“O Cerrado está extinto e isso leva ao fim dos rios e dos reservatórios de água”

Uma das maiores autoridades sobre o tema, professor da PUC Goiás diz que destruição
do bioma é irreversível e que isso compromete o abastecimento potável em todo o País

Fernando Leite/Jornal Opção

Fernando Leite/Jornal Opção

Elder Dias

Uma ilha ambiental em meio à metrópole está no Campus 2 da Pon­tifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás). É lá o local onde Altair Sales Barbosa idealizou e realizou uma obra que se tornou ponto turístico da capital: o Memorial do Cerrado, eleito em 2008 o local mais bonito de Goiânia e um dos projetos do Instituto do Trópico Subúmido (ITS), dirigido pelo professor.

Foi lá que Altair, um dos mais profundos conhecedores do bioma Cerrado, recebeu a equipe do Jornal Opção. Como professor e pesquisador, tem graduação em Antropologia pela Universidade Católica do Chile e doutorado em Arqueologia Pré-Histórica pelo Museu Nacional de História Natural, em Washington (EUA). Mais do que isso, tem vivência do conhecimento que conduz.

É justamente pela força da ciência que ele dá a notícia que não queria: na prática o Cerrado já está extinto como bioma. E, como reza o dito popular, notícia ruim não vem sozinha, antes de recuperar o fôlego para absorver o impacto de habitar um ecossistema que já não existe, outra afirmação produz perplexidade: a devastação do Cer­rado vai produzir também o desaparecimento dos reservatórios de água, localizados no Cerrado, o que já vem ocorrendo — a crise de a­bastecimento em São Paulo foi só o início do problema. Os sinais dos tempos indicam já o começo do período sombrio: “Enquanto se es­tá na fartura, você é capaz de re­partir um copo d’água com o ir­mão; mas, no dia da penúria, ninguém repartirá”, sentencia o professor.

“Memorial do Cerrado” – o nome deste espaço de preservação criado pelo sr. aqui no Campus 2 da PUC Goiás, é uma expressão pomposa. Mas, tendo em vista o que vivemos hoje, é algo quase que tristemente profético. O Cerrado está mesmo em vias de extinção?
Para entender isso é preciso primeiramente entender o que é o Cerrado. Dos ambientes recentes do planeta Terra, o Cerrado é o mais antigo. A história recente da Terra começou há 70 milhões de anos, quando a vida foi extinta em mais de 99%. A partir de então, o planeta começou a se refazer novamente. Os primeiros sinais de vida, principalmente de vegetação, que ressurgem na Terra se deram no que hoje constitui o Cerrado. Por­tanto, vivemos aqui no local onde houve as formas de ambiente mais antigas da história recente do planeta, principalmente se levarmos em consideração as formações vegetais. No mínimo, o Cerrado começou há 65 milhões de anos e se concretizou há 40 milhões de anos.

O Cerrado é um tipo de am­biente em que vários elementos vi­vem intimamente interligados uns aos outros. A vegetação depende do solo, que é oligotrófico [com nível muito baixo de nutrientes]; o solo depende de um tipo de clima especial, que é o tropical subúmido com duas estações, uma seca e outra chuvosa. Vários outros fatores, incluindo o fogo, influenciaram na formação do bioma – o fogo é um elemento extremamente importante porque é ele que quebra a dormência da maioria das plantas com sementes que existem no Cerrado.

Assim, é um ambiente que de­pen­de de vários elementos. Isso significa que já chegou em seu clímax evolutivo. Ou seja, uma vez degradado não vai mais se recuperar na plenitude de sua biodiversidade. Por isso é que falamos que o Cerrado é uma matriz ambiental que já se encontra em vias de extinção.

Por que o sr. é tão taxativo?
Uma comunidade vegetal é medida não por um determinado tipo de planta ou outro, mas, sim, por comunidades e populações de plantas. E já não se encontram mais populações de plantas nativas do Cerrado. Podemos encontrar uma ou outra espécie isolada, mas encontrar essas populações é algo praticamente impossível.

Outra questão: o solo do Cerrado foi degradado por meio da ocupação intensiva. Retiraram a gramínea nativa para a implantação de espécies exóticas, vindas da África e da Austrália. A introdução dessas gramíneas, para o pastoreio, modificou radicalmente a estrutura do solo. Isso significa que naquele solo, já modificado, a maioria das plantas não conseguirá brotar mais.

Como se não bastasse tudo isso, o Cerrado foi incluído na política de ex­pansão econômica brasileira co­mo fronteira de expansão. É uma á­rea fácil de trabalhar, em um planalto, sem grandes modificações geomorfológicas e com estações bem definidas. Junte-se a isso toda a tecnologia que hoje há para correção do solo. É possível tirar a acidez do solo utilizando o calcário; aumentar a fertilidade, usando adubos. Com isso, altera-se a qualidade do solo, mas se afetam os lençóis subterrâneos e, sem a vegetação nativa, a água não pode mais infiltrar na terra.

Onde há pastagens e cultivo, então, o Cerrado está inviabilizado para sempre, é isso?
Onde houve modificação do solo a vegetação do Cerrado não brota mais. O solo do Cerrado é oligotrófico, carente de nutrientes básicos. Quando o agricultor e o pecuarista enriquecem esse solo, melhorando sua qualidade, isso é bom para outros tipos de planta, mas não para as do Cerrado. Por causa disso, não há mais como recuperar o ambiente original, em termos de vegetação e de solo.

Mas o mais importante de tudo isso é que as águas que brotam do Cerrado são as mesmas águas que alimentam as grandes bacias do continente sul-americano. É daqui que saem as nascentes da maioria dessas bacias. Esses rios todos nascem de aquíferos. Um aquífero tem sua área de recarga e sua área de descarga. Ao local onde ele brota, formando uma nascente, chamamos de área de descarga. Como ele se recarrega? Nas partes planas, com a água das chuvas, que é absorvida pela vegetação nativa do Cerrado. Essa vegetação tem plantas que ficam com um terço de sua estrutura exposta, acima do solo, e dois terços no subsolo. Isso evidencia um sistema radicular [de raízes] extremamente complexo. Assim, quando a chuva cai, esse sistema radicular absorve a água e alimenta o lençol freático, que vai alimentar o lençol artesiano, que são os aquíferos.

Quando se retira a vegetação na­tiva dos chapadões, trocando-a por outro tipo, alterou-se o ambiente. Ocorre que essa vegetação introduzida – por exemplo, a soja ou o al­go­dão ou qualquer outro tipo de cul­tura para a produção de grãos – tem uma raiz extremamente superficial. Então, quando as chuvas caem, a água não infiltra como deveria. Com o passar dos tempos, o nível dos lençóis vai diminuindo, afetando o nível dos aquíferos, que fica menor a cada ano.

