Por Neri Caetano Barbosa

Preservar as nascentes e áreas de preservação permanentes, é mais barato, viável e coerente com a nossa realidade. O que era imaginável até pouco tempo, agora é realidade em nossas vidas; que são a complexidade do mundo de hoje, e isso se reflete mais intensamente na área do abastecimento, incluindo a disponibilidade e a qualidade de água para o consumo industrial,
humano e geral.

Esse ano e o ano passado, o Brasil foi marcado, dentre outros fenômenos naturais, pela escassez de água. Esta Situação, pouco conhecida fora dos limites das regiões norte e nordeste do país, a seca alcançou também o sudeste e o centro-oeste.

Isso tudo está associado à ausência de chuva e outros fatores climáticos que também contribuíram para situação em que chegamos, porém, falta gestão e cuidado com a natureza.

A falta de cuidados com a natureza, ou onde ela ainda existe, é apontada como uma das causas da situação que hoje vivemos. A medida que a devastação cresce, onde há áreas circundantes dos cursos d’água, como lagos, represas, olhos D’Água reservatórios, nascentes, veredas e várzeas, a tendência é baixar o nível das águas de afloramento, dos cursos d’água de superfícies e a sustentabilidade dos mananciais subterrâneos. Os novos códigos florestais brasileiro e goiano, deixou de proteger os recursos naturais, preocupando apenas em anistiar os degradadores do meio ambiente, desprezando os aspectos ecológicos e as efetividades das ações.

Esperamos que a proteção do meio ambiente seja entendida não apenas como fonte geradora de despesas, mas de obter recompensas efetivas apostando na melhor qualidade de vida.

Goiás segue sem dar atenção aos conhecimentos técnicos e às pesquisas na área ambiental que indicam que o desmatamento do cerrado, com a devastação das cabeceiras e áreas de preservação permanentes, fazem a água minguar ou até desaparecer. Fazendo de conta que não sabem, continuam com a devastação do cerrado e outros tipos de degradação, enfraquecendo os órgãos de proteção e fomentando aos que agridem em nome do crescimento. Não é por acaso que o cerrado já fora chamado de jardim permanente florido.

O Estado vem de um hecatombe, nos últimos dez anos, o meio ambiente perdeu o seu sentido ecológico; na derivação, a água deixou de ser um bem tutelado, e na efetividade, falta comprometimento ambiental. Hoje o estado parece um tabuleiro de pirulito de tantos poços e minipoços perfurados sem o conhecimento ou sem outorga do órgão ambiental competente, e a capacidade de fiscalizar diminui a cada dia.

O meio ambiente é um dos bens que vem sendo mal cuidado, nas mãos de pessoas que mal sabem o que acontece. Diante das ameaças ruidosas do poder pelo poder, quem perde sãos os recursos naturais.

Colocar a culpa em São Pedro tem sido a justificativa para a falta de planejamento e a má gestão dos recursos hídricos que vem ocorrendo a mais de 20 anos. A crise da água é anunciada e está diretamente ligada às atitudes e atividades humanas não planejadas. Ainda não há em Goiás, efetivamente um plano estadual de recursos hídricos, e de proteção de bacias e mananciais, de abastecimento.

O discurso sobre sustentabilidade e mudanças climáticas passa pelas áreas de
preservações permanentes e veredas, pois elas têm um impacto social e ambiental
muito positivo para mudarmos o mundo virtual pelo real, o fantasioso pelo concreto,
amenizando assim o estresse hídrico e ambiental contemporâneo, diminuindo a agonia
dos nossos mananciais. Produzir água é preservar a natureza, principalmente o solo,
nascentes, olhos D’Água, veredas, áreas de charcos, matas de galerias e de
preservação permanentes

Neri Caetano Barbosa é técnico Industrial em Saneamento, eletrotécnico, gestor e períto ambiental e sanitário