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O Instituto Patris assumiu neste sábado, 23, a gestão do Hospital e Maternidade Dona Íris (HMDI), em Goiânia. A medida emergencial foi determinada pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS) após a interrupção de serviços essenciais sob responsabilidade da Fundação de Apoio ao Hospital das Clínicas (Fundahc), gestora da unidade desde 2012.

De acordo com a SMS, a decisão busca restabelecer a assistência materno-infantil, diante do risco de desassistência a gestantes e crianças. A pasta informou que o objetivo é garantir o funcionamento dos atendimentos de urgência e emergência, além de normalizar o fornecimento de insumos e medicamentos. “Nosso esforço é devolver estabilidade ao hospital e assegurar que o cidadão tenha acesso a um atendimento contínuo e seguro”, disse o secretário municipal de Saúde, Luiz Pellizzer.

No mesmo contexto, a Associação Hospitalar Beneficente do Brasil (AHBB) iniciou na noite de sexta-feira, 22, a oferta de serviços de anestesiologia na Maternidade Nascer Cidadão. A medida faz parte do processo de transição que prevê a futura gestão da unidade pela associação.

Apesar do anúncio da SMS, a mudança no HMDI é marcada por rupturas. Um comunicado da Fundahc, divulgado aos colaboradores na noite de sexta-feira, 22, e um áudio de um trabalhador ao qual o Jornal Opção teve acesso, apontam que a transição ocorreu de forma abrupta.

Segundo a fundação, a SMS havia informado anteriormente que o Instituto Patris assumiria a unidade apenas em sexta-feira, 29, permitindo a conclusão de um cronograma técnico de repasse de responsabilidades. No entanto, um novo ofício, expedido no fim da tarde de sexta-feira, 22, antecipou a mudança para a manhã do dia seguinte, decisão classificada pela Fundahc como “unilateral” e inesperada.

A nota também evidencia preocupação com os vínculos trabalhistas. A Fundahc informou que não fará rescisões contratuais até que a Prefeitura defina a composição de valores em aberto e assegure o pagamento integral dos direitos de seus funcionários. “Não se trata apenas de atos administrativos, mas da preservação de vidas humanas e da proteção de trabalhadores que sempre asseguraram a continuidade da assistência nesta unidade de saúde”, destacou a entidade no documento.

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Outro trecho do comunicado menciona a participação do Ministério Público do Trabalho (MPT) e de sindicatos da categoria. A fundação afirmou que, nas reuniões realizadas nos dias 21 e 22, solicitou a formalização do passivo trabalhista decorrente do encerramento do convênio. O objetivo seria garantir o cumprimento de todas as obrigações junto aos colaboradores.

Na mensagem final, a Fundahc agradeceu o empenho de sua equipe ao longo dos anos de gestão e recomendou que os trabalhadores permanecessem nos postos de trabalho, a fim de evitar prejuízos ao funcionamento da maternidade no período de transição.

Em entrevista ao Jornal Opção, o médico Frank Cardoso, assessor técnico da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) da Prefeitura de Goiânia, explicou os motivos e o contexto da transição de gestão do Hospital e Maternidade Dona Íris (HMDI), que passou para o comando do Instituto Patris neste sábado, 23.

Segundo Frank, a decisão de antecipar a entrada da nova organização social foi motivada por falhas recorrentes na gestão da Fundahc. A Secretaria de Saúde optou por antecipar o processo de transição da Dona Íris, focado em manter o nível de assistência que a Fundahc, há muito tempo, vinha deixando a desejar. Agora, num momento ainda mais crítico, com falta de insumos e bloqueio de atendimentos, tivemos que agir”, afirmou.

O assessor explicou que a transição já estava em andamento desde o início do mês, com equipes técnicas da SMS, da Fundahc e do Instituto Patris envolvidas. A previsão inicial era que a mudança fosse concluída apenas entre os dias 28 e 29. O que acontece é que, com mais essa falha da Fundahc, somada a outras anteriores, optamos por antecipar a entrada do Patris. Desde as 7h da manhã de hoje, as escalas já são da nova instituição, que conduz os atendimentos integralmente”, disse.

Sobre a situação encontrada na unidade, Frank relatou que a falta de insumos e a paralisação de serviços se tornaram frequentes nos últimos meses. O que foi noticiado e chegou a nós foi justamente isso: falta de insumos, paralisação de serviços, interrupção de atendimento. E isso é totalmente preocupante. Tivemos que articular com o Hospital das Clínicas e com o Hemocentro para garantir o atendimento das gestantes em situações de urgência”, destacou.

Questionado se a maternidade já funcionava normalmente, ele respondeu que a operação está em fase de adaptação, mas os serviços de urgência estão assegurados. Sobre a relação da SMS com a Fundahc durante a transição, Frank reconheceu a colaboração da entidade, mas ressaltou as falhas que motivaram a ruptura antecipada. De acordo com ele, a Fundahc foi muito parceira durante o processo de transição, “mas infelizmente, ao final, se mostrou incapaz de manter o processo regular até o fim e de sustentar os atendimentos”.

Por fim, o assessor destacou que o objetivo central é devolver segurança às mães atendidas na rede pública. O Patris está entrando, o serviço voltando a acontecer e as mães voltando a ter segurança para receber os atendimentos nas maternidades de Goiânia. Esse é o ponto principal”, afirmou. Ele acrescentou que as demais maternidades da capital seguem em processo de transição, mas a mudança imediata vale apenas para a Dona Íris.

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