As plantas  do cerrado são de crescimento muito lento. Quando Pedro Álvares Cabral chegou ao Brasil, os Buritis que vemos hoje estavam nascendo. eles demoram 500 anos para ter de 25 a 30 metros. também por isso, o dano ao bioma é irreversível

Qual é a consequência imediata desse quadro?
Em média, dez pequenos rios do Cerrado desaparecem a cada ano. Esses riozinhos são alimentadores de rios maiores, que, por causa disso, também têm sua vazão diminuída e não alimentam reservatórios e outros rios, de que são afluentes. Assim, o rio que forma a bacia também vê seu volume diminuindo, já que não é abastecido de forma suficiente. Com o passar do tempo, as águas vão desaparecendo da área do Cerrado. A água, então, é outro elemento importante do bioma que vai se extinguindo.

Hoje, usa-se ainda a agricultura irrigada porque há uma pequena reserva nos aquíferos. Mas, daqui a cinco anos, não haverá mais essa pequena reserva. Estamos colhendo os frutos da ocupação desenfreada que o agronegócio impôs ao Cerrado a partir dos anos 1970: entraram nas áreas de recarga dos aquíferos e, quando vêm as chuvas, as águas não conseguem infiltrar como antes e, como consequência, o nível desses aquíferos vai caindo a cada ano. Vai chegar um tempo, não muito distante, em que não haverá mais água para alimentar os rios. Então, esses rios vão desaparecer.

Por isso, falamos que o Cerrado é um ambiente em extinção: não existem mais comunidades vegetais de formas intactas; não existem mais comunidades de animais – grande parte da fauna já foi extinta ou está em processo de extinção; os insetos e animais polinizadores já foram, na maioria, extintos também; por consequência, as plantas não dão mais frutos por não serem polinizadas, o que as leva à extinção também. Por fim, a água, fator primordial para o equilíbrio de todo esse ecossistema, está em menor quantidade a cada ano.

Como é a situação desses aquíferos atualmente?
Há três grandes aquíferos na região do Cerrado: o Bambuí, que se formou de 1 bilhão de anos a 800 milhões de anos antes do momento presente; os outros dois são divisões do Aquífero Guarani, que está associado ao Arenito Botucatu e ao Arenito Bauru que começou a se formar há 70 milhões de anos. O Guarani alimenta toda a Bacia do Rio Paraná: a maior parte dos rios de São Paulo, de Mato Grosso, de Mato Grosso do Sul – incluindo o Pantanal Mato-Grossense – e grande parte dos rios de Goiás que correm para o Paranaíba, como o Meia Ponte. Toda essa bacia depende do Aquífero Guarani, que já chegou em seu nível de base e está alimentando insuficientemente os rios que dependem dele. Por isso, os rios da Bacia do Paraná diminuem sua vazão a cada ano que passa.

Então, podemos ter nisso a explicação para a crise da água em São Paulo?
Exato. Como medida de urgência, já estão perfurando o Arenito Bauru – que é mais profundo que o Botucatu, já insuficiente –, tentando retirar pequenas reservas de água para alimentar o sistema Cantareira [o mais afetado pela escassez e que abastece a capital paulista]. Mesmo se chover em grande quantidade, isso não será suficiente para que os rios juntem água suficiente para esse reservatório.

Assim como ocorre no Can­tareira, outros reservatórios espalhados pela região do Cerrado – Sobradinho, Serra da Mesa e outros – vão passar pelo mesmo problema. Isso porque o processo de sedimentação no fundo do lago de um reservatório é um processo lento. Os sedimentos vão formando argila, que é uma rocha impermeável. Então, a água daquele lago não vai alimentar os aquíferos. Mesmo tendo muita quantidade de água superficial, ela não consegue penetrar no solo para alimentar os aquíferos. Se não for usada no consumo, ela vai simplesmente evaporar e vai cair em outro lugar, levada pelas correntes aéreas. Isso é outro motivo pelo qual os aquíferos não conseguem recuperar seu nível, porque não recebem água.

Geologicamente sendo o mais antigo, seria natural que o Cerrado fosse o primeiro bioma a desaparecer. Mas isso em escala geológica, de milhões de anos. Mas, pelo que o sr. diz, a antropização [ação humana no ambiente] multiplicou em muitíssimas vezes esse processo de extinção.

Sim. Até meados dos anos 1950, tínhamos o Cerrado praticamente intacto no Centro-Oeste brasileiro. Desde então, com a implantação de infraestrutura viária básica, com a construção de grandes cidades, como Brasília, criou-se um conjunto que modificou radicalmente o ambiente. A partir de 1970, quando as grandes multinacionais da agroindústria se apossaram dos ambientes do Cerrado para grandes monoculturas, aí começa o processo de finalização desse bioma. Ou seja, o homem sendo responsável pelo fim desse ambiente que é precioso para a história do planeta Terra.

Em que o Cerrado é tão precioso?
De todas as formas de vegetação que existem, o Cerrado é a que mais limpa a atmosfera. Isso ocorre porque ele se alimenta basicamente do gás carbônico que está no ar, porque seu solo é oligotrófico.

Diz-se que o Cerrado é o contrário da Amazônia: uma floresta invertida, em confirmação à definição que o sr. deu sobre o fato de dois terços de cada planta do Cerrado estarem debaixo da terra. Ou seja, a destruição do Cerrado é muito mais séria do que alcança a nossa visão com o avanço da fronteira agrícola. É uma devastação muito maior, porque também ocorre longe dos olhos, subterrânea.

Isso faz sentido, porque, na parte subterrânea, além do sequestro de carbono está armazenada a água, sem a qual não prospera nenhuma atividade econômica. A Amazônia terminou de ser formada há apenas 3 mil anos, um processo que começou há 11 mil anos, com o fim da glaciação no Hemisfério Norte. A configuração que tem hoje existe na plenitude só há 3 mil anos. A Mata Atlântica tem 7 mil anos. São ambientes que, se degradados, é possível recuperá-los, porque são novos, estão em formação ainda.

Já com o Cerrado isso é impossível, porque suas árvores já atingiram alto grau de especialização. Tanto que o processo de quebra da dormência de determinadas sementes são extremamente sofisticados. Uma semente de araticum, por exemplo, só pode ter sua dormência quebrada no intestino delgado de um canídeo nativo do Cerrado – um lobo guará, uma raposa. Como esses animais estão em extinção, fica cada vez mais difícil quebrar a dormência de um araticum, que é uma anonácea [família de plantas que inclui também a graviola e a ata (fruta-do-conde), entre outras].

As abelhas europeias e africanas são recentes, foram introduzidas no século passado. O professor Warwick Kerr, que introduziu a abelha africana no Brasil, na década de 1950, ainda é vivo e atua na Universidade Federal de Uber­lândia (UFU). São boas produtoras de mel, mas não estão adaptadas para fazer a polinização das plantas do Cerrado. As abelhas nativas do Cerrado, que não tem ferrão e são chamadas de meliponinas – jataí, mandaçaia, uruçu – eram os maiores agentes polinizadores naturais, juntamente com os insetos, em função de sua anatomia. Hoje estão praticamente extintas, como esses insetos, pelo uso de herbicidas e outros tipos de veneno, que combatiam pragas de vegetações exóticas em lavouras e pastagens. Quando se utiliza o pesticida para extinguir essas pragas também se mata o inseto nativo, que é polinizador das plantas do Cerrado. Por isso, se encontram muitas plantas nativas sem fruto, por não terem sido polinizadas.

