O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira, 7, uma proclamação que determina a retirada do país de 35 organizações internacionais fora do sistema das Nações Unidas e de outras 31 vinculadas diretamente à ONU.

De acordo com comunicado divulgado pela Casa Branca, a decisão foi tomada porque, na avaliação do governo americano, essas entidades “atuam de forma contrária aos interesses nacionais dos Estados Unidos.”

A maior parte das organizações afetadas é composta por agências, comissões e grupos consultivos ligados à ONU que tratam de temas como mudanças climáticas, direitos trabalhistas e outras pautas que a atual administração classifica como associadas a políticas de diversidade e à agenda chamada de “woke”.

Até o momento, a Casa Branca não havia tornado pública a lista completa das instituições das quais os Estados Unidos se desligaram.

Não é a primeira vez

O governo Trump já havia interrompido anteriormente o apoio a organismos como a Organização Mundial da Saúde (OMS), a Agência da ONU para Refugiados Palestinos (UNRWA), o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Desde então, a gestão republicana passou a adotar uma postura mais restritiva em relação ao pagamento de contribuições à ONU, mantendo recursos apenas para operações e agências consideradas alinhadas às prioridades do governo e retirando apoio daquelas vistas como incompatíveis com os interesses do país.

A medida marca uma ruptura em relação à postura adotada por administrações anteriores, tanto republicanas quanto democratas, e tem pressionado a ONU — que já enfrenta um processo interno de reorganização — a promover cortes em programas e no quadro de funcionários.

Organizações não governamentais independentes, inclusive algumas que atuam em parceria com as Nações Unidas, relataram o encerramento de projetos após a decisão do governo americano, tomada no ano passado, de reduzir de forma significativa a ajuda externa por meio da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), posteriormente descontinuada por Trump.

Durante seu primeiro mandato, entre 2017 e 2021, Trump já havia retirado os Estados Unidos de diferentes fóruns multilaterais. Em julho de 2020, em meio à pandemia de Covid-19, o então presidente anunciou a saída do país da Organização Mundial da Saúde, responsável por coordenar ações globais de combate ao vírus e o desenvolvimento de vacinas. A retirada formal foi concluída no ano seguinte.

Na ocasião, Trump afirmou que a OMS teria sido influenciada pela China ao fornecer orientações equivocadas sobre o novo coronavírus. Segundo ele, a condução do governo chinês teria contribuído para os impactos globais da pandemia.

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