Tubarão “ruivo” é registrado pela primeira vez no Caribe; veja fotos

28 agosto 2025 às 09h15

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Pela primeira vez, cientistas registraram um tubarão-lixa (Ginglymostoma cirratum) com coloração alaranjada intensa nas águas do Caribe costarriquenho. O exemplar, de aproximadamente dois metros de comprimento, foi visto próximo ao Parque Nacional de Tortuguero, um dos ecossistemas marinhos mais ricos da região.
A descoberta, publicada neste mês de agosto na revista Springer Nature, chamou a atenção da comunidade científica por se tratar de um caso inédito de xantismo associado ao albinismo em um peixe cartilaginoso, condição genética considerada extremamente rara.
A inusitada aparição aconteceu durante uma pescaria esportiva no ano passado, quando pescadores capturaram o animal a 37 metros de profundidade. Após registrarem imagens, eles soltaram o tubarão de volta ao mar. As fotografias circularam nas redes sociais por meio do grupo Parismina Domus Dei, que publicou a pergunta: alguém já havia visto um tubarão daquela cor? A publicação viralizou, mas as respostas só chegaram agora, com a análise detalhada de pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), da Universidade Nacional Experimental Rómulo Gallego, na Venezuela, e do Centro de Resgate de Espécies Marinhas Ameaçadas de Extinção, da Costa Rica.
Segundo os cientistas, a pele amarelo-alaranjada brilhante decorre do xantrocromismo, quando há excesso de pigmentos amarelos ou dourados. Essa condição genética é incomum em tubarões e, até então, nunca havia sido registrada em indivíduos do Caribe. Além disso, a análise apontou sinais de albinismo nos olhos, que apareceram claros e mais sensíveis, um fator que aumenta a vulnerabilidade do animal à luz solar.
O estudo destacou que essa combinação genética é inédita. Embora o xantismo já tenha sido identificado em espécies como guppies, ciclídeos, papagaios, canários e até alguns répteis, até hoje não havia relatos envolvendo tubarões ou raias. Para os pesquisadores, o achado abre novas possibilidades de estudo sobre genética, evolução e adaptação em espécies marinhas cartilaginosas.
Veja fotos:
Normalmente, o tubarão-lixa apresenta tonalidades entre o marrom-claro e o marrom-escuro, coloração que garante excelente camuflagem em recifes e fundos rochosos. Essa estratégia natural facilita tanto a caça quanto a proteção contra predadores. No entanto, um exemplar com pigmentação alaranjada se torna facilmente visível, o que, em tese, reduziria suas chances de sobrevivência. O fato de o animal ter chegado à vida adulta sem aparentes prejuízos intrigou os cientistas.
“Esta descoberta única sugere que o xantismo não impede a sobrevivência desta espécie”, escreveram os autores no artigo. Para eles, o caso mostra que características genéticas consideradas desvantajosas podem, em situações específicas, não comprometer o ciclo de vida do animal.
O artigo científico também faz questionamentos sobre o futuro dessa linhagem. “A descoberta de um tubarão-lixa amarelo levanta questões importantes sobre a genética e a adaptabilidade desses tubarões. É uma ocorrência única ou poderia sinalizar uma nova tendência genética na população local?”, indagam os especialistas.
Por enquanto, não há respostas definitivas. O consenso é de que novos estudos são necessários para compreender se a mutação genética está ligada apenas a esse indivíduo ou se pode ocorrer em outros tubarões da região. Os pesquisadores acreditam que investigações de DNA, associadas ao monitoramento contínuo da população marinha no Caribe, poderão esclarecer se o caso representa apenas uma anomalia isolada ou uma possibilidade de variação genética emergente.
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