Por Euler de França Belém
O tucano deixa uma cidade às 2 horas da madrugada, no extremo sul, e, no dia seguinte, às 8 horas, já está numa cidade do extremo norte de Goiás
A deputada licenciada Lêda Borges, titular da Secretaria Cidadã, é um fenômeno: trabalha muito, é organizada e tem a aprovação da sociedade.
Mesmo assim, a secretária desagrada parte da base aliada do governo de Marconi Perillo. Dezesseis deputados estaduais assinaram um documento e o entregaram ao tucano-chefe com reclamações ao tratamento dispensado a todos eles pela secretária. Há também reclamações internas.
Apesar das críticas, que devem ser examinadas de maneira criteriosa, vale sublinhar que o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), tem elogiado Lêda Borges exatamente pelo caráter republicano e pela integridade como conduz a secretaria.
Na política a única coisa impossível é sugerir que há alguma coisa impossível. Pois, nos bastidores, cresce a possibilidade de uma aliança anti-senador Ronaldo Caiado entre o PMDB e o PSDB.
A aliança pode ocorrer no primeiro ou no segundo turno. Em 2018, Ronaldo Caiado pode ficar isolado, ou apenas com o apoio do prefeito de Goiânia, Iris Rezende, em franca decadência política.
Peemedebistas dizem que Iris Araújo acorda pensando em ser deputada federal, passa o dia pensando em ser deputada federal e sonha, à noite, que é deputada federal.
Ante tanto desejo, quando o deputado federal Daniel Vilela, pré-candidato do PMDB a governador de Goiás, disse que Aparecida de Goiânia deve apoiá-la para deputada federal, com o objetivo de transformá-la no maior sucesso eleitoral de 2018, Iris Araújo abriu um sorrisão e, de repente, esqueceu que era sargento eleitoral do pré-candidato do DEM a governador, Ronaldo “Na Chapada” Caiado.
Daniel Vilela disse mais: poderá apoiá-la tanto para deputada federal (é o mais garantido) quanto para senadora (o que ela quer, mas teme perder).
Durante a inauguração do Aparecida Shopping, em Aparecida de Goiânia, o ex-prefeito Maguito Vilela e o deputado federal Daniel Vilela, ambos do PMDB, sentaram-se à mesma mesa com o governador de Goiás, Marconi Perillo do PSDB.
Os três políticos dialogaram o tempo inteiro, e sempre de maneira cordial. Maguito Vilela e Marconi Perillo se tornaram amigos. Daniel Vilela é mais arredio, mas, desde que foi citado como tendo recebido dinheiro da Odebrecht, está mais moderado nas críticas.
Deputados da situação e das oposições e o governador Marconi Perillo, do PSDB, dizem que o presidente da Assembleia Legislativa, o empresário José Vitti, é a nova sensação política do Estado de Goiás.
Articulado e exalando juventude, José Vitti, como o prefeito de São Paulo, João Doria Jr. (sem o esnobismo do tucano paulista), venceu fora da política, como empresário — o que desperta a atenção da sociedade. De Palmeiras de Goiás, ele é de bom: elegeu-se em 2014 e foi decisivo para eleger o prefeito do município. Há quem aposte que será candidato a prefeito de Goiânia, em 2020, com o fato novo do pleito.
José Vitti não faz o gênero raposa política, do tipo que age nas sombras. Pelo contrário, é adepto da transparência total, do jogo limpo e sem subterfúgios.
O prefeito de Rio Verde, Paulo do Vale, do PMDB, deve apoiar um candidato de fora para deputado federal, possivelmente José Mário Schreiner, se este migrar para o lado do senador Ronaldo Caiado, do DEM.
José Mário Schreiner, presidente da Federação da Agricultura do Estado de Goiás, é suplente de deputado federal pelo PSD de Vilmar Rocha e do deputado Thiago Peixoto. Mas dificilmente continuará no partido. O PSD não está mais interessado no seu passe e o presidente da Faeg está interessado em jogar noutro time.
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O presidente da República, Michel Temer, se não cair, estuda a possibilidade de indicar o deputado federal Thiago Peixoto, do qual tem as melhores referências — inclusive de Roberto Mangabeira Unger —, para ministro da Cultura.
Thiago Peixoto é economista por formação, mas tem um envolvimento com a área cultural mais intensa do que se costuma pensar. Ele pensa a cultura como deve ser — um projeto amplo e inclusivo. Nem é populista nem elitista. É, isto sim, inclusivo. Avalia, por exemplo, que o grafite tem seu valor artístico. E é um dos incentivadores dos festivais alternativos de música. Vale enfatizar que não tem uma visão burocrática ou estanque da cultura. A cultura, para ele, é uma coisa viva.
Sonho do líder do DEM é ter Lúcia Vânia, Vanderlan Cardoso e Jorge Kajuru na chapa majoritária
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O partido já tem Alexandre Baldy, mas está de olho em Célio Silveira, Fábio Sousa e João Campos
Vanderlan Cardoso e Marcelo Augusto acreditam que o prefeito é candidatíssimo. O vereador Romário Policarpo discorda
O ex-presidente da Câmara Municipal de Goiânia Marcelo Augusto, do PHS, sugere que, se for candidato a governador de Goiás em 2018, o prefeito Iris Rezende pode unir o DEM de Ronaldo Caiado com o PMDB de Maguito Vilela e Daniel Vilela.
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O ex-prefeito de Senador Canedo Misael Oliveira (PDT) disse ao ex-vereador Marcelo Augusto (PHS) que o candidato do PMDB a governador será Maguito Vilela, e não Daniel Vilela.
Porém, se depender de Maguito Vilela, o candidato será mesmo Daniel Vilela. O prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha, está fechado 100% com a postulação do presidente do PMDB.
Prefeitos tanto da situação quanto das oposições dizem que o discurso de José Eliton, pré-candidato a governador pelo PSDB, está cada vez mais afiado.
Eles sublinham que o discurso do tucano funciona sobretudo porque chega junto com “práticas concretas”, como obras em todo o Estado, e não envolto em mero “palavrório”

