúncia sobre impostos não pagos ao governo de Goiás pela JBS chegou à redação de “O Popular” pelas mãos de um peemedebista e de um petista com trânsito na Prefeitura de Goiânia. “Inicialmente, Friboi avaliou que se tratava de um recado do governador Marconi Perillo. Depois, descobriu que era fogo mui amigo”, diz um deputado.
Júnior Friboi tem reclamado das duras críticas que a deputada federal Iris Araújo lhe faz, com frequência, pelo Twitter. O empresário também não gostou de ter seu grupo político chamado de “cambada” numa reunião dos iristas na Câmara de Vereadores.
Em ritmo acelerado, o pré-candidato a deputado federal pelo PSDB Antônio Faleiros já visitou mais de 100 municípios. Faleiros está com sua equipe de trabalho praticamente montada. Seu escritório político vai funcionar na Avenida 85, no Setor Sul. Em todo o Estado, Faleiros tem conversado com líderes tucanos e de partidos aliados. Na capital, Faleiros está promovendo reuniões com entidades de classe, notadamente nas área de saúde. O tucano dialoga com líderes e integrantes de igrejas e discute a segurança pública. Ele tem o apoio de quase todas as associações militares. Os militares chegam a brincar cham
Ao saber que o deputado federal Pedro Chaves havia demovido o prefeito de Guapó, Luiz Juvêncio, de sair do PMDB, um ex-deputado peemedebista disse: “Na verdade, até gente ligada a Júnior Friboi não tolera o peemedebista, que é arrogante e agressivo. Deveria sair rapidinho do partido. Todo partido tem seu chato. Luiz Juvêncio é o chato de todos os partidos”.

Acredita-se que o deputado federal Rubens Otoni (PT), que vai à reeleição, pode obter cerca de 100 mil votos em Anápolis na eleição deste ano. O Jornal Opção pergunta ao petista: o sr. acredita que Alexandre Baldy, pré-candidato a deputado pelo PSDB, pode mesmo receber 40 mil votos em Anápolis?”
Rubens Otoni pensa um ou dois minutos e diz: “Pode. Porque o eleitorado de Anápolis é grande e quem fizer um trabalho bem feito pode sensibilizá-lo”.
O deputado federal Vilmar Rocha (PSD), pré-candidato a senador, diz que de 30 a 40 prefeitos do PMDB, do PSB e de outros partidos não querem apoiar Iris para governador. Vilmar Rocha diz que a “debandada” não será pequena. Fica-se com a impressão de que Iris Rezende e Júnior Friboi não precisam mesmo de adversários.