R$ 65 milhões em repasses: lista liga Banco Master a políticos, mídia e ministros
09 abril 2026 às 20h13

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Declarações de Imposto de Renda do Banco Master, encaminhadas à CPI do Crime Organizado no Senado, indicam que a instituição financeira realizou pagamentos de cerca de R$ 65 milhões, entre 2023 e 2025, a empresas e escritórios de advocacia ligados a políticos, ex-ministros e dirigentes partidários.
Os valores constam em documentos da Receita Federal e, segundo os registros, estão associados a contratos formais de prestação de serviços. Procurados, os citados afirmam que as relações foram legais.
Entre os beneficiários está o ex-presidente Michel Temer. De acordo com os dados, seu escritório recebeu R$ 10 milhões. Em nota, Temer confirmou a prestação de serviços, mas afirmou que o valor pago foi de R$ 7,5 milhões, referente a atuação em mediação jurídica.
O advogado Fábio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação da Presidência, recebeu R$ 3,8 milhões para atuar na defesa do banqueiro Daniel Vorcaro. Já o ex-ministro da Cidadania Ronaldo Bento recebeu R$ 773 mil.
As empresas dos ex-ministros da Fazenda Henrique Meirelles e Guido Mantega receberam R$ 18,5 milhões e R$ 14 milhões, respectivamente, por serviços de consultoria. Ambos confirmaram os contratos e afirmaram que não tinham conhecimento de eventuais irregularidades.
Na área política, a empresa de consultoria do ex-prefeito de Salvador ACM Neto recebeu R$ 5,4 milhões. Já o escritório do presidente do União Brasil, Antônio Rueda, recebeu R$ 6,4 milhões. A defesa de Rueda afirmou que os serviços foram técnicos e realizados dentro da legalidade.
Também há registros de pagamento de R$ 6,1 milhões a escritório ligado a familiares do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski, por serviços de consultoria jurídica. Em nota, Lewandowski afirmou que retomou a advocacia após deixar o STF e que se desligou do escritório ao assumir o Ministério da Justiça.
Os dados indicam ainda pagamentos ao escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, que somam cerca de R$ 80,2 milhões entre 2024 e 2025, com repasses mensais registrados no período.
Empresas de comunicação também aparecem entre os destinatários. O portal Metrópoles e empresas ligadas ao empresário Luiz Estevão receberam R$ 27,2 milhões. Segundo a empresa, os valores estão relacionados a contratos de patrocínio.
O apresentador Ratinho recebeu cerca de R$ 24 milhões por meio de empresas do Grupo Massa, em ações publicitárias. Já o jornalista Léo Dias declarou que sua empresa recebeu R$ 9,9 milhões por contratos de publicidade com o grupo.
Parte das informações também consta em relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Os envolvidos, em sua maioria, afirmam que os contratos foram regulares e correspondem à prestação de serviços. O caso segue sob análise no Congresso Nacional e por órgãos de investigação.
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