‘Tudo irregular’: veterinário é investigado por sacrificar animais saudáveis na Zoonoses de Goiânia
03 julho 2024 às 11h52

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Um médico veterinário, de 64 anos, é investigado por eutanasiar ao menos dois cães saudáveis na Diretoria de Vigilância em Zoonoses de Goiânia. A Polícia Civil de Goiás (PCGO) suspeita que outros animais também tenham sido sacrificados no local sem justificativa legal, o que caracteriza crime de maus-tratos.
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A titular do Grupo de Proteção Animal (GPA) de Goiânia, Simelli Lemes, informou que a PC cumpriu mandados de busca e apreensão no órgão ligado à Secretaria Municipal de Saúde (SMS) na terça-feira, 2. A residência do servidor, que foi ouvido na delegacia nesta quarta-feira, 3, também foi alvo de ordens judiciais, que apreenderam .
“As duas situações ocorreram no mesmo dia, em 9 de maio. Uma delas foi à pedido da tutora, que alegou ter sido mordida. O outro caso é de um animal que foi recolhido da rua, também com histórico de mordidas. Antigamente isso era permitido, era comum, mas hoje esse não é o protocolo. Acredito que ele fazia isso por convicção, que na visão dele isso ainda era aceito”, afirmou.
O médico veterinário mantinha medicamentos utilizados na eutanásia em casa, assim como um livro da prática com folhas rasgatadas. A delegada diz que as páginas que faltam da obra veterinária foram arrancadas de propósito, a fim de mascarar o crime.
O sacrifício de animais é permitido em lei apenas em três casos: de sofrimento, quando o animal possui uma doença que lhe causa dor, quando não possui chances de sobreviver a determinada condição de saúde ou em casos em que oferece riscos à saúde humana. O investigado, além de cometer o crime de maus-tratos, também dificultou o diagnóstico de raiva nos animais, conforme Simelli.
“Quando um animal morde um ser humano, a Organização Mundial da Saúde determina que o animal fique em observação por 10 dias. Esse é o período de evolução da raiva. Ele utilizou um anestésico e, depois, um outro remédio que finalizou a vida dos cachorros. Estamos investigando se há outros profissionais envolvidos na prática, se não está ocorrendo de forma indiscriminada na Zoonoses”, contou.
Zoonoses precária
Simelli informou que a corporação se deparou com problemas estruturais e organizacionais durante as buscas na Diretoria de Vigilância em Zoonoses. A delegada informou que não conseguiu identificar se o local possui responsável técnico que, em tese, seria o responsável por autorizar os sacrifícios dos animais.
Foi identificado ainda falta de documentos de procedimentos realizados no órgão, principalmente em anos anteriores. Os profissionais chegaram a ser questionados, de acordo com Simelli, mas não souberam indicar onde poderiam ser encontrados os registros.
“É tudo muito irregular. Fizemos a apreensão de algumas documentações para que pudéssemos nortear e fazer esse levantamento da documentação. Ele precisa de laudos, de comprovação e aprovação. Acreditamos que administrativamente tenha mais problemas do que o próprio crime e isso colabora”, concluiu a delegada.
Em nota, a SMS informou que segue as leis vigentes nos âmbitos, municipal, estadual e federal. Disse ainda que colabora com as investigações da PC.
Veja a nota completa:
“A Diretoria de Vigilância em Zoonoses esclarece segue todos as leis vigentes nos âmbitos, municipal, estadual e federal. Em relação as eutanásias, elas são realizadas seguindo a Lei N° 14.228/2021 e, conforme a legislação, são executadas apenas nos casos de males, doenças graves ou enfermidades infectocontagiosas incuráveis que coloquem em risco a saúde humana e a de outros animais.
Os profissionais Médicos Veterinários, autorizados a realizarem o procedimento, seguem recomendação técnica prevista na Resolução N° 1000 do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV).
A Diretoria de Vigilância em Zoonoses está colaborando com a investigação. Está disponibilizando documentos e fornecendo todas as informações solicitadas”.

