A base da advocacia é quem a sustenta
13 agosto 2026 às 15h44

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Quando se fala em políticas institucionais voltadas às melhorias na advocacia, é fácil supor que elas nascem prontas, numa reunião de diretoria, formuladas de cima para baixo por quem ocupa cargos de direção.
Mas a experiência mostra outra coisa: as políticas que funcionam costumam nascer no trabalho cotidiano, muitas vezes silencioso, das 133 comissões temáticas que compõem a estrutura da OAB em Goiás, formadas pela dedicação voluntária de mais de 10 mil advogadas e advogados.
Neste mês de agosto, quando tradicionalmente celebramos o Mês da Advocacia, convém destacar que é nesses espaços que o diagnóstico sobre um tema se forma, que os relatos se transformam em diretrizes, e que a distância entre o problema enfrentado pela advocacia e a resposta institucional começa a diminuir.
A título de exemplo, o trabalho das comissões dedicadas à mulher advogada, à diversidade e às prerrogativas profissionais levou à atuação institucional junto ao Governo do Estado de Goiás e à Assembleia Legislativa (Alego). O resultado foi a aprovação da Lei nº 24.310/2026, que determina que as delegacias comuniquem à Seccional, em até 48 horas, os casos de violência doméstica e familiar envolvendo advogadas. A medida assegura o sigilo e restringe o acesso ao setor institucional competente para fins de apuração administrativa.
Trata-se de um avanço concreto na rede de proteção às mulheres da advocacia, que não surgiu isoladamente, mas resultou de um amadurecimento construído, em boa medida, pela atuação dessas comissões temáticas.
O monitoramento contínuo de temáticas sensíveis por esses grupos, portanto, é o que sustenta, na prática, a força institucional da OAB.
Fortalecer as comissões é uma prioridade institucional, e não uma pauta acessória. Uma comissão que dialoga com a diversidade e a heterogeneidade da advocacia goiana é capaz de formular respostas específicas para problemas que são, na origem, profundamente específicos.
Gestões mudam, prioridades institucionais se alternam, mas uma comissão bem estruturada preserva a memória institucional, acompanha casos ao longo do tempo e garante que os avanços conquistados não se percam a cada transição de diretoria.
É esse trabalho contínuo, muitas vezes invisível ao público externo, que sustenta a credibilidade das políticas e a solidez da advocacia goiana.

Thaís Sena de Castro
Secretária-geral adjunta da OAB-GO


