Um levantamento realizado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) mostrou que o percentual de brasileiros que já relataram ter usado algum tipo de entorpecentes subiu de 10,3% para 18,8% em um intervalo de 11 anos.

Os dados obtidos por meio do III Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad III) apontaram ainda que o crescimento do uso de substâncias ilícitas foi impulsionada pela maconha, sendo o público feminino o maior consumidor e experimentador.

O estudou também revelou que o perfil de consumidor de entorpecentes sofreu mudança. O uso de qualquer droga ilícita ao longo da vida quase dobrou, passando de 7% para 13,9%. Um dos pontos levantados pelos pesquisadores para justificar esse aumento seria a crença equivocada de que a cannabis ajudaria a “acalmar” ou controlar o estresse.

A coordenadora da pesquisa, Clarisse Madruga, explica que o consumo excessivo pode desencadear o risco de desenvolvimento de transtornos ansiosos. “Estamos diante de um mal-entendido: uma percepção social equivocada de que a maconha ajudaria a reduzir a ansiedade, quando, na realidade, pode aumentar o risco de desenvolvimento de transtornos ansiosos, sobretudo devido à maior potência da cannabis que circula atualmente no mercado. Esse fator poderia contribuir para explicar o cenário observado. Ainda assim, trata-se de uma hipótese, uma especulação sobre por que o aumento foi tão expressivo entre meninas”, afirma.

Como foi feito o levantamento?

Neste estudo, a Unifesp entrevistou 16.608 pessoas com mais de 14 anos onde foram questionadas sobre o uso e a experimentação do consumo recente de 16 drogas ilícitas no Brasil. Além disso, foram sorteados 900 setores censitários em diferentes municípios. A seleção também levou em consideração a renda média dos domicílios e a probabilidade de escolha proporcional ao número de casas em cada setor.

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