A flora do Cerrado é geralmente desprezada. O que ela representa, de fato?
Nós vivemos em meio à mais diversificada flora do planeta. O Cerrado contém a maior biodiversidade florística. Isso não está na Amazônia, nem na Mata Atlântica, nem em uma savana africana ou em uma savana australiana. Nem qualquer outro ambiente da Terra. São 12.365 plantas catalogadas no Cerrado. Só as que conhecemos. A cada expedição que fazemos, cada vez que vamos a campo, pelo menos 50 novas espécies são descobertas. Dessas 12.365 plantas conhecidas, somos capazes de multiplicar em viveiro apenas 180. Isso é cerca de 1,5% do total, quase nada em relação a esse universo. E só conseguimos fazer mudas de plantas arbóreas.

Para as demais, que são extremamente importantes para o equilíbrio ecológico, para o sequestro de carbono e para a captação de água, não temos tecnologia para fazer mudas. Por exemplo, o capim-barba-de-bode, a canela-de-ema, a arnica, o tucum-rasteiro, esses dois últimos com raízes extremamente complexas. Se tirarmos um tucum-rasteiro, que está no máximo 40 centímetros acima do nível do solo, e olharmos seu tronco, vamos encontrar milhares ou até milhões de raízes grudados naquele tronco. Se tirarmos um pedaço pequeno dessas raízes e levarmos ao microscópio, veremos centenas de radículas que saem delas. Uma pequena plantinha com um sistema radicular extremamente complexo, que retém a água e alimenta os diversos ambientes do Cerrado. É algo que não se consegue reproduzir em viveiro, porque não há tecnologia. O que conseguimos é em relação a algumas plantas arbóreas.

Outro aspecto que indica que o Cerrado já entrou em vias de extinção é que as plantas do Cerrado são de crescimento muito lento. Uma canela-de-ema atinge a idade adulta com mil anos de idade. O capim-barba-de-bode fica adulto com 600 anos. Um buriti atinge 30 metros de altura com 500 anos. Nossas veredas – que existiam em abundância até pouco tempo – eram compostas de plantas “nenês” quando Pedro Álvares Cabral chegou ao Brasil, estavam nascendo naquela época e sua planta mais comum, o buriti, está hoje com 25 metros, 30 metros.

“Tragédia urbana começa com drama no campo”

Mas a tecnologia e a biotecnologia não fornecem nenhuma alternativa para mudar esse quadro?
Para se ter ideia da complexidade, vamos tomar o caso do buriti, que só pode ser plantado em uma lama turfosa, cheia de turfa, com muita umidade. Se o solo estiver seco, o buriti não vai vingar ali. Mas, mesmo se conseguíssemos plantar – o que é difícil, porque não existe mais o solo apropriado –, aquele buriti só atingiria a idade adulta e dar frutos depois de muitos séculos. Então, não tem como tentar dizer que se pode usar técnicas para revitalizar o Cerrado. Isso é praticamente impossível.

A interface do Cerrado, para falar em uma linguagem moderna, não é amigável para o uso da tecnologia conhecida. Não tem como acelerar o crescimento de um buriti como se faz com a soja.
Não dá para fazer isso, até porque as plantas do Cerrado convivem com uma porção de outros elementos que, para outras plantas, seriam nocivos. Por exemplo, certos fungos convivem em simbiose com espécies do Cerrado. Um simples fungo pode impedir a biotecnologia. Seria possível desenvolver, por meio de tecidos, tal planta em laboratório. Mas sem aquele fungo a planta não sobrevive. E com o fungo, mas em laboratório, ela também não se desenvolve. Ou seja, é algo extremamente complicado, mais do que podemos imaginar.

Mesmo que os mais pragmáticos menosprezem a importância de um determinado animal ou uma “plantinha” em relação a uma obra portentosa, como uma hidrelétrica, há algo que está sob ameaça com o fim do Cerrado, como a água. Isso é algo básico para todos. A contradição é que o Cerrado – assim como a caatinga e os pampas – não são ainda patrimônio nacional, ao contrário da Mata Atlântica, o Pantanal e a Amazônia. Há uma lei, a PEC 115/95 [proposta de emenda constitucional], de autoria do então deputado Pedro Wilson (PT-GO), que pede essa isonomia há quase 20 anos. Essa lei ajudaria alguma coisa?
Na prática, não poderia ajudar mais em nada, porque o que tinha de ser ocupado do Cerrado já foi. O bioma já chegou em seu limiar máximo de ocupação. Mas o governo brasileiro é tão maquiavélico e inteligente que, para evitar maiores discussões, no ano passado redesenhou todo o mapa ambiental brasileiro. Dessa forma, separou o Pantanal do Cerrado – embora o primeiro seja um subsistema do segundo –, transformou-o em patrimônio nacional e a área do Cerrado já ocupada foi ignorada e incluída no plano de desenvolvimento como área de expansão da fronteira agrícola. Ou seja, o Cerrado, em sua totalidade, já foi contemplado para não ser protegido.

O que os parques nacionais poderiam agregar em uma política de subsistência do Cerrado?
Existe um manejo inadequado dos parques existentes na região do Cerrado. Esse manejo começa com o fogo, quando se cria uma brigada para evitar incêndios no Parque Nacional das Emas, por exemplo. O fogo natural é importante para a preservação do Cerrado. Ora, se se trabalha com o intuito de preservar o Cerrado é preciso conviver com o fogo; agora, se se trabalha com a visão do agrônomo, o fogo é prejudicial, porque acentua o oligotrofismo do solo. O Cerrado precisa desse solo oligotrófico, mas, se o fogo é eliminado, as condições do solo serão alteradas e a planta nativa vai deixar de existir, porque o solo vai adquirir uma melhoria e aquela planta precisa de um solo pobre. Assim, quando se barra o uso do fogo em um parque de Cerrado, o trabalho se dá não com a noção de preservação do ambiente, mas dentro da visão da agricultura. Raciocina-se como agrônomo, não como biólogo.

Outra questão nos parques é que o entorno dos parques já foi tomado por vegetações exóticas. Entre essas vegetações existe o brachiaria, que é uma gramínea extremamente invasora que, à medida que espalha suas sementes, alcança até as áreas dos parques, tomando o lugar das gramíneas nativas. No Parque Nacional das Emas já temos gramínea que não é nativa, o que faz com que haja também vegetação arbórea, de porte maior, também não nativa. Os animais, em função do isolamento do parque, não têm mais contato com áreas naturais, como os barreiros, que forneceriam a eles cálcio e sais naturais. Quando encontramos um osso de animal morto em um parque vemos que está sem calcificação completa, porque falta esse elemento, que é obtido lambendo cinzas queimadas ou visitando os barreiros, que são salinas naturais em que existe esse o elemento. Geralmente há poucos barreiros nos parques, o que torna mais difícil a sobrevivência do animal, que acaba entrando em vias de extinção, o que está acontecendo.

