Por Euler de França Belém
Ante o crescimento do deputado federal Waldir Delegado Soares, que parece ter conquistado o apoio dos deserdados mas também dos jovens que militam na internet — e que podem ser tudo, menos deserdados —, cientistas políticos e pesquisadores começam a avaliar a possibilidade de um segundo turno entre o delegado e um candidato da base do governador Marconi Perillo. [relacionadas artigos="59735"] A tese é a seguinte: Waldir Soares e Iris Rezende estão disputando praticamente o mesmo eleitorado. Durante a campanha, a partir de certo momento, é possível que um passe a “canibalizar” o outro. O resultado é que um vai crescer mais e o outro tende a ser puxado para baixo. Aí poderá ocorrer uma surpresa: um candidato da base governista pode, por exemplo, suplantar Iris Rezende — se este for o canibalizado no processo — e disputar o segundo turno com o delegado Waldir Soares. Quando se fala “base do governador Marconi Perillo” devem ser incluídos Giuseppe Vecci, do PSDB, Luiz Bittencourt, do PTB, e Virmondes Cruvinel (ou Francisco Júnior), do PSD. Mas não se pode descartar Vanderlan Cardoso, do PSB, que está meio em cima do muro. Quer pertencer à base do tucano-chefe, mas sabe que os espaços estão fechados, dada a quantidade de candidatos governistas. Porém, se Iris Rezende for arrancado do páreo, por um possível crescimento vertiginoso de Waldir Soares, não está descartado, logicamente, que Vanderlan poderá disputar com o líder do PSB o segundo turno. A disputa pela Prefeitura de Goiânia, daqui a sete meses — que passam rapidamente, quase num passe de mágica —, pode reservar surpresas. Poucas ou muitas, não se sabe.
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Divulgação[/caption]
De um experimentado analista político: “Ao aceitar o desafio de gerir a Secretaria de Segurança Pública, o vice-governador José Eliton saiu da zona de conforto para a zona de risco. Porém, se melhorar a segurança pública do Estado, notadamente em Goiânia, sai consagrado e se tornará um candidato a governador, em 2018, dos mais consistentes e competitivos”.
Quando o procurador de justiça Demóstenes Torres assumiu a Secretaria de Segurança Pública, com um rigoroso de apoio à polícia, muitos de seus críticos sugeriram que, se tinha alguma pretensão política, estaria começando a enterrá-la. Ledo engano. O procurador consagrou-se e, em seguida, elegeu-se e reelegeu-se senador.
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O que não se pode é assumir o cargo de secretário e não entender a especificidade do que é a polícia. Se o secretário é proativo, se não procura ficar enviando policiais para a Corregedoria, por motivos sem importância, a segurança pública melhora rapidamente.
No entanto, se o secretário quiser posar de mocinho dos direitos humanos para as redes sociais e as mil ONGs de desocupados, vai contribuir para paralisar a polícia e, portanto, para aumentar a criminalidade.
O secretário José Eliton, ao contrário de outros técnicos, entende isto muito bem. Seu discurso inicial foi extremamente bem recebido pelos policiais. Aliás, os policiais sabem que, como vice-governador, ele terá mais autoridade para pressionar o governo do Estado na busca por recursos e mais mão de obra qualificada.
Por sua capacidade de articulação — tem se revelado um diplomata eficiente, abrindo portas (e nunca arrombando portas abertas) —, José Eliton também poderá melhorar as relações com o governo federal.
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Foto: Jornal Opção[/caption]
A entrada de um grupo tido como mais duro no comando a Polícia Militar é apontada, por um ex-secretário de Segurança Pública, como meio caminho andado para conter ou pelo menos reduzir a violência em Goiás.
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A Polícia Militar e a Polícia Civil agem com mais eficiência e rigor quando sentem que o secretário de Segurança apoia suas ações legais com firmeza.
