UFG lança campanha “Pela Vida de Todas” e anuncia medidas de enfrentamento à violência contra mulheres
06 março 2026 às 12h35

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A Universidade Federal de Goiás (UFG) inicia, na próxima segunda-feira, 9 de março, uma série de ações institucionais voltadas ao enfrentamento da violência contra a mulher. A campanha, intitulada “UFG pela Vida de Todas”, reúne atividades acadêmicas, políticas institucionais e intervenções simbólicas ao longo do mês, com o objetivo de mobilizar a comunidade universitária e ampliar mecanismos de acolhimento, prevenção e denúncia. A abertura oficial ocorrerá às 10h, no Centro de Cultura e Eventos Professor Ricardo Freua Bufáiçal, no Campus Samambaia.
A iniciativa é coordenada pela Secretaria de Inclusão (SIN) da universidade em parceria com a Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Prae) e envolve pró-reitorias, direções de unidades acadêmicas, entidades estudantis e sindicatos ligados à comunidade universitária. O objetivo é ampliar o debate sobre o enfrentamento à violência de gênero e apresentar medidas concretas de proteção e acolhimento às mulheres.
Segundo a secretária de Inclusão da UFG, Jaqueline Araújo, a campanha busca articular reflexão e ação dentro da universidade. De acordo com ela, a mobilização ocorre em um momento em que os índices de violência contra mulheres permanecem elevados no país e exigem respostas institucionais.
“A proposta da campanha é refletirmos sobre essas questões, mas também agirmos. Queremos apresentar políticas concretas de combate à violência contra a mulher e ao feminicídio, tratando de todas as formas de violência, desde a física até as violências simbólicas e situações de assédio”, afirmou ao Jornal Opção.
A campanha será desenvolvida de forma integrada entre diferentes setores da universidade, com participação do Sindicato dos Docentes das Universidades Federais de Goiás (Adufg), do Sindicato dos Trabalhadores Técnico-Administrativos em Educação das Instituições Federais de Ensino Superior de Goiás (Sintifes-GO), do Diretório Central dos Estudantes (DCE) e das direções dos campi da instituição.
Banco Vermelho
Entre as ações previstas está a adesão da UFG ao projeto internacional Banco Vermelho, uma intervenção artística criada para sensibilizar a sociedade sobre o feminicídio. O projeto consiste na instalação de bancos pintados de vermelho em espaços públicos, acompanhados de mensagens e orientações sobre canais de denúncia.
No lançamento da campanha será inaugurado um banco simbólico no Centro de Cultura e Eventos. Posteriormente, no dia 24 de março, a universidade pretende instalar um banco vermelho de grandes dimensões próximo ao Restaurante Universitário do Campus Samambaia.
A data também marcará um evento institucional com a presença da ministra das Mulheres, Márcia Lopes.
“A ideia é que esses bancos funcionem como um lembrete permanente de que a violência contra a mulher não pode ser naturalizada e que a sociedade precisa agir para combatê-la”, explicou Jaqueline.
Botão de pânico
Outra iniciativa prevista para este ano é a criação de um botão de pânico integrado ao aplicativo institucional Minha UFG. A ferramenta está sendo desenvolvida pela Secretaria de Segurança e Direitos Humanos em parceria com a Secretaria de Tecnologia da Informação.
A funcionalidade permitirá que usuárias acionem rapidamente a equipe de segurança da universidade em situações de risco ou ameaça. O sistema utilizará geolocalização em tempo real para direcionar o atendimento.
Ações permanentes
Além das ações simbólicas, a universidade prepara medidas institucionais voltadas à segurança e ao acolhimento de mulheres que vivenciam situações de violência.
Uma das iniciativas previstas é a criação de uma política de segurança para mulheres que possuem medidas protetivas e que frequentam os espaços da universidade. A proposta será formalizada por meio de portaria institucional.
Outra medida anunciada é a implantação de uma Ouvidoria da Mulher e de Questões de Gênero, canal especializado destinado a receber denúncias e oferecer escuta qualificada, acolhimento e encaminhamento de casos relacionados a violência doméstica, assédio moral, assédio sexual e outras formas de violência de gênero.
De acordo com Jaqueline, muitas situações de violência vividas pelas mulheres acabam se refletindo no cotidiano acadêmico.
“Há casos em que a violência ocorre no ambiente doméstico e acaba impactando a vida profissional ou acadêmica dessas mulheres. Elas buscam apoio dentro da universidade, e é papel da instituição oferecer acolhimento e encaminhamento adequado”, afirmou.
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