Não há, em nenhum parque nacional criado, aumento da vegetação nativa ou da fauna nativa. O que há é a diminuição dos caracteres nativos daquela vegetação, bem como da fauna. Isso prova que esse isolamento não trouxe benefícios. O que poderia funcionar seria se essas áreas de preservação estivessem interligadas por meio de corredores de migração faunística. Isso evitaria uma série de erros cometidos quando se delimita uma área.

Mas, pelo que o sr. diz, hoje isso seria impossível.
Praticamente impossível, por­que as matas ciliares, que de­ve­riam servir como corredores ecológicos, de migração, foram totalmente degradadas. A maioria dos rios foi ocupada, em suas margens, por ambientes urbanos, com a presença do homem, que é um elemento extremamente predatório. Mais que isso: os sistemas agrícolas implantados chegam, em alguns locais, até a margem de córregos e rios, impedindo, também, a existência desses corredores de migração.

Fica, assim, um cenário praticamente inviável. É triste falar isso , mas, na realidade, falamos baseados em dados científicos, no que observamos. Sou o amante número um do Cerrado. Gostaria que ele existisse durante milhões e milhões de anos ainda, mas infelizmente não é isso que vemos acontecer. Se, por exemplo, você observar as nascentes dos grandes rios, verá que elas ou estão secando ou estão migrando cada vez mais para áreas mais baixas. Quando isso ocorre, é sinal de que o lençol que abastece essa nascente está rebaixando.

Observe, por exemplo, o caso das nascentes do Rio São Francis­co, na Serra da Canastra; o caso das nascentes do Rio Araguaia ou do Rio Tocantins, que tem o Rio Uru em sua cabeceira mais alta. A cada dia que passa as nascentes vão descendo mais. Vai ocorrer o dia em que chegarão ao nível de base do lençol que as abastece e desaparecerão.

Ao mesmo tempo em que o­cor­re esse fenômeno, temos um au­mento rápido do consumo de água.
Há o aumento da população. Mas, além do mais, o Cerrado entrou, nos últimos anos, por um processo extremamente complicado, que chamamos de desterritorialização. O grande capital chegou às áreas do Cerrado e expulsou os posseiros que lá moravam, por meio da falsificação de documentos, da negociata com cartórios e com políticos. Com a grilagem, adquiriu milhares de hectares e tirou os moradores antigos da região. Isso desestruturou comunidades inteiras.

Isso ainda ocorre em Goiás e em diversos lugares?
Ocorreu e está ocorrendo. E o que isso provoca? O aumento das cidades. Quase não há mais cidadezinhas na região do Cerrado, elas são de médio ou grande porte, porque a população do campo, desamparada e sem terra, veio para a zona urbana. Essas pessoas vêm buscar abrigo na cidade, que oferece a eles algum tipo de serviço. Na cidade, se transformam em outro tipo de categoria social: os sem-teto. Estes vivem aqui e ali, ocupando as áreas mais periféricas da cidade. Vão ocupar planícies de inundação, beiras de córregos, entre outros ambientes desorganizados.

Um homem que vive em um ambiente assim, que nasce, é criado e compartilha dessa desorganização, terá uma mente que tende a ser desorganizada. Ou seja, ao fazer a desterritorialização trabalhamos contra a formação de pessoas sadias. Formamos pessoas transtornadas, mutiladas mentalmente, ocupando as periferias. Não existe plano diretor que dê conta de acompanhar o desenvolvimento das áreas urbanas no Brasil, porque a cada dia chegam novas famílias nessas áreas.

Crescendo em um ambiente desorganizado, sem perspectivas para o futuro, essas pessoas acabam caindo em neuroses para a fuga. A neurose mais comum desse tipo é o uso de drogas. Acabam cometendo o que chamamos de atos ilícitos, mas provocados por uma situação socioeconômica de limitação, vivendo em ambientes precários. Essas pessoas constroem sua vida nesses locais, formam famílias e passam anos ou décadas nesses locais. Só que um dia vem um fenômeno natural qualquer – como El Niño ou La Niña – que, por exemplo, acomete aquele local com uma quantidade muito maior de chuva. Então, o córrego enche e encontra, em sua área de inundação, os barracos daquela população. Aí começa a tragédia urbana, com desabrigados e mortos. Aumenta, ainda mais, o processo de sofrimento no qual estão inseridas essas populações.

Hoje vejo muitos profissionais, principalmente arquitetos, falando em mobilidade urbana. Falam em construir monotrilhos, linhas específicas para ônibus, corredores para bicicletas, mas ninguém toca na ferida: o problema não está ali, mas na desestruturação do homem do campo. Quanto mais se desestrutura o campo, mais pessoas vêm para a cidade, que não consegue absorvê-las, por mais que se implantem linhas novas, estações e bicicletários. O problema está no drama do campo, não na cidade.

Antigamente, se usava a expressão “fixação do homem no campo”. Isso parece que ficou para trás na visão dos governos.
Desistiram porque o que manda é o grande capital. Os bancos estatais se alegram com as safras recordes, fazem propaganda disso. Eles patrocinam os grandes proprietários, só que estes não têm grande quantidade de funcionários, têm uma agricultura intensiva, mecanizada. Isso não ajuda de forma alguma a manter as pessoas na zona rural.

Uma notícia grave é a extinção do Cerrado. Outra, tão ou mais grave, que – pelo que o sr. diz – já pode ser dada, é que em pouco tempo não teremos mais água. A crise da água no Brasil é uma bomba-relógio?
A extinção do Cerrado envolve também a extinção dos grandes mananciais de água do Brasil, porque as grandes bacias hidrográficas “brotam” do Cerrado. O Rio São Francisco é uma consequência do Cerrado: ele nasce em área de Cerrado e é alimentado, em sua margem esquerda, por afluentes do Cerrado: Rio Preto, que nasce em Formosa (GO); Rio Paracatu (MG); Rio Carinhanha, no Oeste da Bahia; Rio Formoso, que nasce no Jalapão (TO) e corre para o São Francisco. Se há a degradação do Cerrado, não há rios para alimentar o São Francisco. Você po­de contar no mínimo dez afluentes por ano desses grandes rios que estão desaparecendo.

Professor Altair Sales fala ao jornalista Elder Dias: "A proteção das águas tinha de ser questão de segurança nacional”

Professor Altair Sales fala ao jornalista Elder Dias: “A proteção das águas tinha de ser questão de segurança nacional”

Como o sr. analisa a transposição do Rio São Francisco?
É um ato muito mais político do que científico. Ela atende muito mais a interesses políticos de grandes proprietários do Nordeste na área da Caatinga, no sertão nordestino. A transposição está sendo feita em dois canais, um norte, com 750 quilômetros e outro, leste, com pouco mais de 600 quilômetros. A água é sugada da barragem de Sobradinho (BA), através de uma bomba, para abastecer esses canais, com 10 metros de profundidade e largura de 25 metros. Ao fazer essa obra, se altera toda a mecânica do São Francisco: o rio, que corria lento, passa a correr mais rapidamente, porque está tendo sua água sugada. Seus afluentes, então, também passam a seguir mais velozes. Isso acelera o processo de assoreamento e de erosão.

