Um grupo de trabalhadores terceirizados da empresa Vilasa Construtora, que estão atuando na duplicação da BR-153, em Uruaçu, realizaram um protesto, na manhã desta sexta-feira, 16, cobrando melhores condições de trabalho. Segundo alguns manifestantes ouvidos pelo Jornal Opção, a empresa não estaria realizando o pagamento de horas extras, e cobram melhorias no alojamento, em relação ao calor, e denunciam ainda o envio de marmitas que estariam chegando azedas a eles.

De acordo com um trabalhador, que pediu para não ser identificado por medo de represálias, o horário para se bater o cartão de ponto é às 18h20, mas, após esse tempo, os responsáveis não estavam deixando os operários a registraram as horas extras, sendo anotadas à mão.

“Não está tendo transparência e está vindo tudo errado. Tem pessoas que fazem mais horas extras que as outras, mas eles fazem descontos para que os salários fiquem iguais”, afirma.

Ainda de acordo com esse trabalhador, a empresa oferece marmitas, mas que o fornecedor estaria fazendo o transporte sem qualquer tipo de refrigeração. Com isso, os alimentos já estariam chegando impróprios para o consumo. “Já teve situação da comida chegar aqui no trecho na carroceria de uma caminhonete. Quando a gente pegou a marmita, ela estava azeda. Não dava para comer”, conta.

Ainda de acordo com o trabalhador, o contrato com empresa começou há cinco meses e os problemas têm sido recorrentes. Ele elenca que há apenas um ventilador para ser dividido para três pessoas e que, em um mesmo alojamento, estão sendo colocados até 12 colaboradores.

“Tem locais que não cabem mais gente nos quartos e eles estão ainda colocando mais pessoas dentro. Aí, essas pessoas estão se arrumando na sala e algumas até na cozinha”, conta, ao lembrar ainda que falta até mesmo condições para que os trabalhadores lavem às próprias roupas pela inexistência de um tanquinho ou máquina de lavar.

Um outro trabalhador, que também conversou com a reportagem sob condição de anonimato, conta que houve um acordo para recesso no fim de ano, mas que, neste mês, estão ocorrendo descontos que não foram repassados antecipadamente aos trabalhadores.

“Houve um acordo entre o pessoal do administrativo e que não repassaram aos trabalhadores. Tiveram pessoas que viajaram para ver os parentes que moram em outros estados, que tiveram gastos, e que estão tendo um desconto de R$ 2 mil no salário. Isso é um absurdo”, conta.

A manifestação durou cerca de três horas. Os colaboradores realizaram um abaixo-assinado com os pontos de melhorias.

  • Cartão alimentação para todos os funcionários e com aumento do valor;
  • melhoria no salário;
  • Solução para as horas descontadas no recesso indevidamente;
  • Pagamento das notas fiscais nos valores integrais – segundo eles, esse pagamento estava sendo parcial;
  • Troca do restaurante que fornece a alimentação;
  • Plano de Saúde;
  • Liberação do ponto para bater as horas extras realizadas após às 18h20;
  • Melhoria nos alojamentos, com mais ventiladores e tanquinhos para lavar roupas.

Segundo os colaboradores, o documento foi entregue ao chefe e encarregado da obra. Eles deram o prazo até às 23h59 desta terça-feira, 20, para um retorno sobre as solicitações. Caso nada seja feito, eles afirmam que pararão os trabalhos no dia seguinte e por tempo indeterminado.

Por meio de nota, a Vilasa disse que “as operações no canteiro TH 14 seguem o fluxo normal de trabalho. A paralisação pontual ocorrida nesta manhã não consistiu em greve, mas em um momento de diálogo entre a empresa e os colaboradores para sanar dúvidas administrativas. Após os esclarecimentos prestados, as atividades foram prontamente retomadas”.

Já a Ecovias do Araguaia, concessionária da rodovia e responsável pela contratação da Vilasa, disse que “as atividades no canteiro de obras em Uruaçu (GO) seguem em funcionamento normal. Na manhã de hoje, o consórcio responsável pela duplicação realizou um breve momento de diálogo com sua equipe. A Ecovias Araguaia segue acompanhando a execução dos serviços e reforça o seu compromisso com a transparência e a condução responsável das obras sob sua concessão.”

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