Vírus Sincicial agrava quadros cardiovasculares e aumenta risco de morte em pacientes crônicos
12 abril 2026 às 17h01

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Infecções pelo Vírus Sincicial Respiratório podem desencadear complicações graves em pessoas com doenças pré-existentes, especialmente cardiovasculares, diabetes e problemas respiratórios crônicos, segundo especialistas.
De acordo com o cardiologista Múcio Tavares, da Universidade de São Paulo, mais de 60% dos casos graves associados ao vírus ocorrem em pacientes com alguma doença cardiovascular. Ele explica que infecções virais respiratórias podem provocar eventos como infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral e agravamento da insuficiência cardíaca, em razão da inflamação sistêmica gerada no organismo.
Pacientes com diabetes também estão entre os grupos mais vulneráveis. Segundo o endocrinologista Rodrigo Mendes, níveis elevados de glicose no sangue favorecem infecções e aumentam o risco de complicações. Mesmo pessoas com a doença controlada podem evoluir para quadros mais graves após contrair o vírus, exigindo hospitalização e tratamentos mais complexos.
Outro grupo de risco é formado por pacientes com doenças respiratórias crônicas, como asma grave e Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica. A professora Rosemeri Maurici, da Universidade Federal de Santa Catarina, alerta que a internação em UTI eleva em até 70% o risco de morte em até três anos nesses casos, além de acelerar a perda da função pulmonar e aumentar a probabilidade de novas internações.
A vacinação é apontada como principal forma de prevenção contra o agravamento da doença. No entanto, imunizantes para adultos ainda estão disponíveis apenas na rede privada. No Sistema Único de Saúde, a vacinação é oferecida, por enquanto, apenas para gestantes, com o objetivo de proteger os bebês nos primeiros meses de vida.
Entidades como a Sociedade Brasileira de Imunizações recomendam a imunização para pessoas entre 50 e 69 anos com comorbidades e para todos os idosos a partir de 70 anos. Especialistas defendem a ampliação da oferta no sistema público, com indicação de grupos prioritários à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS, responsável por avaliar a inclusão de novas vacinas e tratamentos no país.
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