Consequente­mente, aceleram a morte dos afluentes. Fazer a transposição do São Francisco simplesmente é estabelecer uma data para a morte do rio, para seu desaparecimento total. Podem até atender interesses econômicos e sociais de maneira efêmera, em curto prazo, mas em dez anos acabou tudo.

E será um processo rápido, assim?
Sim, é um processo de décadas. Basta ver o Rio Meia Ponte, na altura do Setor Jaó. Onde havia uma bonita cachoeira, na antiga barragem, há só um filete d’água. O nível da água do Meia Ponte é o mesmo do Córrego Botafogo há décadas atrás. Este praticamente não existe mais, a não ser por uma nascente muito rica no Jardim Botânico, que ainda o alimenta. Mas ele só parece mesmo exis­tir quando as chuvas o en­chem rapidamente. Mas, no outro dia, ele vira novamente um filete.

Goiânia foi planejada em função também dos cursos d’água. Tendo em vista o que ocorre hoje, podemos dizer que ela é, então, o cenário de uma tragédia hidrográfica?
Eu não diria que apenas Goiânia está realmente dessa forma. Mas foi toda uma política de ocupação do centro e do interior do Brasil que motivou essa ocupação desordenada, desde a época da Fundação Brasil Central, da Expedição Roncador–Xingu, depois a construção de Goiânia e de Brasília, a divisão de Mato Grosso e a criação do Tocan­tins. Isso é fruto do capital dinâmico que transforma a realidade. Vem uma urbanização rápida de áreas de campo, aumentando as ilhas de calor e, consequentemente, pela pavimentação, impedindo que as águas das chuvas se infiltrem para alimentar os mananciais que deram origem a essas mesmas cidades. Se continuar dessa forma, com esse tipo de desordenamento, podemos prever grandes colapsos sociais e econômicos no Centro-Oeste do Brasil. E não só aqui, mas nas áreas que aqui brotam.

O que significa quase toda a área do Brasil, não?
Sim, até mesmo a Amazônia. O Rio Amazonas é alimentado por três vetores: as águas da Cordilheira dos Andes, que é um sistema de abastecimento extremamente irregular; as águas de sua margem esquerda, principalmente do Solimões, que também é irregular, em que duas estiagens longas podem expor o assoreamento, ilhas de areias – ali foi um deserto até bem pouco tempo, chamado Deserto de Óbidos. Ou seja, o Amazonas é alimentado mesmo pelos rios que nascem no Cerrado, como Teles Pires (São Manuel), Xingu, Tapajós, Madeira, Araguaia, Tocantins. Estes caem quase na foz do Amazonas, mas contribuem com grande parte de seu volume. Ou seja, temos o São Francisco, já drasticamente afetado; o Amazonas, também afetado; e a Bacia do Paraná, afetada quase da mesma forma que o São Francisco, provavelmente com período de vida muito curto.

Será um processo tão rápido assim?
Uma vez que se inicia tal processo de degradação e de diminuição drástica do nível dos lençóis, isso é irreversível. Em alguns casos duram algumas décadas; em outros, até menos do que isso. Temos exemplos clássicos no mundo de transposições de rios que não deram certo e até secaram mares inteiros. No Mar de Aral, no Leste Europeu, há navios ancorados em sal. Sua drenagem é endorreica, fechada, sem saída para o oceano. A União Soviética, na ânsia de se tornar autossuficiente na produção de algodão, fez a transposição dos dois rios que abasteciam o mar. Resultado: no prazo de uma década, as plantações não vingaram, o mar secou e uma grande quantidade de tempestades de poeira e sal afetam 30 milhões de pessoas, causando doenças respiratórias graves, incluindo o câncer.

Com nossos rios, acontecerá o mesmo processo. A diferença é que o processo de ocupação aqui foi relativamente recente, a partir dos anos 1970. São 40 e poucos anos. Ou seja: em menos de meio século, se devastou um bioma inteiro. Não acabou totalmente porque ainda há um pouco de água. Mas, quando isso acabar, imagine as convulsões sociais que ocorrerão. Enquanto se está na fartura, você é capaz de repartir um copo d’água com o irmão; mas, no dia da penúria, ninguém repartirá. Isso faz parte da natureza do ser humano, que é essencialmente egoísta. Isso está no princípio da evolução da humanidade. A Igreja Católica chama isso de “pecado original”, mas nada mais é do que o egoísmo, apossar-se de determinados bens e impedir que outros usufruam deles. Isso já levou outros povos e raças à extinção. E pode nos levar também à extinção.

Até bem pouco tempo tínhamos duas humanidades: o homem-de-neanderthal, o Homo sapiens neanderthalensis; e o Homo sapiens sapiens. Hoje podemos falar também em duas humanidades: uma humanidade subdesenvolvida, tentando soerguer em meio a um lodo movediço; e outra humanidade, que nada na opulência. A questão é que, se essa situação persistir, brevemente teremos a pós e a sub-humanidade.

É um cenário doloroso.
É doloroso, mas são os dados que a ciência mostra. Tem jeito, tem perspectiva para um futuro melhor? Possivelmente, a saída esteja na pesquisa. Mas uma pesquisa precisa de um longo tempo para que apareçam resultados positivos. E nossas universidades não incentivam a pesquisa, o que é muito triste, porque essa é a essência de uma universidade.

O sr. vê, em algum lugar do mundo, trabalhos e pesquisas pensando em um mundo mais sustentável?
Não. O que existe é muito localizado e incipiente. Não tem grande repercussão. Mas, mesmo se fossem proveitosas, jamais poderiam ser aplicadas ao Cer­rado, que é um ambiente muito peculiar. Teria de haver pesquisa dirigida especialmente para nosso bioma. Como recuperar uma nascente de Cerrado? Eu não sei dizer. Um engenheiro ambiental também não lhe dará resposta. Nenhum cientista brasileiro sabe a resposta, porque não temos pesquisas sobre isso. Talvez poderíamos ter um futuro melhor se houvesse investimentos em pesquisa.

E a educação ocupa que papel nesse contexto sombrio?
Nós, como educadores, deveríamos pensar mais nisso – e eu penso: talvez ainda seja tempo de salvar o que ainda resta, mas se não dermos uma guinada muito violenta não terá como fazer mais nada. É preciso haver real mudança de hábitos e mudar a forma de observar os bens patrimoniais do planeta e da nossa região. A água tinha de ser uma questão de segurança nacional. A vegetação nativa, da mesma forma. Os bens naturais teriam de ser tratados assim também, porque deles depende o bem-estar das futuras gerações. Mas isso só se consegue com investimento muito alto em educação, mudando mentalidade de educadores. As escolas têm de trabalhar a consciência e não apenas o conhecimento. Uma coisa é conhecer o problema; outra, é ter consciência do problema. A consciência exige um passo a mais. Exige atitude revolucionária e radical. Ou mudamos radicalmente ou plantaremos um futuro cada vez pior para as gerações que virão.

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Excelente entrevista. Muito esclarecedora. Parabéns!

Texto chocante e muito triste…

Querido Elder, que entrevista dura de ler, pelas notícias que nos traz! Conheci o Altair quando minha esposa estagiou no Memorial do Cerrado por volta de 2003 e é triste ver que depois desses anos, o cenário só piorou.

