Suposto reajuste salarial de 5% aos servidores públicos federais causa indignação no Adufg-Sindicato
25 abril 2022 às 13h48

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Associação pede que a recomposição seja dada de acordo com o acumulado da inflação do governo Bolsonaro, calculada em 19,99%
Na última quarta-feira, 20, o Sindicato dos Docentes das Universidades Federais de Goiás (Adufg-Sindicato) emitiu uma nota de repúdio contra o suposto reajuste salarial que o governo federal pretende conceder ao funcionalismo público de 5%. Segundo o sindicato, a categoria está há mais de cinco anos sem receber qualquer tipo de recomposição de salário e tenta, desde janeiro deste ano, através de mobilização constante, conversas para negociações com o propósito de obter o reajuste de 19,99%, referente a inflação da gestão de Jair Bolsonaro (PL).
Em fevereiro, o presidente Bolsonaro emitiu uma portaria que reajustou o piso salarial dos professores da educação básica, estabelecido em R$3.845,00, através do aumento de 33,24%. Na época, diversos representantes municipais criticaram atitude do governo federal por consideraram que alguns municípios não teriam condições de arcar com a despesa. Sobre o provável aumento, o presidente da Federação Goiana dos Municípios (FGM), Haroldo Naves, não quis entrar no mérito da capacidade do governo federal em pagar ou não, mas afirmou que “logicamente, o ente federado que mais possui capacidade financeira é o governo federal”. Ele destaca ainda que o aumento salarial dos professores da rede básica terá um “impacto absurdo” e chama a medida de “meramente eleitoreira”. Segundo ele, esse tipo de mudança é preciso que seja feita a partir de uma legislação específica, informando, sobretudo, os fundos de onde os municípios poderão tirar os recursos para pagamento, o que não foi feito, visto que a medida se deu através de portaria. “No Brasil, nós precisamos de políticas sérias e não ficar um ente federado jogando a responsabilidade para outro”.
A questão abre margem para discussão. Ao se considerar a prática como eleitoreira, o governo federal prefere se resguardar quando a conta precisa ser paga do próprio bolso. A gestão de Bolsonaro acredita que os municípios podem arcar com um aumento maior que 33%, visto que a própria FGM admite que a maioria dos municípios não terá condições de absorver esse impacto, porém, o governo federal pondera reajustar o salário do funcionalismo público federal em porcentagem menor que a inflação de 2021, totalizada em 11,3%.
O professor Flávio Alves da Silva, presidente do Adufg-Sindicato disse ao Jornal Opção que estão sendo informados pela imprensa sobre o possível reajuste, visto que em momento nenhum o governo se propôs a abrir a mesa para a negociação. “Oficialmente não temos nada, até porque se o reajuste dos 5% mais o aumento de R$ 400 de vale alimentação estiver sendo proposto, está sendo feito de forma unilateral”. Ele explica que esse tipo de mudança é feita junto aos sindicatos, além disso, o professor destaca que a defasagem salarial para os docentes das universidades federais já beira os 40%. “O presidente Bolsonaro não nos recebe para negociar, o último aumento foi feito na gestão da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). As negociações estão paradas e, para tentar o mínimo, nós pedimos somente a inflação acumulada do governo atual, calculada em 19,99% e, mesmo assim, nada foi oficializado. O reajuste de 5% não é nada perto das perdas que tivemos. Infelizmente, temos no Brasil um presidente que não gosta dos servidores públicos”, afirma.
Em nota, o Adufg-Sindicato afirma que “o governo de Jair Bolsonaro promove total desrespeito com os servidores públicos, que amargam um aumento gigantesco no custo da cesta básica, fora o aumento de outras despesas básicas, como: plano de saúde, combustível e educação”.