A UEG e as mudanças necessárias

**Almiro Marcos é chefe da Comunicação Setorial da Universidade Estadual de Goiás (UEG)

Ninguém desconhece a importância histórica da Universidade Estadual de Goiás (UEG) ao longo das suas mais de duas décadas de existência. Falam por si os números. São mais de 100 mil estudantes formados nos cursos de graduação e pós-graduação ao longo do tempo. E isso graças à capilaridade que democratiza o ensino público superior no Estado, fazendo com que a universidade esteja presente em nada menos do que 39 municípios em todos os quadrantes do chão goiano.

Mas é claro que nem tudo foram flores pelo caminho. Ao longo da trajetória, ela passou a enfrentar uma série de problemas, sejam eles de gestão e administrativos ou acadêmicos. Pela sua estrutura e com um modelo que foi sendo formado durante os anos, a UEG funcionava como se existissem 41 instituições diferentes e independentes (e muitas vezes isoladas) dentro de si mesma. Faltava uma visão integrada de universidade de fato.

Em um quadro em que questões locais se sobrepunham às universais, a impressão que existia era que cada parte puxava para um lado e isso atrapalhava o bom funcionamento do todo. Assim, apesar de toda a sua importância e distribuição espacial, servindo para ofertar educação superior aos goianos perto de suas casas, a UEG foi, por exemplo, perdendo posição nos rankings que medem a qualidade do ensino.

No início de 2019, a universidade acumulava graves problemas administrativos e financeiros, sem contar a falta de unidade acadêmica. A situação não se normalizou ao longo daquele ano, até que, em meados de setembro, com a renúncia do então reitor interino, o Governo de Goiás decidiu agir rápido para tentar dar novo fôlego à instituição. O procurador do Estado Rafael Borges foi nomeado para a reitoria. Com o ritmo que impôs, dentre outras coisas, reorganizou a gestão, cumpriu as medidas judiciais que determinavam a dispensa de servidores e professores temporários, organizou o vestibular de fim de ano e, por último, mas não menos importante, trabalhou no processo de reforma administrativa da UEG.

Já no início de 2020, com a reforma administrativa aprovada pela Assembleia Legislativa e sancionada pelo governador Ronaldo Caiado, o procurador Rafael Borges passou o bastão da reitoria para Valter Gomes Campos, professor efetivo da casa há mais de 10 anos. Tratava-se de mais uma demonstração do compromisso do governo em garantir a autonomia da UEG. Nas mãos de Professor Valter ficou a responsabilidade por dar sequência à implantação dos pontos da reforma e a adoção de medidas para que ocorressem os ajustes acadêmicos, dentre elas, por exemplo, a unificação da grade curricular dos cursos (com isso, a universidade, por exemplo, não conta mais com vários cursos de Direito espalhados pelo Estado, mas apenas com um curso de Direito distribuído em diferentes regiões).
Essa reorganização se tornava necessária para que a instituição tivesse condições de funcionar de fato como uma universidade em que os aspectos acadêmicos estivessem em primeiro lugar e acima de tudo. A Nova UEG foi planejada como um organismo integrado. A visão do conjunto, do todo, prevalece sobre as questões locais e isoladas. As 41 unidades universitárias são ligadas a 8 câmpus regionais do ponto de vista administrativo. Do ponto de vista acadêmico, os professores passam a estar ligados, conforme sua área de formação e/ou atuação, aos recém-criados institutos acadêmicos. E esses são apenas alguns exemplos do amplo processo de mudança pelo qual está passando a UEG.

Pouco depois do início do ano letivo de 2020, ocorreu um fato que pegou o mundo inteiro de surpresa: a pandemia de novo coronavírus (Covid-19). De lá pra cá, alinhada com o trabalho que tem sido desenvolvido pelo Governo de Goiás como um todo, a instituição tomou medidas como forma de prevenir a saúde da comunidade universitária (professores, servidores e alunos) e evitar a propagação da doença. Desde março, a UEG adotou o modelo de aulas remotas para alunos e professores, e de teletrabalho para o setor administrativo.

A escolha do método de aulas não-presenciais, aliás, que chegou a sofrer resistência no início, hoje se mostra a opção mais acertada diante da falta de previsão quanto ao fim ou pelo menos arrefecimento da pandemia. Não seria aceitável nem responsável dar o semestre nem o ano como perdidos. A experiência da UEG, inclusive, deve servir, no restante do ano, de referência para outras instituições goianas de ensino superior que suspenderam todas as atividades no primeiro semestre.

A pandemia tem sido desafiadora para UEG, assim como para toda a sociedade. O novo normal na instituição inclui: aulas remotas com o uso de tecnologia, às quais alunos e professores tiveram que se adaptar; realização de solenidades de colação de grau de maneira on-line; realização de ações e campanhas internas como maneira de contribuir com a sociedade nesse momento tão difícil (exemplo do Seja UEG, Seja Solidário; integração em atividades do Estado na prevenção e combate à Covid-19; realização e participação em estudos e pesquisas dentro do atual cenário de pandemia.

Há muita expectativa em relação ao futuro da UEG, seja ele próximo ou distante. Independentemente do atual contexto emergencial, em que uma pandemia sem precedentes está sendo enfrentada, é certo que as bases para dias melhores foram lançadas. E isso passou por uma correção de rumo e pela adoção de novos pressupostos e paradigmas. Graças à reforma sancionada pelo Governo de Goiás, a UEG tornou-se mais enxuta e organizada como um todo. E poderá passar a focar naquilo que realmente interessa: a oferta de ensino superior de qualidade. As mudanças há muito se tornavam necessárias, como já foi dito, para que a UEG tivesse condições de usar todo o seu potencial de forma plena. E é nesse sentido que o trabalho tem sido desenvolvido.

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