O empresário goiano Joesley Batista decidiu que irá investir em um novo ramo de negócio: a indústria bélica. Ele assinou um contrato onde lhe dar direito de participar do funding da Avibrás, que é coordenado pelo Fundo Brasil Crédito, que houve arrecadação de R$ 300 milhões com investidores privados.

Esse dinheiro vem a calhar com um dos maiores desafios enfrentados pelo Ministério da Defesa na gestão de Lula da Silva (PT). O ministro José Múcio Monteiro Filho se empenhou em encontrar uma sobrevivência da Avibrás, que é a maior indústria bélica do Brasil, mas que está em recuperação judicial. Os produtos da empresa brasileira ganharam importância em razão da realidade geopolítica criada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A reestruturação da empresa consiste na aquisição de R$ 300 milhões oriundos de recursos privados e outros R$ 300 milhões por meio do poder público, através de financiamentos por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ou do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC). 

Entretanto, a direção do Fundo Brasil Crédito – que conta com dois cotistas – os investidores Raul Ortuzar e Thiago Osório – decidiu retomar a produção com os recursos privados, sem esperar os repasses dos financiamentos públicos. O anúncio deve ser feito nas próximas semanas, segundo o Estadão.

Joesley se reuniu duas vezes com a direção do Fundo. A Avibrás é considerada uma empresa estratégica, que tinha defensores no Congresso, que chegaram a pressionar Lula para que ele encapasse a empresa em razão de ela ser estratégica para a defesa do País.

O dinheiro de Joesley Batista resolve outro problema: afasta o interesse de outras empresas interacionais na aquisição da Avibrás. As Forças Armadas não queriam que a Avibrás fosse vendida para estrangeiros. Entre os interessados, estavam a chinesa Norinco, a australiana DefendTex e a saudita Black Storm Military Industries.

Os principais contratos em aberto pela Avibrás são com o Exército e a Força Aérea. A empresa é responsável pelo sistema de foguetes balísticos Astros, que é a “princesa dos olhos” da artilharia do Exército, um produto vendido para quase uma dezena de países, entre eles Indonésia e Malásia, com contínuo despertar de interesse no exterior.

Segundo o Estadão, a empresa deve dar continuação à parceria com o Escritório de Projetos do Exército para conclusão do Míssil Tático de Cruzeiro, que está 90% concluído e falta apenas a campanha de tiro.

Além disso, há o desenvolvimento do Míssil Tático Balístico S+100, que deverá ser interoperado com outros sistemas da Avibrás. O projeto é inédito e considerado potencial para vendas ao mercado exterior.

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