Quase 8 mil migrantes morreram ou desapareceram em rotas migratórias perigosas em 2025
26 fevereiro 2026 às 17h57

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Cerca de 7.667 pessoas morreram ou desapareceram em rotas migratórias perigosas ao longo de 2025, segundo dados divulgados pela Organização Internacional para as Migrações (OIM).
Apesar da queda em relação a 2024, quando quase 9.200 mortes foram registradas, o número real pode ser ainda maior devido à redução no financiamento e às dificuldades para monitorar as ocorrências.
De acordo com a OIM, cortes orçamentários afetaram o acesso humanitário e o rastreamento de mortes em regiões críticas, como o Mar Mediterrâneo e o Chifre da África. A agência alerta que a diminuição de vias legais de migração tem levado mais pessoas a recorrerem a rotas irregulares e perigosas, muitas vezes controladas por contrabandistas e traficantes.
“A perda contínua de vidas nas rotas migratórias é uma falha global que não podemos aceitar como normal”, afirmou a diretora-geral da OIM, Amy Pope, em comunicado oficial. Segundo ela, as mortes não são inevitáveis e poderiam ser evitadas com a ampliação de rotas seguras e regulares para migrantes e refugiados.
As rotas marítimas continuam entre as mais perigosas do mundo. No Mar Mediterrâneo, ao menos 2.108 pessoas morreram ou desapareceram no último ano. Já na rota atlântica rumo às Ilhas Canárias, na Espanha, foram registradas 1.047 mortes.
Na Ásia, aproximadamente 3 mil migrantes perderam a vida, sendo mais da metade afegãos. No Chifre da África, 922 pessoas morreram ao tentar atravessar do Iêmen em direção aos Estados do Golfo, um aumento significativo em comparação ao ano anterior.
Quase todos eram etíopes, muitos vítimas de três grandes naufrágios. A OIM também destaca que Europa, Estados Unidos e outras regiões intensificaram a fiscalização migratória e ampliaram investimentos em medidas de dissuasão.
Embora isso tenha reduzido o número de tentativas de travessias irregulares, especialmente nas Américas, a organização afirma que a diminuição nas mortes pode refletir também a escassez de dados confiáveis.
Com sede em Genebra, a OIM está entre as entidades impactadas por cortes significativos no financiamento internacional, principalmente dos Estados Unidos.
Segundo a agência, a redução de recursos levou ao encerramento ou diminuição de programas essenciais, o que pode agravar ainda mais a vulnerabilidade de migrantes em 2026.
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