A ampliação do uso da doxiciclina pelo Sistema Único de Saúde para prevenção de sífilis e clamídia ainda não chegou a Goiás. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO), o Ministério da Saúde autorizou a nova estratégia, chamada de DoxiPEP, mas até o momento não houve distribuição do medicamento ao estado para essa finalidade.

Em resposta ao Jornal Opção, a SES-GO informou que a oferta da nova profilaxia ainda depende de etapas administrativas conduzidas pela União, estados e municípios. Entre elas está a pactuação do financiamento do medicamento na Comissão Intergestores Tripartite (CIT).

A nova medida do Ministério da Saúde permite o uso da doxiciclina como profilaxia pós-exposição, ou seja, após situações de risco de transmissão de infecções sexualmente transmissíveis bacterianas, como relações sexuais desprotegidas. A proposta é reduzir a chance de desenvolvimento de sífilis e clamídia.

A Secretaria de Saúde esclareceu que a doxiciclina já é disponibilizada no estado, porém com outro objetivo. Atualmente, o antibiótico é oferecido a pacientes já diagnosticados com sífilis e clamídia que relatam alergia à benzilpenicilina ou a outro medicamento de primeira linha.

Nesses casos, o remédio é adquirido pelo Ministério da Saúde, enviado ao estado e distribuído, por meio das regionais de saúde e das grandes cidades, aos municípios que formalizam a solicitação.

A decisão de ampliar o uso do antibiótico foi oficializada por portaria do Ministério da Saúde. O governo federal terá até 180 dias para organizar a implantação da nova estratégia na rede pública.

Enquanto isso, em Goiás, a SES afirma que segue aguardando a definição dos trâmites necessários para que a profilaxia possa ser ofertada no SUS.

Apesar da nova estratégia, a orientação das autoridades de saúde é que a prevenção das infecções sexualmente transmissíveis continue baseada principalmente no uso de preservativos, na realização periódica de testes e no diagnóstico precoce.

Sífilis e clamídia estão entre as ISTs bacterianas mais comuns e, sem tratamento, podem provocar complicações como infertilidade, problemas neurológicos e riscos durante a gestação.

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