*Colaboração de Fabricio Vera

Durante o lançamento do programa Obras Cidadãs, nesta segunda-feira, 23, o prefeito de Goiânia, Sandro Mabel, afirmou que as demandas do projeto devem partir da sociedade e chegar à Prefeitura por meio dos vereadores da capital. Questionado se atenderia apenas às solicitações apresentadas por parlamentares da base aliada, o prefeito foi direto ao afirmar que as decisões cabem exclusivamente ao Executivo municipal.

Segundo Mabel, é a Prefeitura quem define o que será ou não executado. “Existem decisões que cabem a nós tomar. Eu vou fazer essa obra, mas não vou fazer. Agora, basicamente, quem xinga a gente o dia inteiro precisa entender que a comunidade vai ter que arrumar um vereador que tenha ligação com a gente. Por que eu tenho que atender um vereador que me xinga dia e noite? Não faz sentido. Nós vamos atender quem realmente quer que a Prefeitura cresça”, declarou.

Apesar do tom crítico, o prefeito ponderou que vereadores de oposição também podem ter suas demandas atendidas, desde que apresentem propostas consistentes. “Todo bairro tem vários vereadores com voto ali, que escutam a comunidade e atuam. Isso não quer dizer que nós não vamos atender um vereador de oposição. Às vezes, o vereador é de oposição, traz uma boa ideia, uma boa demanda, e aí não tem jeito: a gente atende”, explicou.

Também questionada sobre a divisão de demanas, se serão feitas obras indicadas somente por vereadores da base, a secretaria de governo da prefeitura, Sabrina Garcez, saiu em defesa do prefeito e alegou que “o mais importante é a demanda vir da população.”  “O que a gente quer é atender a população através dos vereadores. Se tiver uma demanda legítima de um vereador da oposição, nós também iremos atender”, disse.

Ela também explicou que a execução das demandas irá depender de depois requisitos determinador por Sandro Mabel. “Existem dois requisitos principais: ouvir a população, o que precisa ser comprovado por meio de uma ata, e a intermediação de um parlamentar, de um vereador, para levar essa demanda ao município de Goiânia. A partir do momento em que a solicitação chega, é feito um orçamento. Se esse valor estiver dentro das condições estabelecidas, a obra é autorizada imediatamente. Em seguida, a empresa já agenda uma vistoria para dar início aos trabalhos”, declarou.

Programa Obras Cidadãs

O programa Obras Cidadãs, lançado nesta segunda-feira, 23, pela Prefeitura de Goiânia, é uma iniciativa voltada para a execução rápida de pequenas obras e melhorias nos bairros da capital. O objetivo é descentralizar pequenas intervenções, permitindo que vereadores indiquem demandas locais, como reformas em praças, calçadas e espaços públicos. 

Com início previsto para abril de 2026, o programa tem como objetivo promover mudanças significativas nos bairros por meio de pequenas intervenções com alto impacto. A proposta se destaca pelos números: estão previstas até 40 obras mensais, somando 480 intervenções ao longo de um ano. Cada ação terá investimento máximo de R$ 35 mil, o que corresponde a um aporte mensal de até R$ 1,5 milhão e a um investimento anual estimado em R$ 15 milhões.

Futuros projetos e outras discussões

A expectativa é de que a Prefeitura encaminhe projetos que ficaram pendentes no ano passado como os que tratam do vale-alimentação e de demandas dos servidores da saúde, que devem ser priorizados logo no retorno das atividades para apreciação da Câmara Municipal de Goiânia, prevista para o mês de março, segundo o vereador Wellington de Bessa (DC). Além desses, um dos destaques anunciados é o Programa de Autonomia Financeira das Instituições de Saúde, iniciativa citada pelo prefeito Sandro Mabel e inspirada em modelo já adotado na educação. O programa prevê a descentralização de parte dos recursos públicos, permitindo que as próprias unidades de saúde administrem uma parcela do orçamento para realizar intervenções imediatas. A proposta deverá ser enviada pela Prefeitura de Goiânia ao Legislativo para votação, com a expectativa de que o modelo, já consolidado na área educacional, também seja aplicado na saúde. 

Também questionado sobre a taxa do Lixo, o vereador Bessa afirmou que a taxa de lixo é um tema que envolve uma série de questões técnicas e jurídicas, desde a apresentação do projeto até o seu andamento no Legislativo. 

Desde a propositura da matéria, já existiam questionamentos sobre a possível ilegalidade da lei, o que gerou debates ainda na fase inicial. Agora, o assunto retorna à Câmara Municipal de Goiânia na forma de veto do Executivo, e caberá aos vereadores decidir, em votação, se mantêm ou derrubam essa decisão, definindo os próximos passos da cobrança no município.

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