Temos difíceis vem aí.

Excelente exposição do Prof. Altair Sales. Como cidadão consciente considero a melhor literatura sobre a realidade que extinguiu o bioma Cerrado. Por falta de tempo, adiei várias audiências c/ o Professor Sales, encontro sempre motivado pelos amigos Ortizon Filho e convites do Prof. Agostinho Carneiro. Foi melhor, pois agora tenho ampla noção dos conhecimentos, dedicação e carinho dos Mestres do Instituto do Trópico Subúmido (ITS), voltados à conservação do Cerrado Nacional.

mais que pró – fé – sor, o seo Altair é um educador

Adorei a entrevista! Precisa ser divulgada! E que absurdo o Governo não dar o devido valor ao Cerrado, e permitir que seja incluído no plano de desenvolvimento e não de conservação, isso é preocupante.

Antônio Gonçalves Rocha Júnior
Parabéns pela entrevista. Simplesmente chocante. Mas o pior é que sabemos que não existe alternativa no atual cenário político e econômico. Os dois principais candidatos ao governo do estado estão comprometidos até a medula com o setor do agronegócio. O senador eleito por Goiás, Caiado, é historicamente comprometido com o agronegócio. Todos eles defendem abertamente a manutenção do crescimento econômico, que pelo modelo atual significa uma maior devastação do cerrado. Portanto, no meu ponto de vista, a única solução possível e urgente é o estabelecimento de um modelo econômico que possa controlar o “mercado”, que possa substituir o agronegócio por… Leia mais

Todos os modelos econômicos apresentados nas últimas eleições nos levam para o abismo ambiental … os países desenvolvidos não abrem mão de seu padrão de consumo e os emergentes estão animados pq parece que “agora é a nossa vez”.O Brasil, o “mercado”, as instituições e o povo brasileiro precisam ser refundados. E eu feliz da vida com a transposição do São Francisco … água para o povo nordestino …

Pedro Freitas Rio de Janeiro R
Professor Altair Sales Barbosa é, sem dúvida, um dos maiores estudiosos do assunto e sua opinião, como sempre, muito pertinente para o momento que vivemos. O Cerrado é o berço de águas do Brasil e sua ocupação, sem critérios, implica sim em alteração no regime hídrico que prejudicam o fornecimento de água potável nas cidades, a disponibilidade de água para a produção de alimentos, com ou sem irrigação, as atividades agroindustriais e, no final, a qualidade de vida de humanos, animais e de toda a flora. Substituir a vegetação natural de cerrado por lavouras e pastagens exige uma quota de… Leia mais
Obrigada pela entrevista! Extremamente educacional p/ mim. Perguntas que me vieram à cabeça – não é possível melhorar a situação fazendo: 1- buracos profundos com pedras para captar a água das chuvas e reabastecer os aquiferos? (Vi algo assim sendo feito na India – muitos buracos relativamente pequenos). 2 – Mudar o tipo de pavimentação das cidades para algum material permeável ? 3 – Educar a população e sobretudo os construtores e fornecedores de materiais de construção, não permitindo o uso externo de coberturas de solo impermeáveis? Isto óbviamente em paralelo com pesquisas voltadas a recobrar o cerrado (o que… Leia mais
a questão é, e sempre foi, a questão da propriedade privada. O que é o público e o que é o privado? Onde se originou essa distinção? Cui bono? Algumas perguntinhas básicas (quem detém a propriedade privada do dinheiro pode fazer o que quiser com ele? quem detém a propriedade privada do conhecimento pode fazer o que quiser com ele? Quem detém a propriedade privada da terra pode fazer o que quiser com ela? Ééé, camará… Ou nos transformamos todos – movidos pela necessidade – em educadores e educandos, ao mesmo tempo – sendo que Educação e Política serão doravante… Leia mais

Bastante esclarecedora a entrevista, mas muito triste também, tanto a situação desse bioma, quanto ao descaso dos que deveriam investir na conscientização e mudanças de hábitos da população. Enquanto isso,os investimentos são para a nossa condenação.

Excelente entrevista, estou até com falta de ar!! Como nunca ficamos sabendo disso antes??? Tá tudo errado mesmo… tudo culpa do nosso egoísmo, destruímos em pouco tempo, o que a natureza levou cerca de milhares de anos para construir! Esses políticos… AFF

Politicos sim, mas nao sao os unicos culpados. O povo pela sua ignorancia nao pode ser desculpado tb, seja ele instruido ou nao.

Matéria excelente com o Prof. Altair Sales Barbosa. É a melhor exposição que já li sobre este tema. Fiquei muito emocionada porque gostaria de encontrar os caminhos para reverter esta gravíssima situação e não vejo como. Apregoa-se que nossa arma é o voto. Quem acredita nisso? As campanhas estão somente estruturadas sobre políticas imediatistas que garantem voto. Dilma, Aécio… tanto faz porque por trás de cada candidato existe apenas comprometimento com os grandes financiadores das campanhas – que em instância nenhuma é o povo – são os grandes cartéis. Os programas sociais de Dilma têm a função de resolver o… Leia mais

Estarrecida e ao mesmo tempo agradecida por seus esclarecimentos. A população merecia ter conhecimento dessa realidade.

Deus nos acuda!!!!!

Nessa correria da vida a qual fomos condicionados, nessa busca incessante de valores e deveres ao qual somos submetidos é de total compreensão o descaso de quem tem o poder e a máquina nas mãos , não querer debater e dialogar com a classe competente esse bem tão valioso que é o meio natural do qual todos dependemos, não financeiramente e muito menos emocionalmente mas com certeza uma dependência tão profunda que poe em cheque mate a sobrevivência humana. e isso por um mísero momento de ilusão no qual vivemos comparados aos milhões de anos que um bioma como o… Leia mais

Essa interseção entre ciência e filosofia é rara nos pensadores atuais

intão vamu a algumas preguntinhas básica:
quem detém a propriedade privada do dinheiro pode fazer o que quiser com ele?
quem detém a propriedade privada do conhecimento pode fazer o que quiser com ele?
quem detém a propriedade privada da terra pode fazer o que quiser com ela?

bom, eu diria que matéria é excelente muito embora a realidade que ela nos passa seja desesperadora quanto a destruição do nosso meio ambiente. Parabéns Prof. Altair, parabéns ao Jornal Opção pela matéria.

Fala sério, tira essa foto que já esta feio ficar defendendo político no Brasil! Grande culpa disso é a ganância do PT de querer fazer dinheiro para roubar sem querer saber do futuro do Brasil! Bando de alienado, sem moral, sem capacidade de falar a verdade! Brasileiro é o único povo que é estuprado e ainda apoia e morre de amores por o partido que afunda essa nação…

Nobre jefferson ca, sua concepção está totalmente equivocada. Ofender outras pessoas de alienados, desmoralizados e covardes é uma representação de ignorância aguda. A questão brasileira não é relacionada a um partido ou algo do gênero, e sim como em qualquer outro país com uma natureza grande : o interesse desenfreado de ganhar dinheiro.
Invés de ofender outros desnecessária, ilógica e fanaticamente, deveria repensar sobre sua própria posição.
Abraços

intão vamu fazê umas preguntinhas básica:
quem detém a propriedade privada do dinheiro pode fazer o que quiser com ele?

quem detém a propriedade privada do conhecimento pode fazer o que quiser com ele?

quem de´tem a propriedade privada da terra pode fazer o que quiser com ela?

