Novo presidente da SGPA alerta para crise no agronegócio e critica juros do crédito rural
31 outubro 2026 às 14h50

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Reconduzido à presidência da Sociedade Goiana de Pecuária e Agricultura (SGPA) na sexta-feira, 30, para o biênio 2026/2028, o produtor rural Tasso Jayme demonstrou preocupação com o cenário enfrentado pelo agronegócio brasileiro. Em entrevista exclusiva ao Jornal Opção, o dirigente apontou a combinação entre a queda nos preços das commodities, o aumento dos custos de produção e as altas taxas de juros como fatores que têm comprometido a atividade rural. Segundo ele, o setor atravessa um dos períodos mais difíceis de sua história recente, com reflexos na situação financeira dos produtores e no crescimento dos pedidos de recuperação judicial nos últimos dois anos.
Queda das commodities e aumento dos custos
Entre os principais problemas, Tasso destacou a desvalorização de produtos agrícolas e o encarecimento dos insumos. Ele citou a soja como exemplo: depois de alcançar cerca de R$ 180, a saca chegou a ser comercializada por R$ 105 e, atualmente, registra negociações entre R$ 120 e R$ 125. O milho e a cana-de-açúcar também enfrentam dificuldades, enquanto a pecuária apresenta um cenário relativamente melhor. Para o presidente da SGPA, os custos de produção e as condições de financiamento tornam a situação ainda mais complicada. “As taxas de juros são impraticáveis”, afirmou, ao mencionar que operações de crédito podem alcançar custos efetivos de até 20%.

Governo federal e dificuldades de financiamento
Ao avaliar a atuação do governo federal, Tasso demonstrou preocupação com as políticas de financiamento rural e com a continuidade das dificuldades durante os próximos quatro anos. Segundo ele, existe uma diferença entre os valores anunciados nos planos de crédito e os recursos efetivamente disponibilizados aos produtores nas instituições financeiras. O presidente da SGPA também questionou as taxas cobradas e afirmou que o encarecimento dos equipamentos e dos insumos, acompanhado pela redução dos preços agrícolas, comprometeu a capacidade de investimento no campo. “Existe uma preocupação muito grande do setor, mas o produtor rural não entrega os pontos. Ele produz com ajuda ou sem ajuda do governo”, declarou.
Segurança no campo e expectativa sobre o governo estadual
Ao avaliar a atuação do governo de Goiás, Tasso reconheceu avanços na segurança no campo durante a gestão de Ronaldo Caiado (PSD), principalmente na redução de furtos, roubos e invasões de propriedades. Ele também comentou o Fundo Estadual de Infraestrutura (Fundeinfra), cuja arrecadação foi direcionada a obras rodoviárias, apesar das críticas de produtores à cobrança. Para o dirigente, a expectativa é que o próximo governo estadual, sob o comando de Daniel Vilela (MDB), mantenha o diálogo com o setor e dê continuidade às ações consideradas importantes para o desenvolvimento do agronegócio.
O presidente da SGPA também defendeu uma relação de parceria entre os governos estadual e federal, independentemente de diferenças políticas. “O presidente eleito tem um compromisso com a população e os governadores de todos os estados, sem distinção, têm direito a parcerias e à proteção do Governo Federal”, declarou. Tasso espera que Daniel Vilela consiga estabelecer um canal de diálogo com o governo federal para ampliar o apoio ao produtor goiano.
Apesar das dificuldades, Tasso afirmou que os produtores rurais continuarão trabalhando para manter a produção e a atividade econômica no campo. “O produtor rural não entrega os pontos. Ele produz com ajuda ou sem ajuda do governo”, afirmou.
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