Segunda gravidez causa transformações cerebrais específicas nas mulheres, aponta estudo
01 março 2026 às 11h13

COMPARTILHAR
Um novo estudo conduzido pelo Centro Médico Universitário de Amsterdã, na Holanda, aponta que a segunda gestação provoca transformações específicas no cérebro materno, diferentes das já observadas na primeira gravidez. Segundo os pesquisadores, essas alterações podem fortalecer a capacidade de direcionar a atenção e lidar com múltiplas demandas, algo especialmente relevante para mães que passam a cuidar de mais de um filho.
Pesquisas anteriores do mesmo grupo já haviam demonstrado que, na primeira gestação, ocorrem modificações em áreas cerebrais relacionadas à autorreflexão e à interpretação das emoções do bebê, adaptações consideradas importantes para o desenvolvimento do vínculo materno.
Agora, o novo levantamento indica que, na segunda gravidez, há mudanças adicionais em redes neurais ligadas ao controle da atenção e à resposta a estímulos sensoriais. De acordo com a pesquisadora Milou Straathof, responsável pela análise dos dados, esses ajustes podem favorecer a chamada “atenção orientada a objetivos”, essencial para administrar tarefas simultâneas e responder rapidamente às necessidades de mais de uma criança.
Para chegar a essas conclusões, os cientistas acompanharam 110 mulheres divididas em três grupos: aquelas que engravidaram pela primeira vez, mulheres que tiveram o segundo filho e um grupo controle que não teve filhos no período estudado. Exames de imagem cerebral realizados antes e depois das gestações permitiram mapear com precisão as alterações estruturais.
Os resultados sugerem que as transformações mais significativas acontecem sobretudo no final da gravidez. O estudo não apresentou conclusões específicas sobre alterações cerebrais em casos de aborto espontâneo.
Relação com a saúde mental
Além de investigar a adaptação cerebral à maternidade, o estudo também identificou associações entre essas mudanças e transtornos mentais no período perinatal, fase que engloba a gestação e o pós-parto.
Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que cerca de 10% das gestantes e 13% das mulheres no pós-parto apresentam algum transtorno mental, sendo a depressão o mais comum.
Segundo a pesquisa, alterações estruturais no córtex cerebral – a camada externa do cérebro – estiveram associadas à depressão perinatal. Entre mulheres que vivenciaram a maternidade pela primeira vez, as mudanças cerebrais se relacionaram mais fortemente ao estado de saúde mental após o nascimento do bebê. Já nas que estavam na segunda gestação, a associação foi mais evidente ainda durante a gravidez.
Para Elseline Hoekzema, chefe do laboratório que investiga o chamado “pregnancy brain”, o estudo demonstra, pela primeira vez, que o cérebro continua se reorganizando em gestações subsequentes, e não apenas na primeira experiência materna. Segundo ela, cada gravidez deixa uma marca própria na estrutura cerebral feminina, combinando padrões semelhantes e características únicas.
Embora os pesquisadores ressaltem que novos estudos são necessários para aprofundar essas descobertas, os resultados ajudam a compreender melhor como o cérebro se adapta à maternidade e por que algumas mulheres podem desenvolver depressão ou outros transtornos nesse período, podendo aprimorar os cuidados oferecido às mães.
Leia também: Homem mata colega de trabalho com 50 facadas dentro de frigorífico e morre atropelado durante fuga, em Inhumas

