Vazamento de fluido suspende perfuração da Petrobras na Foz do Amazonas
07 janeiro 2026 às 10h17

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A Petrobras interrompeu, no último domingo, 4, as atividades de perfuração de petróleo na Bacia da Foz do Amazonas após a ocorrência de um vazamento de fluido em uma sonda marítima. O incidente foi registrado no poço Morpho, localizado a cerca de 175 quilômetros do litoral do Amapá.
Segundo a estatal, a perda de fluido ocorreu em duas linhas auxiliares que fazem a conexão entre a sonda de perfuração e o poço. Em nota, a Petrobras afirmou que o vazamento foi imediatamente contido e isolado, ressaltando que o material liberado é biodegradável e se mantém dentro dos limites de toxicidade permitidos, não representando risco ambiental nem ameaça às populações costeiras.
As linhas afetadas foram recolhidas à superfície para avaliação técnica e reparos, o que deve manter as operações suspensas por um período estimado de até 15 dias. A empresa informou ainda que não houve danos à sonda nem ao poço, que seguem em condições seguras de operação.
O poço Morpho marca a primeira perfuração na Bacia da Foz do Amazonas, área considerada estratégica para a expansão da exploração petrolífera na chamada margem equatorial brasileira. A autorização para o início das atividades foi concedida apenas em outubro de 2025, após um longo impasse com o Ibama, que inicialmente negou as licenças alegando riscos ambientais e impactos sobre comunidades indígenas e ribeirinhas.
A liberação ocorreu sob forte pressão política, incluindo manifestações públicas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Como condicionantes para a licença, o Ibama exigiu a construção de um centro de atendimento emergencial à fauna marinha e a realização de simulações de vazamento de óleo.
Atualmente, a Petrobras está autorizada apenas a conduzir estudos exploratórios na região. A eventual produção de petróleo dependerá de uma nova etapa de licenciamento ambiental. De acordo com estimativas da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o potencial da Bacia da Foz do Amazonas pode chegar a 6,2 bilhões de barris de óleo equivalente.
A estatal reiterou que o incidente não compromete a segurança da operação e que seguirá os protocolos ambientais e técnicos antes da retomada das atividades no poço Morpho.
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