Os biomas naturais estão sendo extinto e tudo por conta de empresários gananciosos.

Em 2000 fiz uma especialização em que o Professor Altair ministrava uma das matérias, e já naquela época ele anunciou a seca que iria acontecer no sudeste. Pelo visto, acertou

Boa parte disso é culpa da construção de Brasilia. Kubitschek e aquela ideia esdrúxula de ‘levar desenvolvimento para o Brasil central’. Ora, a única coisa que esse estúpido fez foi levar o governo para longe do povo, e levar a maldição do progresso para locais paradisíacos. Se não houvesse Brasilia, haveria um centro -oeste menos ocupado por essas pragas do agronegócio.

concordo em gênero, numero e grau

Bem legal, só falha em esquecer de deixar claro que todos nós temos participação direta na destruição do planeta e não só os grandes bancos e políticos malvados, nós também não estamos nem aí, gostamos de reclamar para aliviar nossa consciência e seguimos atacando quem sugere vivermos de uma forma mais simples em uma relação mais direta e respeitosa com a natureza. Veganismo é uma solução tão simples quanto a bicicleta, é muito mais saudável, pode ser mais gostoso, não escraviza os animais, nos leva a comer mais orgânicos, usa muitíssimo menos terra e muitissississíssimo menos água mas carro é… Leia mais
Caro Klaus, concordo quando diz que temos uma participação direta no esgotamento de nossos recursos naturais (e isto está ocorrendo no mundo, não apenas no Brasil), bem como com a poluição descontrolada de águas e ar. É importante notar que alguns ambientes (inclusive o nosso cerrado) é DEPENDENTE de herbívoros de grande porte e que, sem eles, estes ambientes tendem à desertificação. Não tenho nada contr vegans e quero deixar claro que opções são sempre pessoais. Precisamos deixar claro, porém, que sem os animais (e se forem criados da forma apropriada, seu consumo deveria ocorrer na quantidade e padrões naturais)… Leia mais

intão vamu fazê umas preguntinhas básica:
quem detém a propriedade privada do dinheiro pode fazer o que quiser com ele?

quem detém a propriedade privada do conhecimento pode fazer o que quiser com ele?

quem detém a propriedade privada da terra pode fazer o que quiser com ela?

Caro Marcio, todas as suas perguntas tem um ponto em comum, que envolvem ética. Da forma como você as colocou eu não teria uma resposta, já que qualquer resposta que seja dada estará fadada ao erro. Sem um Contexto Holístico contra o qual discuti-las elas se tornam inócuas. Abraços

Infelizmente a consciência de muitos ainda não se voltou para esse fato, hoje sei o quanto é importante esse ecossistema.
Curso a turma de controle ambiental aqui do Senac de itumbiara, e pretendo me especializar nessa área. Quantos mais pessoas se sensibilizar com essa questão melhor, eu faço minha parte em falar cada vez mais sobre esse caso..

Muito bom o depoimento do pesquisador Altair Sales Barbosa, alguém teria o e-mail de contato com ele? agradeço antecipadamente, abs, Zeca Nunes Pires

Muito verdadeiro em partes, mas nao so o cerrado quanto as demais regiões vem sofrendo com as constantes mudanças climáticas, a agricultura em si é primordial, sem ela nao teria avanço nenhum, sendo tecnológico e na melhoria na qualidade de vida.o Avanço da construção civil também em muito contribui para tudo

Traga-me um copo d’agua, tenho sede ! O Brasil tem sede e fome de educaçao, pesquisa e respeito pelo meio ambiente ! Parabens prof. Altair Sales.

No começo dos anos oitenta trabalhei por 6 anos numa pequena cidade do nordeste de Goiás (São Domingos). Naquela época era ainda possível rodar centenas de quilômetros entre Barreiras (BA) e Posse (GO) observando o processo de destruição de uma vegetação ainda intacta. Hoje eu vejo pelo Google Earth que toda aquela enorme região virou área agrícola. É possível ver a imagem de satélite mostrando as linhas típicas das grandes monoculturas. Eu trabalhava no Banco do Brasil e vi como empréstimos a juros baixíssimos eram liberados para investimentos agrícolas que incluíam desmatamento com correntões ligados a dois tratores.

Espetacular. Quero agradecer muito ao meu amigo Jamilton pela indicação da leitura, que foi um prêmio para mim. Isso teria que ser matéria obrigatória em todas as escolas. A população na qual eu me incluo está doente de conhecimento em matéria de consciência ambiental.

No distante ano de 1976 eu estava por alguns dias na pequena cidade de Grão Mogol e me hospedei na pensão de Dona Teresa, lá a noite conversei com um Eng. Agrônomo do qual não lembro mais o nome, mas ele com grande entusiasmo afirmava que em virtude dos 11 milhões de Eucalypthus que estavam sendo plantados nos cerrados da região, não mais haveria o período sem chuvas, que normalmente era entre os meses de abril até setembro, mas que haveria sim muito mais chuvas por causa do intenso verde dos Eucalypthus. No entanto em viagens posteriores minhas constatações foram… Leia mais
A razão para os riachos secarem, Rudi é, sim, a inversào de um ambiente como o Cerrado para florestas de monocultura. Toda vez que houver uma diminuição na biodiversidade de um ambiente teremos que este ambiente se tornará menos resiliente Existe um gráfico muito interessante mostrando o que ocorre com um ecossistema, considerando-se o número de espécies contra o número de indivíduos de cada espécie. Demonstra claramente o que expus acima. O problema com a floresta de Eucalypthus que o Eng. Agrônomo citado não teve a clareza de perceber foi o fato de ter se mantido um solo descoberto por… Leia mais

Que aula!!!
Obrigada professor Altair e jornalista Elder.
Estamos colhendo o que plantamos. Esse é o preço que pagamos por nos tornarmos os provedores agrícolas do mundo. Trocamos nossa riqueza natural por grãos e carne para os países desenvolvidos.
E agora, quem pagará a conta da água? Ou melhor dizendo, a falta dela ?

Parabéns!

Gostaria de chamar a atenção do professor e do jornal para o fato de que existe, sim, a solução para o problema, mas passa por uma mudança de paradigmas que mesmo ele vai precisar entender. Sem esta mudança de paradigma o Cerrado estará, de fato, condenado. Para maiores esclarecimentos, por favor leiam: http://www.gerenciamentoholistico.blogspot.com . Os ensinamentos contidos no blog serão suficientes para se entender o que podemos fazer para solucionar o problema.

Excelente entrevista. Preocupante… responavél .Muito esclarecedora. Parabéns!

