Gustavo Mendanha é desmascarado ao tentar bancar o representante do movimento da ‘nova política’

Nomeação da esposa, loteamento político da prefeitura e volatilidade ideológica são uma das expressões contraditórias

O ex-prefeito Gustavo Mendanha (Patriota), ao tentar bancar o “salvador da pátria”, busca se exibir como um dos representantes do movimento da ‘nova política’, mas está longe de alcançar tal característica. Essa ação é muito mais do que um mero discurso, é um posicionamento. Para o eleitor, é antes de tudo, um novo comportamento. Está associada à expectativa em relação a quem ele destina o voto. Esse conceito é repleto de esperança, de crença nas pessoas de bem.

E é justamente o que Mendanha não corresponde. Apesar de não ser ilegal, ele nomeou a própria esposa, Mayara Mendanha, desde o seu primeiro ano de mandato, em janeiro de 2017, ao cargo de titularidade da Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas) de Aparecida, que exerce até hoje a função, sob forte influência política dele. Inclusive, como antecipou o Jornal Opção, essa manutenção de função é para um suposto favorecimento ao Gustavo Mendanha à disputa para as próximas eleições.

Um fato que chamou a atenção nos últimos tempos foi a demonstração de volatilidade ideológica dele. Em disputa com o pré-candidato a governador Major Vitor Hugo (PL) pela base do presidente Jair Bolsonaro (PL) em Goiás, o ex-prefeito ficou de fora da sigla do ex-capitão do Exército. Isso porque a presença de cinco partidos de esquerda (PT, PSB, PC do B, PV e PDT) no secretariado foi a “sentença de morte” para ele ao tentar buscar apoio nacional.
Major Vitor Hugo chegou a declarar que o novo integrante do Patriota de Aparecida “não representa a direita”. Em entrevista anterior ao Jornal Opção, ele alegou que, por diversas vezes, Gustavo teria “debochado e desdenhado” do presidente da República. Vitor Hugo, inclusive, relembrou o encontro que intermediou entre 20 prefeitos goianos – incluindo o de Aparecida – e Bolsonaro, em Brasília, como um exemplo de “falta de empatia” de Mendanha para com Jair Bolsonaro.

“Tem entrevistas dele [Gustavo] desdenhando, debochando do presidente. Do apresentador fazendo críticas e comentários opostos e ele ali rindo. Ele ainda falou que não tinha paixão pelo presidente. Quando eu levei ele e outros dezenove prefeitos para encontrar o presidente, percebi uma total falta de empatia, ele não tirou foto direito, não interagiu, não gravou vídeo, não mandou nenhum ofício pedindo algo para Aparecida de Goiânia. Ele realmente não tem nenhuma predileção pelo presidente”, opinou o deputado.

Além disso, para retribuir o apoio que recebeu nas eleições de 2020 e garantir uma aura de unanimidade em torno do seu nome, além de eliminar a oposição, o então prefeito Gustavo Mendanha decidiu, logo após proclamação dos resultados, distribuir os cargos de 1º escalão (secretarias, secretarias executivas, assessorias especiais) aos presidentes ou indicados dos partidos políticos e dos 25 vereadores.

Neste quesito, Mendanha contrariou os seus aliados políticos que ocuparam a prefeitura de Aparecida de Goiânia, Ademir Menezes e Maguito Vilela, que evitaram o loteamento da administração entre a classe política. Mesmo nomeando um ou outro político para os seus respectivos secretariados, Ademir e Maguito fizeram avaliação de capacidade técnico- administrativa de cada indicado aos cargos.

Já Gustavo não teve esse cuidado, evitando qualquer seleção técnica dos nomes indicados pelos partidos. Ele nem sequer solicitou listas tríplices aos partidos, para que pudesse ter liberdade na hora de escolher seus auxiliares. Nas duas gestões do ex-prefeito, os partidos indicaram seus próprios presidentes, que foram imediatamente nomeados para cargos no 1º escalão, levando seus apaniguados para o 2º.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.