“Zé Mário é o vice pra vencer”
26 julho 2026 às 17h53

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Carlos Mayer
Fala-se muito em nomes para a vice de Daniel Vilela (MDB) como se a escolha fosse mero exercício de prestígio ou de acomodação de forças. Não é! A decisão só faz sentido sob um critério: o de vencer a eleição. Tudo o mais é distração. Não cabe soberba ou vaidade, nem exercício de futurologia. A eleição é agora! Urna não aceita desaforo, não tolera erro, e esta admitirá menos ainda. É por essa lente que o nome de Zé Mário Schreiner deve ser observado.
A constatação é direta e óbvia. Zé Mário é o elemento de segurança da chapa. Com ele, Daniel mantém perspectiva de vitória em todos os cenários, e é isso que o distingue dos demais nomes em cogitação.
A começar pela ambição natural de resolver a parada logo no primeiro turno. Vencer de largada não é impossível. Vai depende de tirar votos do adversário. Aqui Zé Mário tem o que outros não entregam. Ruralista, captura votos de Wilder Morais (PL) justamente no agro e no campo conservador nos extremos da direita, onde o bolsonarismo é fortíssimo, especialmente em Goiás. Zé Mário reduz o teto de Wilder e amplia o piso de Daniel.
Os cenários de segundo turno confirmam a lógica. Contra Marconi, PL e Wilder tendem a fechar com Daniel, e a soma com a ainda alta rejeição do tucano resolve a conta. Já em um segundo turno contra Wilder (hipótese nada remota diante da força de chegada do bolsonarismo), Zé Mário ganha um protagonismo insubstituível como ponte com o eleitorado conservador. Adicione a isso a capilaridade e a força de mobilização das estruturas e ele vinculadas. Não há, portanto, arranjo em que ele pese contra.
Falta responder a Luiz do Carmo, um aliado importante e querido, e que cobra seu quinhão pelo voto evangélico. Quando se olha para as pesquisas, vê-se que Daniel já pontua bem entre evangélicos, e por razões estruturais. O segmento se afasta do bolsonarismo à medida que avançam os rolos de Flávio Bolsonaro no escândalo do Banco Master. Há também a crescente rejeição à instrumentalização dos altares dos templos. No mais, o voto evangélico polariza com o PT, e Daniel não é PT. Portanto, esse voto que supõe-se pender a Wilder, na verdade, se encaminha naturalmente para o emedebista.
A pauta evangélica, afinal, é moral e de costumes, e se decide no Congresso, onde a chapa já está muito bem contemplada com Vanderlan Cardoso (PSD) e Gustavo Mendanha (PRD), ambos da Assembleia de Deus. Some-se a isso a fragmentação do próprio segmento: cada liderança exige um acerto à parte, o que enfraquece a posição de Luiz do Carmo como fiador de um bloco coeso.
Risco importante reside também na polarização nacional. Se as urnas confirmarem um segundo turno entre Lula e Flávio, com Daniel e Wilder disputando Goiás em paralelo, PL e Wilder vão puxar a relação de Maguito Vilela com o PT e tentar pintar Daniel de vermelho – ainda que jamais tenha tido proximidade com o petismo. E o tom dessa ofensiva e sua eficácia dependerão do quão duro o presidenciável Ronaldo Caiado (PSD) resolver bater em Flávio. E aqui Zé Mário, que foi vice-líder do Governo Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados, também funciona como um contra-peso, argumento pesado na guerra de narrativas.
No balanço, as muitas declarações de apoio a Zé Mário como a de 140 prefeitos, ajudam evidentemente, mas o tópico decisivo é a constatação de que Zé Mário blinda a chapa contra o único adversário capaz de crescer, o bolsonarismo. Aí é partir para o abraço!
Carlos Mayer é prefeito de Silvânia