Mais uma vez vemos as tristes consequencias do agronegocio. Mas enquanto a populacao continuar consumindo animais (carnes, leite, ovos), o agronegocio continuara expandindo, ocupando terras, destruindo biomas, acabando com a agua, derrubando florestas, aumentando a emissao de CO2. A cada Kg de carne consumida sao 15 mil litros de agua consumidos, poluicao de recursos hidricos, devastacao de areas para plantio de graos para consumo dos animais (a maior parte da producao agricola vai para esta industria, nao para as mesas dos consumidores). No verdade, a culpa esta em nossos padroes de consumo. O agronegocio apenas fornece o que a populacao… Leia mais
Cynthia, acredito que você seja uma pessoa bem intencionada mas com parcos conhecimentos do que é agropecuária SUSTENTÁVEL. O agronegócio, nos moldes em que existe hoje é, de fato, prejudicial ao meio ambiente. Porém o que ocorre na natureza é algo muito mais complexo do que os dados que são jogados na imprensa, aleatoriamente, com o intuito de tumultuar a relação entre produtores e ambientalistas, bem como com consumidores responsáveis (que acredito ser o seu caso). Por favor, visite nosso blog:www.gerenciamentoholistico.blogspot.com.br para entender melhor estas relações e tornar-se uma consumidora ainda mais esclarecida. Terei o maior prazer em esclarecer quaisquer… Leia mais

Que entrevista, esclarecedora. Gostaria que fosse pragmatismo dele, mas seus argumentos se encaixam e infelizmente estamos no inicio de um caos, o qual a região sudeste está sentindo, de forma ainda leve, as consequências.

Impressionante tragédia nacional,profundamente refletida,duramente
anunciada,exemplificada e com perversos efeitos visíveis no
horizonte.Totalmente ignorada pela sociedade,desmonta todas as bases da
paisagem em acelerada construção sobre a paisagem natural dos biomas
brasileiros,suas vítimas finais.

Ricardo Augusto Alves Ferreira
Excelente artigo. Antes da “fé”, Deus concede a cada ser humano a “inteligência ou razão”. Antes da cidadania celestial, o Criador nos faz membros de uma “comunidade, sociedade, povo ou nação”. Neste sentido a razão e a cidadania precedem à fé e a eternidade. Devemos, como cristãos, provar compromisso – lealdade – e fidelidade a ambos, priorizando o Reino Eterno Indissolúvel de Deus e de Cristo, no poder do Espírito Santo, por óbvio. Assim, penso não ser pertinente ao cristão “defender” um partido ou líder: a Nação e o interesse público deve subjugar aos demais, pena de incorrer em crasta… Leia mais

Fundamentada a entrevista do Prof. Altair Sales, deve ser lida com atenção e interesse, pois diz respeito as necessidades básicas da população, que deverá sofrer as lamentáveis consequências. Vamos torcer pelo aparecimento de um cenário mais otimista para amenizar esse quadro infelizmente duro e sem expectativas no curto prazo.

Professor, vamos dar o chute inicial nessa coisa aí, para estimular uma atitude positiva e reacionária, frente o problema.

Como todos, fiquei transtornado com o que li. Anda cada dia mais difícil manter a esperança de reversão dessa destruição toda, mas seguimos com os trabalhos e tentando influenciar o maior número possível de pessoas, através das nossas relações. Parabéns pela entrevista. Compartilhei nas páginas do Facebook do Slow Food Rio de Janeiro e Slow Food Brasil, onde atuo como colaborador. Abraços.

Eu sei que o professor tem razão. Mas toda vez que esta dor imensa e o medo aterrorizante da impotência me assola ( como ao ler esta matéria/entrevista) me lembro da Floresta da Tijuca. A maior floresta urbana do mundo é artificial. foi toda plantada por um tenente e seu escravo, após o esgotamento do solo da então fazenda de café. A vontade ( sem conhecimento científico) de dois homens e aq Floresta venceram a monocultura. É possível recuperar o Cerrado. É possível recuperar o mundo. Vamos em frente pois não temos nada a perder, não mais.

Esclarecedor!

Os dados são alarmantes, o pior que nada se fará para reverter essa situação!

Otima Entrevista !!

Parabéns professor Altair Sales Barbosa, acredito que todos deveriam ler esta matéria. Sou de Mato Grosso e aqui o agronegócio manda na política. Me sinto um boi na fila do matadouro, mas até chegar no fim da linha vou fazendo barulho ao menos para despertar alguma atenção. Pessoas como o senhor deveriam ser valorizadas pela sabedoria e entendimento da ciência. O capital não deveria vê-lo como ameça aos seus lucros, mas como um auxiliar na perpetuação da riqueza que a natureza nos proporciona. Não é preciso ser cientista para ver que algo está errado, mas suas explicações são bastante claras… Leia mais

Texto chocante…. Mas a entrevista é excelente…

Excelente entrevista, numa ampla abordagem dos problemas do Cerrado. Altair é conhecedor e muito generoso na socialização do saber. Viva o Cerrado e seus povos.

pior notícia do ano… enquanto todo mundo brinca de governar e ou dominar… as consequências não deixarão de existir. pena que é com a nossa terra, a única coisa que temos, que se brinca….

Gravíssimo alerta feito pelo professor Altair Sales Barbosa. Que “Humanidade” é esta que envenena a água que bebe, o ar que respira, o alimento que consome, que destrói os recursos naturais que garantem nossa sobrevivência? Enlouquecemos? Que possamos trilhar outros caminhos. Vigiemos. Oremos. Atuemos.
Cumprimentos a Elder Dias pela excelente condução da entrevista.

Muito bom !!!!

Excelente entrevista. Vou ter que revê-la muitas vezes para apreender todas as informações. O agronegócio é o que tem salvado as exportações, gerado emprego e impostos, mas ele não pode ser maior que o futuro ( bem próximo ) do país. Tudo tem que se repensado e com urgência. Tem que haver politicas publicas para evitar que o Brasil se torne um grande Saara. Israel foi plantada encima de um deserto, mas os estudos, as pesquisas, os investimentos, vontade politica e o engajamento da população fizeram da região um pomar. Claro que os biosistemas são diferentes, mas acredito que se… Leia mais

O sitado Rio Paracatu, afluente do São Francisco; está no calcanhar… Experiência própria!

parabens….Doutor Altair, eu acompanho as suas pesquisas ha muito tempo.bem como o seu empenho e tamanha consciencia em uma luta preventiva pela preservaçao do cerrado……..e meu pai DELVITO que te acompanhou em uma de suas viagens, e hoje esta muito triste em ver toda degradaçao do cerrado,sendo extinta por falta de consciencias das pessoas que na vsao dele nao respeitaram a sua pesquisa……….ou nao levaram a serio. na certeza que voce fez e muito bem a sua parte……….

As gramíneas introduzidas como As brachiáreas principalmente a Decumbens e a Rosiense, formam um emaranhado de raízes que impedem a infiltração e a percolação da água da chuva. basta perfurar 20 cm abaixo das raízes em período chuvoso para comprovar. Também nos barrancos das estradas vicinais da para se observar… Outra agravante da função ecológica para a manutenção dos aquíferos no cerrado é a extinção dos animais e insetos de hábitos fossoriais como o tatu, lagartos, térmitas vespas e outros que arejam o solo facilitando a infitração das águas… O professor Altair está certíssimo!

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