No combate ao crime, e não há outra saída — a polícia dos Estados Unidos, por exemplo, é uma das mais duras e, por isso, eficazes —, a polícia ser tão protegida quanto o cidadão comum, de bem. Se os policiais são pressionados, e se são levados à Corregedoria pelos motivos menos comezinhos, a tendência é que peguem mais leve com os bandidos.
Rigoroso, com formação jurídica de primeira linha, o secretário José Eliton é uma legalista. Mas sabe que, no combate ao crime, não há meio-termo. É preciso ser duro. Duríssimo. De cara, a polícia apreciou suas declarações e, por isso, vai agir com rigor e a eficiência tende a anotar.
Pode-se dizer que a mídia goiana exagerou na cobertura do assassinato da estudante Nathalia Zucatelli? As emissoras de televisão deram uma cobertura mais excessiva e sensacionalista do que os jornais e sites. Mas a cobertura extensa acabou por contribuir para que o governo tomasse providências e mudasse em parte do comando da Polícia Militar, tanto na cúpula quanto na operação. A overdose de notícias, portanto, pode ter sido mais positiva do que negativa.
A saída da crítica de cinema Rute Guedes não foi benéfica para os leitores de “O Popular”. A repórter sintetizava e comentava os filmes, às vezes com precisão. Agora, no máximo, o jornal transcreve comentários publicados na “Folha de S. Paulo”. São textos enviados pela agência FolhaPress.
Junto com as repórteres Rute Guedes, crítica de cinema, e Márcia Abreu, da cobertura política, “O Popular” demitiu o ilustrador Ricardo Rodrigues. Um dos colegas de redação, Gilberto Pereira, escreveu que Ricardo Rodrigues é um criador de vasta cultura, leitor obsessivo de Fiódor Dostoiévski e Nietzsche. Repórteres contam que a redação, depois de uma onda de demissões devastadora, estava tranquila. Mas as novas demissões desestabilizaram a equipe mais uma vez. Há mais gordura para cortar? Quase nenhuma, avaliam profissionais do “Pop”. “Mas nunca se sabe”, acrescentam.
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Montagem/Jornal Opção[/caption]
Em Anápolis, segundo especialistas políticos, o quadro será mais ou menos o seguinte: o deputado estadual Carlos Antônio, do Solidariedade, tende a sair em primeiro lugar e, aos poucos, vai se desidratando. Um de seus problemas é que mantém aliados empregados tanto na Prefeitura de Anápolis, administrada pelo petista João Gomes, quanto no governo de Goiás, gerido pelo tucano Marconi Perillo. Como vai fazer para criticar o candidato João Gomes se participa de seu governo? É um “drummond” no meio do caminho.
Como o PT e o PSDB têm mais estruturas na cidade — o que quer dizer maiores saldos financeiros e militâncias mais aguerridas —, a possibilidade de segundo turno entre o prefeito João Gomes e Fernando Cunha Neto (PSDB) é mais plausível. O nome chave da disputa é o governador Marconi Perillo. O grupo de João Gomes disseminou a informação de que o tucano-chefe poderia apoiar sua reeleição. Porém, está definido que ele vai apoiar Cunha Neto na disputa.
“Amor não resiste a tudo, não. Amor é jardim. Amor enche de erva daninha. Amizade também, todas as formas de amor. Hay que trabalhar y trabalhar, sabe?”
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Montagem[/caption]
Instados a examinar o quadro político de Goiânia, pesquisadores e cientistas políticos concluíram a mesma coisa: se der Iris Rezende (PMDB) e Waldir Delegado Soares no 2º turno, a tendência é que o primeiro seja vitorioso. Por quê? No momento, estão praticamente empatados tecnicamente. Mas Iris tem o diferencial da experiência e é mais palatável à classe média. Os especialistas sugerem que Vanderlan Cardoso (PSB) e Giuseppe Vecci (PSDB) terão dificuldade de ir para o segundo turno. Porém, se forem, terão mais condições de derrotar Iris Rezende. O motivo? São bem diferentes do peemedebista e, como gestores qualificados, têm forte apelo na classe média.
