Afonso Lopes
Afonso Lopes

Governo põe o pé na estrada, oposição se perde no caminho

Enquanto os governistas percorrem todo o Estado a bordo do Programa Goiás na Frente, opositores perdem o debate de propostas, e continuam focados na fulanização

Por mais boa vontade que alguns opositores têm apresentado na proposta de ampliação dos debates internos sobre propostas de governo, a maioria permanece atrelada à fulanização do processo, principalmente entre Daniel Vilela, deputado federal e presidente regional do PMDB, e Ronaldo Caiado, senador e presidente do DEM em Goiás. No outro lado da trincheira, os governistas percorrem o Estado todo levando na bagagem benefícios para todas as cidades do interior, inclusive onde os prefeitos integram partidos de oposição, com o Programa Goiás na Frente, que prevê a aplicação de mais de 6 bilhões de reais de agora até o final de 2018.

É óbvio que politicamente a fulanização de processos internos de escolha de candidaturas faz parte do jogo. O problema está no tempo em que isso está se dando entre os oposicionistas. Normalmente, essa fase se inicia no final do ano anterior à eleição, até se consolidar nas proximidades do calendário das convenções partidárias. Os opositores estão em guerra de nervos entre apoiadores de Daniel Vilela e de Ronaldo Caiado há um ano, e o processo não anda, evidentemente.

Já os governistas surfam numa onda altamente favorável. E conseguem espalhar esse bom astral com as prefeituras, o que acaba se transformando em positivismo ampliado e com grande repercussão. E o programa tem colhido resultados tão impactantes graças à relação republicana com todos os prefeitos, sem distinção. Isso de certa forma impede, por exemplo, que as lideranças estaduais da oposição ataquem com a velha temática da atividade meramente eleitoreira. Como argumentar que o Programa Goiás na Frente é eleitoreiro se também lideranças oposicionistas municipais estão dele se beneficiando?

Também por essa razão, os opositores deveriam iniciar a difícil caminhada dos debates internos a respeito da elaboração de uma proposta alternativa de governo a ser apresentada no ano que vem para o eleitorado goiano. E é uma caminhada complicada porque nunca existe unanimidade nem no formato das ideias administrativas e nem na forma e conteúdo. Caso contrário, se mantendo apenas a disputa em torno de nomes, o risco que existe para qualquer candidato ao governo pela oposição é chegar ao período de maior efervescência eleitoral com discurso superficial e, portanto, sem envergadura suficiente para embasar a proposta de troca de comando do grupo político dirigente de Goiás. Em outras palavras, a oposição corre o risco de apresentar novamente o chamado “mais do mesmo”, atitude que sempre resultou em retumbante fracasso eleitoral desde 2002. Já o governo pode se dar ao luxo de simplesmente aplicar a máxima da continuidade, sem deixar, no entanto, de acrescentar novidades que agradem os ouvidos da população e motive o eleitor.

Há ainda as informações sobre pesquisas de intenção de voto que mostram boa performance do senador Ronaldo Caiado, e participação de José Eliton e Daniel Vilela. Entre os especialistas no tema, esses levantamentos tão distanciados do processo eleitoral, sem a emoção contagiante da disputa, não servem para grande coisa. Quando muito, criam debates no meio político, mas não repercutem muito além das militâncias político-partidárias. Há inúmeros exemplos que comprovam essa tese.

Em 2011, todas as pesquisas indicavam que o então prefeito-herdeiro Paulo Garcia — que foi alçado à condição com a renúncia do titular, Iris Rezende, para disputar o governo do Estado, em 2010 — amargava insignificantes pontos porcentuais. Alguns petistas, inclusive do alto comando, tinham sérias dúvidas se Paulo teria fôlego político-eleitoral para alcançar os adversários e disputar a eleição com boas condições e alguma chance de vitória. Ele nem sequer era conhecido pela maioria da população, diziam as tais pesquisas extemporâneas. Um ano depois, Paulo Garcia não apenas foi reeleito como nadou de braçada ao vencer já no primeiro turno, sem dar qualquer oportunidade de polarização para os adversários.

Com base nisso, é claro que não se pode falar que existe favoritismo deste ou daquela possível candidato ao governo do Estado no ano que vem. O que existe, e é absolutamente real, é potencialidades específicas que podem ou não se transformar em dividendos eleitorais. José Eliton, se a base se mantiver unida, representa um segmento bastante forte, que é o conjunto do governo. O senador Ronaldo Caiado é o mais conhecido e também tem apelo eleitoral. Daniel Vilela integra a renovação dentro do grupo maguitista, e carrega a capilaridade que o PMDB detém em todo o Estado. Qualquer um deles poderá vencer a eleição do ano que vem, mas quem estiver a bordo de barco sem leme e sem vela, sem propostas, dificilmente atingirá o nirvana eleitoral.

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