A Secretaria de Estado da Educação (Seduc) lançou, nesta segunda-feira, 9, a campanha “Bullying Não Compensa”, voltada ao combate ao bullying nas escolas da rede estadual. O lançamento foi realizado no Auditório do Cepi Bilíngue Lyceu de Goiânia, e contou com a participação de estudantes, professores, servidores e gestores. 

Segundo a secretária Fátima Gavioli, o objetivo da campanha é fomentar o debate sobre identificação e o combate à prática que pode ter danos irreversíveis na vida dos estudantes. Vale destacar que o bullying é reconhecido como crime desde 2024. “Vamos levar essa conscientização e, quem sabe, essa mudança desse comportamento de achar que certas piadas e brincadeiras não ofendem. As brincadeiras de mau gosto, se não forem corrigidas na época certa da vida, podem se transformar inclusive em agressões físicas”, explica. 

Fátima pontua ainda que o ambiente escolar tem sido um termômetro para identificar possíveis comportamentos agressivos de estudantes que acabam sendo reproduzidos na sociedade. Diante disso, a campanha terá como foco identificar alunos que praticam bullying e fazer um trabalho de conscientização das consequências que isso pode trazer na vida de quem faz e da vítima das práticas.

“A escola tem que, além de ensinar, se preocupar com essas relações interpessoais. Essa campanha vai acontecer duas vezes por ano, durante um semestre inteiro e nós temos uma equipe, que é do Ouvir e Acolher, responsável por trabalhar isso e, na sequência, identificar quem são esses alunos e depois começar um trabalho explicativo para eles de que essa brincadeira de mau gosto não está com nada”, afirma. 

A secretária destacou ainda que temas sensíveis, mas que extrema relevância social já têm sido debatidos em projetos realizados dentro das unidades escolares, como equidade social e de gênero. “Só que agora sentimos a necessidade de atuar um pouco mais agressivamente nessa questão do bullying, porque os casos estão se repetindo e sendo normalizados. O homem, por muitos anos, fez piadas, riu das pessoas, da deficiência, da raça, da homossexualidade e parecia que estava tudo bem, que ninguém era ofendido com isso, o que não é verdade. Sempre quem é alvo dessas brincadeiras sofre muito com isso, o que pode ocasionar a evasão escolar, a uma baixa condição de aprendizagem e, em casos mais graves, pode levar ao suicídio. O nosso papel aqui, junto com o Ouvir e Acolher, é intensificar essas campanhas para que a nossa rede, cada vez mais, seja sadia”, descreve. 

A psicóloga e gestora do Programa Ouvir e Acolher, Adalgiza Erse, complementa que serão realizados comitês antibullying e práticas de convivência escolar para promover o respeito, empatia e escuta qualificada. Tudo isso por meio de profissionais qualificados. “Nós temos equipes multiprofissionais com psicólogos e assistentes sociais para dar esse suporte socioemocional para os estudantes, servidores e famílias. E nós estaremos assinando termos de compromisso com toda a comunidade escolar para que todos se responsabilizem nesse combate ao bullying”, destaca. 

“Penso que promover o respeito, a escuta, porque a escola é um espaço de formação integral. Então, além das matérias, os alunos precisam, sim, estar se conectando com seus valores, olhar mais para o outro com empatia, saber respeitar os professores, todos os servidores para que isso reflita na vida dele como um todo. A escola é esse espaço de promover essa conscientização e ajustes comportamentais para que os nossos alunos saiam e se formem na escola como cidadãos íntegros para ir para a nossa sociedade”, finaliza.

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