Os especialistas sublinham que o eleitorado de classe média é decisivo nas eleições de Goiânia. Ela prefere votar em políticos que são mais gestores e que apresentem ideias consistentes e críveis sobre como gerir a prefeitura e a cidade.
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Reprodução[/caption]
O PSDB decidiu desafiar o poder do dinheiro de Victor Priori e bancou o vereador Vinicius Luz para candidato a prefeito de Jataí. A tendência é que o tucano dispute contra Leandro Vilela (PMDB), apontado como o nome mais competitivo, e Gênio Eurípedes (ou Vinicius Maia, do PTC).
Em Rio Verde comenta-se que o deputado federal Heuler Cruvinel, do PSD, é o autêntico cavalo paraguaio. É o que dizem experts na política do mais importante município do Sudoeste goiano.
Quer dizer: Heuler Cruvinel vai largar na frente, mas, no meio do caminho, tende a desidratar e ser passado para trás. O Ministério Público por certo vai ficar atento a um possível derrame de dinheiro no município.
Especialistas na política de Rio Verde avaliam que, ao final da disputa, ninguém deverá ficar surpreso se o eleito for Lissauer Vieira ou Paulo do Vale (se puder disputar), do PMDB.
O empresário Joaquim Guilherme, do PR, não quer aceitar a candidatura de sua mulher, Eneida Figueiredo, do PSDB, para prefeita de Morrinhos. A cúpula tucana luta pela candidatura de Eneida Figueiredo. Mas o veto de Joaquim Guilherme é tido como incontornável. Mesmo pressionado pela cúpula do PR (leia-se deputada federal Magda Mofatto), Joaquim Guilherme também não aceita disputar. Ele deve apoiar a candidatura de Élvio Rezende, do Pros. Este é respeitado na cidade, mas não tem a experiência do político que está no poder. Sem contar que um prefeito anterior desacreditou a figura do “novo” na cidade. Teme-se que aconteça o mesmo em 2 de outubro. Daí a tendência a se optar pelo tradicional. O resultado de tanta “desistência” é que o prefeito de Morrinhos, Rogério Troncoso (PTB), tem chance de ser reeleito. O petebista é visto como um político durão, até meio grosso, mas, ao mesmo tempo, é apontado como um gestor eficiente e criativo. Mesmo na crise, dirige bem o município. O que Joaquim Guilherme não entende é que a sociedade e os políticos não perdoam nem toleram líderes que são omissos e, por isso, aos poucos vão deixando de ser líderes.
O vereador Djalma Araújo, “cansado” da Câmara Municipal, pretende disputar a Prefeitura de Goiânia pela Rede. O “drummond” no meio do caminho é Aguimar Jesuíno, o chefão da Rede em Goiás, que também pretende disputar a prefeitura. Djalma Araújo tem dito que, se quiser disputar, Aguimar Jesuíno sai do páreo e aceita até ser seu vice, no caso de chapa pura. As chances de Djalma Araújo são mínimas, mas o ex-petista provavelmente quer criar uma estrutura mais ampla e se tornar mais conhecido para disputar mandato de deputado estadual ou federal em 2018. O vereador aposta que, na próxima eleição, Marina Silva, da Rede, será fortíssima candidata a presidente da República e, com isso, vai “puxar” políticos estaduais.
Pesquisa feita por um grupo político revela que 63,5% dos goianienses têm de medo de serem assaltados. 32,4% têm medo de “pegar doença”. A mesma pesquisa indica que 83,8% dos goianienses avaliam que a situação econômica do Brasil piorou nos últimos dois anos.
Há quem no PSDB avalie que o deputado federal Waldir Soares deveria ser expulso o quanto antes. Os mais ponderados (e racionais) contrapõem: é tudo que o delegado quer para se tornar a grande vítima do pleito deste ano. O tucanato ligou os radares para verificar as críticas do delegado ao governo de Marconi Perillo. São críticas fortes. Na campanha, os tucanos vão frisar que Waldir Soares pertenceu ao PSDB. Ele foi eleito deputado pelo partido — e sempre elogiando o governador tucano.

