Seu horário de jantar pode estar engordando você sem que perceba; veja o melhor horário para fazer a refeição
06 março 2026 às 16h42

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O horário do jantar entrou no radar da ciência porque o corpo não reage do mesmo jeito à comida em todas as horas do dia. Pesquisas em crononutrição sugerem que comer muito perto da hora de dormir pode favorecer o armazenamento de gordura e atrapalhar o gasto energético, o que, no longo prazo, dificulta a perda de peso.
Um estudo citado no Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism comparou dois cenários em laboratório: um grupo jantou às 18h e outro às 22h, com todos dormindo no mesmo período (23h às 7h). O resultado apontou que o jantar tardio altera processos ligados ao metabolismo e à forma como o organismo lida com energia e gordura, enquanto comer mais cedo tende a ser mais favorável para quem busca emagrecer.
O motivo está, em parte, na “sincronia” hormonal. A insulina, que ajuda a levar glicose para dentro das células, continua atuando por algumas horas após a refeição. Já o cortisol segue o relógio biológico e tem papel na mobilização de energia durante a noite e na madrugada. Quando a pessoa janta muito tarde e vai dormir em seguida, a insulina ainda está alta por mais tempo, o que pode bagunçar esse ciclo e aumentar a tendência de estocar energia em forma de gordura.
Isso não significa que o jantar deva ser cortado. O que costuma funcionar melhor é antecipar a refeição e deixá-la mais leve do que o almoço, garantindo um intervalo de pelo menos três horas entre comer e dormir. Para muita gente, isso cai naturalmente entre 18h e 20h, mas o “melhor horário” depende do ritmo de trabalho, do treino e do sono.
Alguns hábitos simples ajudam mais do que só mudar o relógio:
- evitar ficar muitas horas sem comer ao longo do dia (para não chegar faminto à noite);
- priorizar proteína e fibras (aumentam saciedade);
- reduzir ultraprocessados (que facilitam exageros);
- comer com menos distração e mastigar devagar (a saciedade demora a “chegar”);
- manter sono regular, porque dormir mal desregula fome e apetite.
Também vale lembrar que o ambiente influencia: comer no escuro ou distraído pode levar a escolhas piores e porções maiores. E aquela fome noturna nem sempre é fisiológica, às vezes é estresse, cansaço e hábito. Ajustar rotina, relaxamento e sono pode diminuir a vontade de “beliscar”.
Em resumo: jantar mais cedo tende a ajudar porque conversa melhor com o relógio biológico, mas o emagrecimento continua dependendo do conjunto, qualidade da dieta, porções, sono e consistência.
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