Imagens divulgadas pela coluna de Andreza Matais, do Metrópoles, mostram o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli recebendo o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, e o empresário Luiz Pastore no resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR).

O empreendimento, localizado às margens da represa de Xavantes, na divisa entre Paraná e São Paulo, tem sido usado pelo ministro como local de encontros com empresários, banqueiros e autoridades políticas.

Em registro de 25 de janeiro de 2023, Toffoli aparece em trajes informais aguardando os convidados em uma área reservada do jardim. Em seguida, pousa no heliponto um helicóptero Eurocopter AS365 Dauphin, prefixo PT-PCT, avaliado em cerca de US$ 12 milhões. Da aeronave desembarcam André Esteves e Luiz Pastore, do grupo Ibrame.

As imagens mostram Toffoli cumprimentando Pastore com abraço e beijo no rosto. Na sequência, o ministro e André Esteves trocam apertos de mão e conversam com copos de bebida nas mãos.

Conhecido entre funcionários como “resort do Toffoli”, o Tayayá é alvo de controvérsias sobre sua propriedade. As ações do hotel foram adquiridas por um fundo que teve como investidor Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Em 2019, quando presidia o STF, Toffoli utilizou voo da Força Aérea Brasileira (FAB) para se deslocar à região, onde participou da inauguração do Fórum Eleitoral de Ribeirão Claro, que recebeu o nome de seu pai. Após o evento, passou o fim de semana no resort, conforme registros oficiais da FAB. À época, reportagens apontaram familiares do ministro como sócios do empreendimento, que também foi citado em investigações da Operação Lava Jato.

Desde dezembro de 2022, Toffoli passou ao menos 168 dias no Tayayá. As despesas com diárias de segurança custaram R$ 548,9 mil aos cofres públicos, segundo dados do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2), responsável pela escolta do ministro no local.

Mesmo após a venda do resort ao advogado Paulo Humberto Barbosa, ligado à J&F, em abril do ano passado, Toffoli esteve no local ao menos sete vezes, somando 58 dias de permanência.

Reportagens também indicam que o ministro chegou a fechar o resort para eventos privados. Em setembro de 2021, irmãos de Toffoli ainda figuravam como sócios do empreendimento. Recentemente, veio a público que um fundo de investimentos com participação da família Toffoli transferiu cerca de R$ 33,9 milhões para uma offshore nas Ilhas Virgens Britânicas.